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Maicon: “SP precisa de títulos. Apelido de “Deus da zaga” não atrapalhou”
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Alexandre Praetzel

Nesta terça-feira, o São Paulo enfrenta o Vitória, abrindo a 12ª rodada do Brasileiro, antes da parada para a Copa do Mundo. Quem pretende ir ao Morumbi, é o zagueiro Maicon. O ex-jogador tricolor atua pelo Galatasaray da Turquia, e está em férias no Brasil. Em entrevista exclusiva ao blog, Maicon acha que o São Paulo precisa de títulos para acabar com qualquer tipo de pressão, nega que o apelido de “Deus da zaga” tenha lhe incomodado e revela que o Brasil voltou a ser respeitado no futebol europeu, com a Seleção Brasileira de Tite. Acompanhem.

Como você está vendo o São Paulo, neste momento?

No ano passado, eu acho que o São Paulo passou um momento bastante delicado, assim como no ano retrasado. Esse ano, o São Paulo não começou o Paulista tão bem, como esperado, mas no Brasileiro, começaram bem. Perderam apenas um jogo e quatro pontos em dois jogos, na semana passada, pontos bastante importantes para quem quer brigar por título. Tenho certeza que o São Paulo tem tudo para fazer um grande campeonato Brasileiro.

Você viveu lá dentro. Tem algo, além do futebol, que atrapalha o São Paulo?

Títulos. Faltam títulos. A melhor resposta são títulos. Um clube como o São Paulo não pode viver sem títulos. eu costumo falar que o São Paulo e alguns times brasileiros têm a mania de falar que a gente tem que classificar para a Libertadores. Acho que essa mentalidade tem que mudar. A gente tem que ganhar um título e classificar para a Libertadores. Eu acho que esse é o principal objetivo. É um objetivo que a gente estipulou na Turquia. Ser campeão para ir para a Liga dos Campeões. Não ficar em segundo para ir ao torneio. Então, acho que essa mentalidade do futebol brasileiro e do povo brasileiro, tem que mudar. A gente tem que começar a pensar em ser campeão para ir à Libertadores e não segundo ou terceiro. Eu acho que começa por aí.

O apelido de “Deus da zaga”, te atrapalhou no São Paulo?

Não, acho que não. Isso aí são coisas de torcedores. Eu acho que a gente não pode levar para dentro de campo. Quando a gente entra em campo, são jogadores normais. Isso não afetou em mim e acho que não afeta jogador nenhum. A gente não pode deixar subir para a cabeça. Eu sou um jogador que sempre tive os pés no chão, trabalho sempre honestamente, duro, e não deixei me afetar com apelido ou com qualquer outro tipo de brincadeira.

A diferença do futebol europeu para o sul-americano, cada vez aumenta mais?

Aumenta porque o nível competitivo lá fora, é maior. O que te pedem assim, o nível físico é maior. Então, é um futebol bastante moderno. Eles estudam muito, estão sempre fazendo coisas novas. O Brasil precisa evoluir muito, mas não fica tanto atrás. Eu acho que em cada país, cada lugar, tem seu estilo de jogo. Não é à toa também que o Brasil é uma das melhores seleções do mundo, mesmo com jogadores lá fora, mas tem uma das melhores do mundo. Eu acho que o Brasil ainda vai chegar lá, se Deus quiser.

Na Europa, o respeito voltou ou o Brasil ainda é visto com uma certa desconfiança por causa de 2014?

Eu que convivi com várias pessoas de várias nacionalidades, o respeito com a vinda do Tite e a essa nova seleção, voltou. Eles respeitam mais o Brasil, temem, e acham que o Brasil pode ser campeão. Eu concordo com eles. Acho que o Brasil tem tudo para ser campeão, mas futebol muda da água para o vinho. Brasil voltou a ter o respeito dos europeus.

Pensas em permanecer na Europa ou retornar ao Brasil?

Eu pretendo ficar meus próximos três anos na Europa e depois regressar ao Brasil. É meu país de origem, onde eu vou morar. Nos próximos três anos, pretendo continuar na Europa.


Ralf e Danilo destacam currículos vencedores no Corinthians
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Alexandre Praetzel

O bicampeonato paulista do Corinthians colocou mais uma faixa no peito de Ralf e Danilo, dois jogadores muito vitoriosos pelo Clube e com grande número de partidas. Ralf foi titular na decisão e Danilo abriu as cobranças de pênaltis que deram o título ao time. O blog conversou com os atletas, sobre mais uma conquista e o que vem pela frente. Primeiro, Ralf.

O título fortalece o grupo ainda mais para o restante da temporada?

Sim. Fizemos por merecer. Mesmo eu chegando no decorrer da competição, esse grupo é maravilhoso, abençoado e fizemos por merecer. Fizemos um grande jogo, abrimos o placar como eles fizeram na nossa casa e isso aí dificultou o máximo para eles. A gente sabe que o jogo foi muito difícil e disputado e tivemos uma tarde feliz e abençoada com o Cássio também.

Ter jogado a final provou que você é um vencedor no Corinthians?

Me sinto vencedor, realizado, abençoado pelo Carille contar comigo. O Gabriel respeitou minha entrada e a decisão do Carille. O grupo só tem a ganhar. Ele jogou o primeiro clássico, eu respeitei. Independentemente de quem joga, quem ganha é o Corinthians. A gente teve um título merecido.

É difícil projetar um bicampeonato brasileiro?

Todo jogo a gente entra para vencer, mas nem sempre se desenha da maneira que a gente espera. A gente já começa com um primeiro semestre muito bom, abençoado, com esse título na casa do Palmeiras.

Ralf tem 344 jogos e marcou oito gols. Foi campeão paulista duas vezes, Brasileiro duas vezes, Libertadores da América, Mundial e Recopa Sul-Americana. Após dois anos no futebol chinês, retornou com mais dois anos de contrato.

O blog também entrevistou o meia Danilo. Confiram.

Foi um título justo na tua opinião?

Eu acho que sim. As duas equipes são iguais. No jogo de lá, a gente tomou o gol muito cedo e isso aí faz diferença. A equipe deles foi para trás e não conseguimos fazer o gol. E na casa deles, aconteceu a mesma coisa. Equipes iguais e foi decidido nos pênaltis. Nossa equipe bateu muito bem e mereceu o título.

Mais uma faixa no peito. Você um dos mais vitoriosos no futebol?

Graças a Deus. Nove anos aqui no Corinthians e ganhando tudo. Já tinha ganhado antes e eu acho que tem que agradecer todo mundo, mesmo jogando pouco, estou aqui sempre para ajudar, como foi domingo.

Aos 38 anos, Danilo fez 329 jogos e marcou 31 gols. Só não ganhou a Copa do Brasil pelo Corinthians. Teve se contrato renovado até dezembro.


Galiotte descarta favoritismo contra o Santos e comemora acerto com a Puma
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Alexandre Praetzel

O Palmeiras joga por um empate contra o Santos para chegar à final do Paulista, após dois anos de ausência na decisão. O Verdão venceu o primeiro confronto por 1 a 0, no Pacaembu, e será mandante com torcida única, no segundo jogo, no mesmo estádio. O blog entrevistou o presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte, sobre a perspectiva de título, após quase dez anos sem vencer o Estadual. Confira.

O Palmeiras é o favorito para passar à final?

Não. Jogo grande, jogo aberto, clássico. Não tem favorito. Vamos para o jogo.

O que aconteceu no ano passado, deixou alguma lição?

Todo jogo deixa uma lição. Todo campeonato deixa um aprendizado. Nós temos que enxergar tudo que aconteceu e procurar melhorar.

É bom ser presidente de um dos melhores times do Brasil?

É bom fazer um trabalho honesto, transparente, um trabalho que a gente consegue valorizar nossa marca. Trazer orgulho para nosso torcedor. Isso é muito bom.

O acerto com a Puma foi o melhor para o Palmeiras?

Sem dúvida. Uma marca muito séria, uma marca muito forte no quadro mundial. É um acordo exclusivo no Brasil e um acordo com força internacional. Então, com valores expressivos também. Nós estamos muito otimistas com o negócio.

O Palmeiras precisa de um novo zagueiro?

Palmeiras tem um elenco muito forte. Óbvio que nós estamos sempre atentos ao mercado, mas nosso elenco é muito forte, muito competitivo, e esse é nosso elenco agora.

O fato de não ganhar o Paulista há quase dez anos, lhe preocupa?

Nós temos que sempre buscar as vitórias e nosso objetivo é o título. O fato de ter dez anos é uma situação que está aí e nós temos que reverter. O objetivo é a conquista.

O Palmeiras acertou com a Puma como novo fornecedor de material esportivo, pelos próximos três anos, a partir de 2019. A Adidas permanece até o final de 2018.


São Paulo pode igualar maior seca do Paulista. São Caetano é bem arrumado
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Alexandre Praetzel

O São Paulo conquistou o Campeonato Paulista pela última vez, em 2005. Foi um torneio de pontos corridos, com um turno só. O técnico era Emerson Leão, que passou novamente pelo clube, em 2011. O blog pediu a opinião do treinador, sobre as causas deste jejum.

“Entendo que isso ocorreu e vem ocorrendo, há muito tempo. Não foi só uma coisa. Coincidência, é que depois que o ex-presidente Juvenal assumiu, não ganhou mais. Vários treinadores sendo substituídos, infinitos jogadores, sem nunca se formar uma raiz. Eu acho que a identificação do que era o São Paulo, terminou há muito tempo. Está na hora de começar de novo do zero porque é um excelente Clube, muito bom de trabalhar”, afirmou Leão.

De lá para cá, se foram 12 anos sem levantar o Estadual. Lembro que os tricolores sempre trataram o Paulista como um objetivo menor, porque o São Paulo tinha ganho Libertadores e Mundial de Clubes e empilhou três Brasileiros consecutivos, o único a fazer isso, na história. Só que nos confrontos decisivos, sempre atuava com os titulares. O discurso era para julgamento externo.

Agora, o Estadual pode ser a salvação do ano. A diretoria trocou o técnico outra vez e o time está longe de um padrão. Diego Aguirre vai para uma decisão no seu segundo jogo à beira do gramado, precisando vencer o São Caetano, para não amargar outra eliminação. O uruguaio não terá Cueva e Rodrigo Caio. Ele deve escalar Sidão; Militão, Arboleda, Bruno Alves e Reinaldo; Jucilei, Liziero e Nene; Marcos Guilherme, Trellez e Valdívia. No papel, uma formação ofensiva contra um adversário que virá fechado.

O interessante é que nomes caros como Petros e Diego Souza viraram reservas. E Raí falou na busca por reforços para o restante do ano. Pressão grande dentro e fora de campo. Um tropeço hoje vai determinar a maior seca de títulos estaduais, igualando a série de 1957 a 1970, anos da construção do Estádio Morumbi.

Projeção de jogo complicado. Pintado arrumou o São Caetano e poderia ter vencido por um escore maior, na primeira partida. O blog aposta em 1 a 0 para o São Paulo e a decisão da vaga nos pênaltis.

 


Alessandro nega divergência com Andrés e admite dificuldades para contratar
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Alexandre Praetzel

Alessandro Nunes foi vencedor como jogador do Corinthians e aumentou suas conquistas, também como executivo do clube. Homem forte do departamento de futebol do ex-presidente Roberto de Andrade, Alessandro seguirá no Corinthians, na gestão de Andrés Sanchez. Alessandro será o gerente de futebol, com Duílio Monteiro como diretor e o ex-vice-presidente Jorge Kalil, como diretor-adjunto. Em entrevista exclusiva ao blog, Alessandro negou qualquer tipo de problema com Andrés, admitiu dificuldades para contratar e que será muito difícil ser bicampeão paulista ou brasileiro. Acompanhem.

Apenas para deixar bem claro. Você fica no Corinthians, com a nova diretoria?

A gestão já está, talvez, completando um mês. Eu acho que as coisas estão bastante claras e se houver alguma mudança, também não compete a mim dizer. Mas está tudo tranquilo, graças a Deus. Está muito bem.

Você tem boa relação com o presidente Andrés? Sempre chegou para a mídia que vocês tiveram um estremecimento na gestão do Roberto de Andrade, quando você comandava o futebol.

Esse negócio de homem forte do futebol é meio estranho. Não existe isso. Existe uma equipe, um departamento, profissionais trabalhando. Eu, graças a Deus, tenho uma boa relação com todos eles, nesses dez anos que já estou aqui no Corinthians. Me sinto muito à vontade para dizer isso. O próprio tempo, por si só, já diz a relação que eu tenho e a identidade que eu tenho com o clube. Então, estou muito feliz, muito tranquilo, bem, acredito que eles também. A gestão está começando, um longo trabalho a ser feito nesses três anos, e que o melhor aconteça sempre para o clube, não tenha dúvida.

Está mais difícil contratar neste momento? A situação financeira do clube é boa, normal?

A situação financeira não pode ser um direcionamento para o lado positivo ou negativo na hora de contratar. As contratações vão sempre acontecer. Muitas delas, a gente vai acertar. Infelizmente, em algumas, erraremos. É normal no futebol. Nem tudo se conquista com bons resultados. A vida financeira do clube ainda não é muito boa, mas com certeza vai melhorar em algum momento. É o que a gente espera, no futuro. E também não vai ser isso o fato positivo nas contratações. Sempre estarão relacionadas com o resultado dentro do campo.

A contratação de um centroavante é prioridade ainda ou vocês estão esperando passar o tempo, um pouco?

Não. A gente não está esperando passar um pouco o tempo, não. Infelizmente, não dá para mais inscrever em algumas competições. A Libertadores já encerrou até a primeira fase. O Paulista, também traz pouquíssimo tempo para realizar alguma coisa nesse sentido, mas a gente estará sempre olhando, se houver alguma boa oportunidade. Infelizmente, não tem sido nada fácil você encontrar bons atacantes no mercado, estão muito valorizados, inclusive. O próprio presidente, recentemente, deu uma entrevista de que não dá para você pagar um salário estilo europeu. Isso aí você quebra os outros 30 jogadores que você tem no elenco. A gente tenta manter um padrão para que o relacionamento seja o mais saudável possível, não só financeiro, mas técnico também.

Vocês apostaram muito no Juninho Capixaba. O início dele não foi dos melhores. Preocupa?

Não, não preocupa. É normal. Só a gente buscar num histórico recente, quantos atletas que, infelizmente, tiveram um pouquinho de dificuldade no início. O sucesso foi um pouco mais tardio. É normal que um jovem como ele, que trocou uma camisa muito importante no cenário brasileiro a uma muito pesada, oscilar um pouquinho, ter suas dificuldades. Olhando para trás, a gente vê que grandes atletas que conquistaram títulos aqui dentro, também passaram por esse processo. Ele é um atleta muito promissor, muito técnico, jovem, ao seu tempo, as coisas se encaixarão para ele, com certeza.

Kazim pode deixar o Corinthians, a qualquer momento?

Ah, é uma pergunta muito vaga, né. Ele pode sair, se chegar uma oferta excepcional para ele, para o clube. Ele pode ficar, se não chegar nenhuma questão interessante. Está participando dos jogos, normalmente. Não participa da Libertadores por um aspecto que todos vocês já sabem(suspensão de cinco jogos). Então, está inserido normalmente dentro do contexto de trabalho do departamento de futebol.

Você foi vencedor como jogador. Como dirigente, é difícil ganhar um bicampeonato, mesmo que a base de trabalho mantida?

É difícil ser campeão. Bicampeão, então, é muito mais difícil ainda. As conquistas são bem difíceis, não tenha dúvida. Ano passado, foi um ano bem importante pelas conquistas que tivemos. Esse ano, é um ano de muito trabalho, mais ainda, do que o ano passado. É a afirmação para muitos profissionais. A gente espera que a gente consiga chegar aos nossos resultados. A gente sabe quais são eles, quais as dificuldades, os nossos desafios, mas chegar ao topo e levantar um caneco, a gente nunca consegue precisar.

No Paulista, o Corinthians é o primeiro do grupo A, com 17 pontos, e o terceiro na classificação geral. Na Libertadores da América, o time estreou com empate diante do Millonarios da Colômbia, em Bogotá.

 

 


Corinthians ganhou tudo na década. E o clube, onde vai parar?
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Alexandre Praetzel

É inegável que o Corinthians se renovou, após ser rebaixado para a Série B, em 2007. Vinha de grandes títulos na era Alberto Dualib, mas as conquistas esconderam todos os problemas financeiros e administrativos. Acabou caindo. Voltou para a Série A sem sustos e se planejou a partir de 2009, ganhando a Copa do Brasil. De 2011 a 2017, os resultados de campo são indiscutíveis. Três títulos brasileiros, uma Libertadores, um Mundial de Clubes, uma Recopa Sul-Americana e dois Paulistas. Mas, e o clube? Para onde vai?

Em fevereiro, haverá eleição à presidência com cinco candidatos. Alguns dizem que a situação financeira é caótica e dias difíceis virão pela frente. Apesar dos troféus, crescimento do Fiel torcedor, melhores cotas de TV, gordos patrocínios  e o novo estádio, o Corinthians está sempre com os cofres vazios. O presidente Roberto de Andrade chegou a dizer que sempre foi assim, com dificuldades. Isso é inexplicável.

Ora, já era para o Corinthians comandar as ações no futebol brasileiro. Construiu sua nova casa e ninguém sabe onde ela vai parar. A dívida já chega a R$ 2 bilhões, segundo relatos de conselheiros. Os mesmos que aprovaram a aventura capitaneada pelo ex-presidente Andrés Sanchez, tentando voltar ao poder. Seu grupo político “Renovação e Transparência” enfraqueceu com a dissidência de vários membros. Não houve Renovação e Transparência, apesar do nome pomposo.

Claro que um clube de futebol vive de títulos. Mas, a que preço? Em 2007, as páginas policiais foram tomadas pelo Corinthians, com o caso MSI. Hoje, se noticiam falta de marmitas, dívidas com vários empresários, atrasos de premiações, problemas nas categorias de base e outras pendências fora de campo. Alguns torcedores acham que isso é “anti-corintianismo”, como se todos estivessem contra. Mas são os mesmos que esquecem de olhar para dentro da própria instituição.

Ganhar é bom e faz a felicidade de todos. Mas dizer que só o que interessa é a bola, é um pensamento atrasado e ultrapassado. A nova gestão(ou com as velhas práticas) pegará uma equipe na Libertadores e bem situada. Pelo quadro que se pinta, pagará mais títulos, ao invés de ganhá-los. E isso também faz parte do futebol.


Ídolo da Ponte diz: grande oportunidade de ser campeã foi na “nossa época”
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Alexandre Praetzel

Em 117 anos de história, a Ponte Preta nunca conquistou um título. Tem a oportunidade de buscá-lo, de maneira improvável, domingo, fazendo 4 a 0 no Corinthians ou vencendo por 3 a 0 e depois também superando os rivais nas penalidades. O time eliminou Santos e Palmeiras, mas foi facilmente batido no primeiro jogo da final do Paulista, em Campinas. O blog entrevistou o ex-técnico e ex-jogador da Ponte, Marco Aurélio Moreira a respeito deste jejum histórico e as causas da ausência de conquistas pelo clube. Marco Aurélio era meia do grande time da década de 1970 e início de 80, três vezes vice-campeão paulista. Leiam abaixo.

Por que a Ponte Preta não consegue ser campeã?

“Todos os anos atrás, todas as oportunidades que teve em 1977, 1979, 1981. Em 77, não tinha a menor chance de ser campeão por tudo que se ouvia, por tudo que havia por trás, contra o Corinthians. E caiu tudo na conta do Rui Rei, que não tinha nada a ver com a história. Na verdade, faltou a definição de um jogo em Campinas e outro em São Paulo, fora tudo que aconteceu nos bastidores. Nosso time era melhor e seria campeão se não fossem circunstâncias diferentes. Em 79, também. Em 81, se houvesse dois jogos com o São Paulo, seríamos campeões. Na nossa época, faltou apoio extra-campo, jogos em Campinas e mais força com as arbitragens, que foram terríveis. Agora teve chance de jogar, mas ficou muito difícil com os 3 a 0. A grande oportunidade foi na nossa época”.

Os 117 anos sem títulos atrapalham muito?

“Eu acho que as coisas têm que se encaixar no momento certo. Contra o Palmeiras, fizeram tudo certo, mas contra o Corinthians não. Eu não vi o jogo, mas me falaram que jogou muito mal, na hora errada. Era o momento para equilibrar e ter uma chance. Infelizmente não deu certo. A cobrança da torcida é muito grande e isso influencia nos atletas, mas não podemos pensar só nisso. Faltam algumas coisas para que a Ponte possa chegar com confiança para ganhar. Não sei explicar o que é, mas vem batendo na trave, alguma coisa precisa ser feita”.

O que é preciso fazer?

“A Ponte precisa modificar muita coisa. Treinadores duram três, quatro meses na Ponte. Qualquer resultado ruim, tem pressão. O Felipe (filho de Marco Aurélio) foi um exemplo. Teve bom aproveitamento, mas depois de um mau resultado, tiraram o Felipe, covardemente. Foi a primeira vez que o grupo de jogadores se reuniu e pediu a contratação de um treinador. Nada contra o Gilson Kleina, mas é complicado. Acreditar mais e ter um profissionalismo maior. Investir um pouco mais. Quem está dirigindo, precisa colocar a cabeça no lugar. Qualquer tiro para cima, assusta todo mundo. Qualquer gritinho da torcida, mudam tudo. Se não há motivo para trocar, por que modificar? Numa hora que estava tudo certo, numa final, é difícil falar. Já aconteceu comigo em outras vezes. Falta mais amadurecimento da diretoria. Profissionalizar mais o clube e montar uma equipe melhor, dando suporte e trabalhando bastante”.

A sua geração conseguirá ver a Ponte campeã?

“Eu acredito em tudo. Tudo é difícil, mas não é impossível ganhar de 3 a 0. Se não for desta vez, segue o trabalho e corrige. A direção tem que traçar bem o caminho e insistir para que as coisas dêem certo”.

Marco Aurélio Moreira está com 65 anos. Comandou a Ponte Preta em cinco oportunidades. É pai de Felipe Moreira, treinador da Ponte, no início do ano, dispensado após a eliminação na Copa do Brasil para o Cuiabá-MT.

 

 


Grohe não esquece de Roger e prevê novas conquistas para o Grêmio em 2017
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Alexandre Praetzel

Marcelo Grohe é cria da base do Grêmio. Subiu ao profissional em 2005 e viveu o jejum de títulos nacionais, ora como titular, ora como integrante do grupo. Foi bicampeão gaúcho em 2006 e 2007 e campeão em 2010. Aos 29 anos, Marcelo curte a conquista da Copa do Brasil e acredita na volta natural dos grandes momentos tricolores, a partir de 2017. O goleiro conversou com o blog, com exclusividade. Acompanhem.

Significado do título da Copa do Brasil depois de 15 anos

“A ficha ainda está caindo! O jogo foi quarta-feira, então está tudo muito recente. O torcedor vinha machucado, queria uma conquista de expressão. Com certeza, significa muito. Isso já era possível dizer e sentir assim que o juiz apitou o final da partida. O Grêmio precisava dessa conquista por tudo o que representa para a sequência do trabalho”.

Conquista especial por sempre ter jogado no Grêmio

“Acho que tem um significado especial pelo momento que o clube atravessava. Tínhamos que retomar esse caminho das conquistas. Como eu estou no Grêmio há bastante tempo, vi de perto esse período sem títulos. Então, eu sei o que representa para o torcedor que vinha querendo isso. Venho atuando como titular desde 2014 e fiquei muito feliz com essa conquista”.

Volta natural aos grandes títulos

“Eu espero por isso. Nosso grupo está maduro e preparado para manter o nível de atuação que apresentamos nas fases decisivas da Copa do Brasil. Nossos enfrentamentos com Palmeiras, Cruzeiro e Atlético-MG mostram que temos condições de pensar em resultados positivos no futuro. Claro que é preciso ajustar algumas coisas, mas temos uma base que nos deixa confiantes”.

Permanência e projeção para 2017

“Espero um 2017 muito bom. Que a gente consiga manter esse ambiente positivo entre os gremistas. Meu contrato com o Grêmio vai até 2020 e agora quero curtir essa conquista importante em 2016. Espero que isso sirva de impulso para 2017”.

Importância de Renato na conquista

“Renato é um treinador que mantém o ambiente sempre muito positivo e com muita confiança. Acho que ele tem um peso importante, pela mobilização que trouxe em tão curto espaço de tempo e pela rapidez como transmitiu suas ideias táticas. Mas não podemos deixar de citar o bom trabalho que o Roger vinha desempenhando”.

Momento para destacar no título

“Eu cito dois momentos especiais para mim: a decisão por pênaltis contra o Atlético-PR e a defesa no primeiro tempo do jogo de ida da final, lá no Mineirão. Foram situações que poderiam ter mudado nossa trajetória na competição”.

Gol de Cazares na Arena

“Foi um belo gol. Eu cobrei a falta e estava voltando para o gol, mas o contra-ataque foi muito rápido. Aí entrou em cena a qualidade do Cazares, que pegou muito bem na bola e fez aquele golaço”.

Rebaixamento do Inter ajuda o Grêmio

“Esse é um tema delicado porque a rivalidade aqui no Rio Grande do Sul é muito grande. Posso falar da nossa conquista porque ela sim traz uma tranquilidade maior para todos”.

Marcelo Grohe tem mais de 300 jogos disputados pelo Grêmio.


Marcelo Oliveira chegou a mais uma decisão. Competência ou sorte?
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Alexandre Praetzel

Marcelo Oliveira está na quinta final da Copa do Brasil, nos últimos seis anos. Chegou com o Coritiba, em 2011 e 2012, perdendo para Vasco e Palmeiras. Foi vice também pelo Cruzeiro, em 2014, na derrota para o Atlético-MG e levantou o caneco com o Palmeiras, em 2015, batendo o Santos. Agora, leva o Galo à decisão contra o Grêmio. Além disso, foi bi brasileiro com o Cruzeiro, em 2013 e 2014. Um currículo invejável, recentemente.

Mesmo assim, ainda é contestado. Leio colegas de Minas Gerais e torcedores atleticanos reclamando da falta de padrão tático do time, vencendo jogos na base da qualidade de alguns jogadores em detrimento do coletivo. Vi um filme igual no Palmeiras e fui muito crítico também. As equipes de Marcelo marcam gols, são ofensivas, mas sofrem defensivamente, porque não há equilíbrio e conjunto entre os setores. Os desempenhos mostram isso, mas o treinador está lá de novo, brigando por um título, dirão seus defensores e o próprio Marcelo.

Assim, deixo a pergunta no ar. Marcelo tem competência ou sorte por sempre estar trabalhando com bons atletas?

Provavelmente, cada vez que surgir esta questão, Marcelo dirá: “Fui bicampeão brasileiro consecutivo com o Cruzeiro e disputei cinco finais de Copa do Brasil, em seis anos”. Para os técnicos e grande parte das torcidas, isso basta. Ganha e chega em decisões. Para a imprensa, é preciso também deixar um legado e apresentar um trabalho consistente, porque senão sempre ficaremos no “ganhou, está bom. Perdeu, está ruim”.

Marcelo Oliveira terá emprego o resto da vida pelo seu currículo, no futebol brasileiro. Isso ninguém tira dele. Agora, é possível sim, debater e discutir porque ganha e porque perde.


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