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Luverdense aposta em técnico feito na base para surpreender o Corinthians
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Alexandre Praetzel

O Luverdense-MT aposta num técnico jovem e desconhecido da maioria, para tentar eliminar o Corinthians, em dois jogos da terceira fase da Copa do Brasil. Trata-se de Odil Soares, 39 anos, prata da casa do clube. Odil treinou quatro times das categorias de base, até chegar ao profissional, nesta temporada. Em poucas palavras, Odil concedeu uma rápida entrevista ao blog, sobre o desafio de bater um gigante do futebol brasileiro. Acompanhem.

É impossível eliminar o Corinthians em dois jogos?

“Quando se tem trabalho, entrega, comprometimento e respeito ao adversário, existe uma chance de classificação”.

Qual a estratégia de jogo?

“Muita atenção. Fazer uma marcação forte e explorar bem os contra-ataques”.

Por que o jogo será em Cuiabá?

“Não tiramos o jogo de casa. Infelizmente, nosso estádio não corresponde às exigências da CBF. Arena Pantanal é um campo neutro, mas vamos tentar fazer um jogo competitivo”.

Qual a realidade financeira do Luverdense?

“O Luverdense é um clube auto-sustentável. Tem as contas em dia”.

Corinthians

“É o grande favorito. Tem uma equipe bem organizada taticamente e com atletas de alto nível”.

O Luverdense foi fundado em 2004 e está na sua sexta participação em Copa do Brasil. Em 2013, a equipe mato-grossense enfrentou o Corinthians, nas oitavas-de-final. Venceu por 1 a 0, em Lucas do Rio Verde-MT, e perdeu por 2 a 0, no Pacaembu. Em 2017, o time irá para sua quarta Série B do Brasileiro, consecutiva. O Luverdense costuma mandar seus jogos no Estádio Passo das Emas, com capacidade para dez mil pessoas.

 


Tite tem que vibrar com gol da Seleção Brasileira e vaga na Copa do Mundo
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Alexandre Praetzel

Defendo a tese de que o presidente de um clube de futebol deve chegar no carro oficial e subir à Tribuna de Honra para assistir aos jogos de seu time. É o cargo máximo de uma instituição e o comportamento deve ser adequado ao cargo que ocupa. Vejo e vi mandatários misturados aos boleiros e vindo nos ônibus das delegações, em partidas como mandantes. Acho um equívoco. Os funcionários devem saber quem comanda e respeitar a hierarquia.

Acho que vale o mesmo para o técnico da Seleção Brasileira. O responsável pelo principal cargo do futebol nacional  tem que ser independente, enquanto comandante do selecionado.

Conheço Tite há 22 anos e acompanhei seu surgimento e a carreira como treinador. Sempre pautou sua trajetória por princípios e tratamentos igualitários com atletas, companheiros de trabalho e imprensa. Mas, sábado, na Arena Corinthians, Tite errou. Deixou seu lado torcedor aflorar e se entregou à emoção e ovacão da torcida.

Acredito que não deveria ter passado pela massa corintiana e subido direto para um camarote da CBF ou Federação Paulista, na chegada ao estádio. Deixaria claro que ali estava um ídolo da história do Corinthians, mas hoje técnico da Seleção. Sem agrados e preferências, sabedor da função que exerce e sendo reverenciado justamente.

Não. Foi para o camarote do presidente Roberto de Andrade e ainda vibrou no gol da vitória corintiana, marcado por Jô. Foi muito torcedor e isso gera debate e controvérsia. O treinador da Seleção pode torcer por algum time? Eu acho que não. Neutralidade e independência precisam determinar o comando. Qualquer outra atitude pode abrir insinuações.  O lateral Fágner sofre críticas nas convocações, mesmo sendo bom jogador.

Usei este exemplo apenas para ilustrar algo que permeia a mente da maioria dos “torcedores”. Sempre foi assim e assim será. Mesmo com um grande profissional como Tite. Que também tem defeitos, como todo ser humano.

Num país onde se compara tudo e todos, imaginem Dunga fazendo a mesma coisa? Seria massacrado pela mídia e opinião pública. Fato.


Corinthians competitivo merece registro. Santos foi mal e decepciona
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Alexandre Praetzel

O Corinthians ganhou o segundo clássico no ano, novamente por 1 a 0. É justo destacar que o time de Fábio Carille foi superior ao Santos, na maior parte do jogo. Pressionou desde o início e obrigou o goleiro santista Vladimir a ser o melhor nome do primeiro tempo, com três defesas importantes.

Jadson começou como titular e mostrou que ainda precisa da forma física ideal. Maycon vai se firmando como uma realidade entre os titulares, jogando e marcando com qualidade. Na técnica, o Corinthians não arranca suspiros, nem entusiasma, mas a entrega e o comprometimento dos atletas, merecem registro. O Corinthians luta em todos os lances e corre mais de 90 minutos.

Ninguém imaginava que o Corinthians tivesse a melhor campanha do Paulista, após sete rodadas. Talvez, este nível sirva para brigar pelo título estadual, mas só esforço e raça não bastam para grandes conquistas, imagino. Destaco que o Corinthians foi inferior ao Palmeiras e venceu, mesmo com um homem a menos. Foi bem melhor do que o Santos e ganhou novamente. No resumo contra dois rivais, duas vitórias. Isso pode servir para Carille se firmar, num trabalho simples e dedicado.

No lado do Santos, pura decepção. Sempre gostei de ver o Santos jogar. Só que não dá para depender apenas de Renato, Lucas Lima e Ricardo Oliveira. É preciso saber competir sem os três. Com essas ausências, o Santos vira um time comum e foi muito mal contra o Corinthians. Não adianta encher o campo de atacantes e ficar sem criação. O Santos recheou o elenco, mas sofre sem jogo coletivo. Hoje estaria fora das quartas-de-final do Paulista. Sem dúvida, a grande decepção do futebol brasileiro, até o momento.

Agora, Dorival Jr. merece crédito. Precisa achar formações mais equilibradas, quando não tiver seus principais protagonistas. A semana será fundamental.


Vitórias com sofrimento. A realidade do Corinthians de hoje
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Alexandre Praetzel

A dramática classificação do Corinthians para a terceira fase da Copa do Brasil, expôs as carências do time. O Corinthians tem uma base coletiva forte, mas quando isso não funciona, o time sofre bastante. O Brusque abriu o campo e dificultou a marcação do Corinthians. O conjunto corintiano se descompactou e o Brusque conseguia neutralizar a posse de bola e recuperá-la a todo momento. Em vários momentos, o Corinthians correu atrás da bola e pagou o preço no segundo tempo, com uma equipe bastante desgastada e sem criatividade.

Se o Brusque fosse um pouco melhor e mais ousado, teria eliminado o Corinthians no tempo normal. O lado positivo fica pelas declarações dos corintianos, após a partida. Todos reconheceram que o confronto foi difícil e que o Corinthians precisa melhorar. Os 11 titulares determinam uma equipe razoável. Quando você passa a analisar o elenco, vê deficiências, sem dúvida.

Fábio Carille conhece o sistema de gestão do clube e sabe que o Corinthians não tem dinheiro para investir em reforços. Vai trabalhar dentro de uma realidade, onde o bom futebol pode passar longe da busca única por resultados. E assim será. O importante é vencer, sabendo que a conquista de um título dificilmente irá acontecer. Jadson será o referencial. Resta esperar se ele conseguirá liderar o grupo, carente de qualidades individuais, dentro e fora de campo. A realidade hoje é essa. Sofrimento para ganhar. Vamos ver como serão os confrontos diante do Luverdense-MT, um clube da Série B do Brasileiro.


Técnico do Brusque respeita, mas não tem medo de enfrentar o Corinthians
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Alexandre Praetzel

O Brusque trata o confronto com o Corinthians, pela Copa do Brasil, como histórico para o clube e cidade, no interior de Santa Catarina. O time, vice-líder do primeiro turno do Campeonato Catarinense, respeita muito o adversário, sem temê-lo, nas palavras de dirigentes e do técnico Pingo, ex-volante e meia do Botafogo, Cruzeiro, Grêmio, Flamengo e Corinthians. Aos 49 anos, Pingo concedeu entrevista exclusiva ao blog, esperando alcançar a classificação para a terceira fase, jogando futebol e mantendo a filosofia ofensiva da equipe. Leia abaixo.

Jogo

“Um jogo muito difícil. Enfrentar o Corinthians, uma equipe com destaque nacional e mundial, que vem bem no Paulista, com muita tradição”.

Como segurar o Corinthians

“Nós temos uma maneira de jogar. É uma equipe que joga ofensivamente com bastante posse de bola. A gente sabe que precisa ter muita coragem e acreditar. Não podemos ficar esperando. Respeitar não é ter medo. O time tem que jogar. Somos vice-líderes do catarinense, jogando desta maneira”.

Realidade do Brusque

“Em matéria de estrutura, estamos bem longe, mas é um clube bom, aqui em Santa Catarina. Há muito tempo tem acertado seus compromissos em dia, tem CT para treinamento. Temos uma folha salarial em torno de R$ 200 mil”.

Destaques do time

“Temos os atacantes Jonatan Belusso e Ricardo Lobo, mais o meia Leílson. Ainda tem Eliomar, revelação do clube, com 22 anos”.

Estádio Augusto Bauer

“O estádio é pequeno, mas nossa equipe gosta de tocar a bola. O gramado não está em excelentes condições, mas dá para jogar. Não vejo vantagem porque a torcida do Corinthians é muito grande”.

Campanha no Catarinense

“Assumi na terceira rodada do turno do catarinense. Foram cinco jogos, com quatro vitórias e uma derrota. Claro,  individualmente o Corinthians é superior, mas o futebol mudou muito. Temos a possibilidade de vencer o Corinthians. Não gosto de falar em percentuais, só que como falei, não podemos ter medo. O favorito é o Corinthians”.

Corinthians

“É um time que mudou um pouco. É um clube que ainda vai crescer. Disputa o Paulista, tem um elenco muito bom que vai se firmar com certeza. Jadson é um grande jogador, diferenciado, gosto muito dele como atleta. É um meia que faz a diferença, realmente”.

Premiação especial

“Temos conversado sobre isso. É um jogo histórico. Acho que deve ter uma premiação boa para o grupo. Tenho 28 jogadores, com sete vindos da base”.

O Brusque está com 15 pontos no primeiro turno do Campeonato Catarinense, cinco atrás do Avaí, campeão do turno. A equipe espera manter a boa campanha, lutando também pela conquista do segundo turno. O time manda seus jogos no estádio municipal Augusto Bauer, com capacidade para seis mil pessoas.

 


A quarta força tem a melhor campanha do Paulista
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Alexandre Praetzel

Desde que o Campeonato Paulista começou, o Corinthians foi mencionado como quarta força, entre os grandes times do torneio. Com metade da primeira fase finalizada, o Corinthians tem a melhor campanha com 15 pontos em 18 disputados.

Apesar dos números, vejo o Corinthians atrás dos rivais em qualidade individual e elenco. É uma equipe determinada e comprometida, com bom jogo coletivo, mas sem grandes atuações em nenhuma partida. Mérito para Fábio Carille, que montou um sistema defensivo forte, apostando sempre numa bola ou no erro do adversário, além de dar oportunidades para jovens que estão pedindo passagem.

Hoje, o Corinthians completo tem Cássio; Fágner, Balbuena, Pablo e Guilherme Arana; Gabriel, Maycon, Rodriguinho e Jadson; Jô(Marlone) e Kazim. Um time comum, comparando com anos anteriores do próprio clube.

Num campeonato curto, onde é possível ser campeão com 18 jogos, nem sempre o melhor vence. Por isso, o Corinthians pode sim ganhar o Paulista, chegando forte no mata-mata e contando com o eterno apoio do torcedor.

Agora, para competições mais qualificadas, como Copa do Brasil e Brasileiro, alguém acredita em título corintiano? Provavelmente, nem o presidente, que não enxergava o time fora da Libertadores e teve que se contentar com o sétimo lugar na Série A, em 2016.

 


Corinthians disputou um Dérbi. Palmeiras achou que ganharia quando quisesse
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Alexandre Praetzel

Acompanho futebol há 40 anos. Minha origem é o Rio Grande do Sul, onde vi e trabalhei em vários Grenais. Muitas vezes, dentro de campo, você percebia um time bem melhor no papel, tratando o jogo com mera formalidade, enquanto o adversário inferior “comia” grama. Nunca se brinca com um clássico. Serve para arrumar e desarrumar a casa.

Corinthians e Palmeiras foi um exemplo. O Palmeiras chegou ao estádio corintiano como favorito por ser o atual campeão brasileiro e ter um elenco superior. O Corinthians tem alguns bons nomes, mas está em reconstrução novamente, convivendo com dúvidas diárias da torcida e imprensa sobre a capacidade do grupo, além da crise política.

Jogo muito duro e disputado e com o erro crasso admitido pelo árbitro Thiago Peixoto ao expulsar o volante Gabriel, inocente na falta em Keno, cometida por Maycon. Neste instante parece que as coisas mudaram, no segundo tempo. O Corinthians voltou com mais pegada e disposição, enquanto o Palmeiras tocava de lado, mesmo com um homem a mais. A projeção era de um Palmeiras indo para cima, sufocando o Corinthians e vencendo novamente.

Mas a mística dos clássicos voltou. O Verdão se espalhou em campo e permitiu ao Corinthians, espaços para os contra-ataques. Não soube jogar com 11 contra dez, incrivelmente. E aí veio o gol da vitória. Típico de quem luta mais. Bola espirrada, após cruzamento na área corintiana e balão para a frente. Só Zé Roberto na defesa palmeirense e Guerra fazendo a cobertura. O venezuelano perdeu o combate para Maycon, que ainda levou sorte contra Zé, assistindo Jô para abrir o placar. Gol típico de clássicos, onde o inferior ganha na entrega durante os 90 minutos, enquanto o superior acha que pode vencer quando quiser. E Jô tinha recém entrado em campo.

Agora, o Palmeiras seguirá o seu debate interno, com jogadores defendendo Eduardo Baptista, criticado fortemente pela derrota, enquanto o Corinthians respira e se tranquiliza com Fábio Carille, valorizando a vitória diante de um adversário eterno. O Dérbi nunca dura apenas 90 minutos, apesar de não ter decidido nada, mas serve para tumultuar ou acalmar ambientes. Sempre foi assim. Por isso, nunca brinquem em clássicos. Joguem sempre para vencer, independentemente da qualidade das equipes.


Tuma Jr. vê Corinthians em situação grave e impeachment como bom senso
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Alexandre Praetzel

Os Conselheiros do Corinthians definem, nesta segunda-feira, se o Presidente Roberto de Andrade deve sofrer processo de impeachment no clube. Roberto foi denunciado no Conselho de Ética por ter assinado documentos como presidente, antes de tomar posse como mandatário. A denúncia foi acolhida pelo presidente do Conselho, Guilherme Strenger, e vai à votação. São 344 conselheiros votantes, mas é possível que nem todos compareçam à sessão. A votação é fechada e para ser aprovada, precisa de metade dos conselheiros votantes mais um, passando à assembléia geral dos sócios. O blog entrevistou Romeu Tuma Jr., conselheiro de oposição e favorável ao impeachment. Acompanhem.

Admissibilidade do impeachment passa no Conselho Deliberativo?

“Se prevalecer o bom senso e o interesse institucional do clube no voto dos Conselheiros, tenho certeza que sim. Aliás, é importante deixar claro que o Conselho só vota a admissibilidade do afastamento, pois quem decide nessa hipótese, são os sócios. Nosso sistema é bem democrático, caberá a quem elegeu o presidente, decidir se ele deve ou não continuar”.

Concordas que o Clube ficará vulnerável com impeachment?

“É evidente que não, se você está vivenciando um problema atrás do outro. Constatando uma irregularidade sendo cometida a cada dia, fazendo com que o clube só produza noticiário negativo, gerando afastamento de potenciais patrocinadores, além de ficar exposto a inúmeras sanções no âmbito administrativo e legal, quer pela CVM, Receita Federal, Polícia e APFUT, como cruzar os braços e fingir que está tudo bem? Mais do que isso, pela legislação, os órgãos de controle e fiscalização interna(Conselho Deliberativo, Cori e Conselho Fiscal) têm obrigação de agir sob pena de respondermos pessoalmente pelos prejuízos causados pelos dirigentes à instituição Corinthians. Por isso, é justamente o contrário, ou seja, o clube está vulnerável e se não passar o impeachment, estaremos provando que os órgãos de controle não funcionaram ou foram coniventes”.

Com impeachment, quem será o melhor nome para assumir o Corinthians?

“Não se pode pensar em nomes, antes de se conscientizar que é preciso mudar o modelo de gestão que hoje impera no clube. Esse modelo de compadrio, toma lá-dá cá, falta de transparência e governança, é um modelo falido, um projeto de poder que prioriza interesses pessoais e de grupelhos. A sociedade e os sócios não aceitam mais esse tipo de Administração. Você tem que ter uma gestão compartilhada com os administrados, com Compliance, com trabalho em equipe, onde nomes de reconhecida competência e conhecimento específico das áreas, sejam os gestores. O Presidente deve apenas ser um comandante de um projeto de gestão que abarque os interesses maiores da coletividade corintiana e tenha capacidade de dialogar com todas as correntes que fazem do Corinthians, essa potência que é. Nome não é tão importante, o que importa é o modelo, é a gestão em equipe, é o compromisso com uma prática legalista, transparente e absolutamente calcada no espírito de servir ao clube e não dele se servir”.

Um impeachment abala o futebol ou não tem relação?

“O que abala o futebol e o próprio clube são os atos de gestão temerária e a total omissão do Presidente. O que abala o futebol é atraso de salários, bate cabeça em contratações e administração paralela, exercida por empresários. A partir do momento que isso se encerrar com afastamento do Presidente, você terá uma gestão calcada na legalidade, que dará segurança a todos os seguimentos e departamentos do clube. Até os investidores voltarão a ter interesse na nossa marca”.

Situação do Clube, institucionalmente

“É periclitante. Estamos efetivamente diante de uma situação muito grave com sérios riscos de punições, que trarão prejuízos imensuráveis. Mas de outro lado, como prevê a legislação, tudo isso pode ser evitado ou ao menos amenizado, se o Conselho Deliberativo agir como manda a Lei, ou seja, responsabilizando os dirigentes que causaram danos ao clube. A questão não é política, é legal, regimental, de ordem institucional, pelo bem do clube, de seus sócios e torcedores. Quem falar diferentemente disso, está fazendo proselitismo político ou por interesses pessoais”.

Caso o impeachment seja admitido pelo Conselho e assembléia geral de sócios, o vice-presidente André Luiz Oliveira assume por 30 dias e convoca eleição à Presidência, apenas com votação entre os conselheiros, para definir um novo presidente com mandato-tampão, até fevereiro de 2018.


Adauto elogia Carille, explica perda de Pottker e vê time com qualidade
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Alexandre Praetzel

O Corinthians terá um ano interessante, na visão do diretor de futebol, Flávio Adauto. Em entrevista exclusiva ao blog, o dirigente projetou um bom trabalho de Fábio Carille, a chegada de reforços pontuais e explicou o caso William Pottker, bastante criticado pela torcida, além de confiar na permanência de Roberto de Andrade como presidente do clube. Leia abaixo.

Início de temporada

“Vejo dentro do esperado. Um time que deverá alternar ainda alguns bons momentos com momentos de falta de equilíbrio. Uma equipe que está sendo reconstruída, outra vez pode parecer um velho chavão, pode parecer uma conversa mole, mas não é não. Um time que se reconstruiu e se reestruturou duas vezes, ano passado e em 2016. Em 2017, você começa praticamente tudo de novo. São oito peças novas, muitas mantidas que não vinham tendo grande rendimento também. Um começo com Flórida Cup razoável, um início de Campeonato Paulista também razoável. O mesmo se pode dizer em relação à estréia na Copa do Brasil, mas a expectativa nossa é positiva. Nós temos bons jogadores. Vários jogadores que ainda podem estrear e podem ser muito importantes na história do Corinthians”.

Corinthians é a quarta força do Paulista?

“Não. Você vai ver a quarta força com o campeonato em andamento. Pode ser terceira, segunda, pode ser primeira. Eu já vi muitas primeiras forças no futebol brasileiro, caindo e despencando. Uma tradicionalíssima força, por exemplo, é o Internacional. Todo ano começa como primeira força e terminou como décima-sétima, décima-oitava. Hoje, você tem equipes mais estruturadas, mais tarimbadas do que o Corinthians, e talvez até em estágio melhor, como o Santos, eu diria, que é uma equipe que tem um equilíbrio maior. Mas não é quarta força não e compete a nós provar que não somos a quarta força”.

Projeção de reforços para o Brasileiro

“Pontualmente, se aparecer alguma coisa, a gente não vai fechar os olhos, não. A gente tem a expectativa que este grupo renda o suficiente, mas dizer em fevereiro, que o que temos aí já está pronto para chegarmos até dezembro, é muita pretensão, até. Seria positivo demais se não precisássemos de mais ninguém, mas fatalmente a gente vai precisar de alguns contornos para ter uma obra final e estes contornos deverão vir ao longo do Campeonato Paulista, conjuntamente ou simultaneamente com os jogos da Copa do Brasil e você tem até maio para ter esta base que a gente pretende ter de um time bem mais forte que o ano passado”.

Potkker foi fiasco para o Corinthians?

“Quem não sabe da história, analisa assim. Quem se precipita, erra. Quem fala, se engana. Caso Potkker é rápido de dizer. O Corinthians aceitou uma proposta dos agentes do jogador, ofereceu uma quantia bastante elevada pelos 50%, acertou com o atleta através dos agentes e fechou-se o seguinte: o Corinthians tem 50% do jogador. Os outros 50% é problema do agente com a Ponte Preta, não é problema nosso. Nós estamos comprando uma parcela do jogador, com preço fechado, com salário acertado, com quatro anos de contrato definidos. Os dirigentes da Ponte se apressaram e disseram que estava fechado. Nós dissemos que enquanto não tiver assinado, não está fechado. Entregamos e vamos entregar sempre desta forma, o que eu vou te falar agora, tudo para o departamento jurídico resolver. A nossa parte é essa, agora tratem com os agentes do jogador. Não houve condição porque a prática do Corinthians não se adequava à prática dos empresários e agentes tentaram colocar. Para complicar, porque poderíamos negociar mais uns dois ou três dias e chegarmos até um acordo, não chegamos porque eles teimaram e não acreditaram que nós desistiríamos no caso dele jogar a Copa do Brasil. Isso ficou claro e patente para os responsáveis pelo jogador, aqueles que tutelam para o jogador, desde o início da sua carreira. Como não cumpriram um pedido nosso de que não poderia jogar e não chegou-se a um acordo jurídico porque as bases e as condições para serem colocadas no contrato não são as praticadas pelo Corinthians, chegou-se a um ponto final de forma negativa. Lamento porque acho um bom jogador, quem sabe até no futuro. Mas neste momento, quem falar diferentemente disso, está mentindo e está errando”.

Nico López foi tentado?

“Não. Hoje eu dei muita risada. Disseram que não só estávamos contratando como estávamos colocando cinco jogadores à disposição. Surgem algumas coisas que a gente não sabe do nada. Desde que eu assumi há quatro meses, vivo o futebol há 50 anos, vivo o Corinthians há seis décadas quase. Então, neste período que a gente está lá, apareceram exatamente entre 70 e 80 nomes. Plantam informações, semeiam jogadores, os meios de comunicação entram nessa semeadura, os empresários fazem a festa porque colocam nomes dos seus clientes em evidência, só que o Corinthians não sabe de nada. Hoje mesmo, o Alessandro deu uma gargalhada, eu dei outra. A não ser que alguém esteja contratando, sem que nós saibamos”.

Preocupa tirar dinheiro do futebol para pagar o estádio?

“Se tirar dinheiro do futebol, constantemente, preocupa sim. Houve um fato isolado, num momento isolado, que eu acredito que dificilmente vai se repetir e o Corinthians está fazendo uma renegociação da dívida para prorrogar o prazo e diminuir a prestação mensal e certamente o Corinthians vai dar conta desta missão, sim. O Corinthians é grande demais para temer que vai ter prejuízos constantes. Não vai ter não. Isso está sendo solucionado”.

Processo de impeachment do Presidente

“Preocupado eu não diria. A gente fica temeroso, fica triste com uma situação como essa. O Corinthians não precisaria passar por isso. As explicações todas foram dadas, o Corinthians não teve nenhum prejuízo em relação às decisões tomadas pelo Roberto e agora o Conselho vai decidir. É difícil você querer imaginar o que vai acontecer. Eu, particularmente, acredito que não vai vingar o impeachment e o Roberto vai fazer o seu mandato, até o final”.

Fábio Carille

“Um técnico que tem vivência no Corinthians, conhecimento das coisas do Corinthians, passou por grandes técnicos como Mano Menezes e Tite, principalmente. Para mim, dois dos melhores técnicos do país. Assimilou muita coisa e eu tenho visto no dia-a-dia. Ele está solto, não está preso, amarrado, na conversa com os jogadores, no vestiário, na entrada em campo, na hora de botar o time para jogar. Eu estou sentindo que ele é um técnico bastante promissor e eu acho que o Corinthians vai acertar em tê-lo mantido”.

Time Sub-23

“É outra coisa que nem existe porque a Federação pensa, a CBF imagina. Quando nos perguntaram, eu gostaria de ver um time Sub-23 para você aproveitar jogadores que normalmente ficam parados. Fim de semana, ficam em casa. Como tinham os aspirantes, antigamente. Eu acho que seria importante ter o Sub-23, mas não é uma decisão tomada. É uma decisão apenas pensada pelo Corinthians. Isso tem que ser decidido pela Federação, no caso do Sub-23 ser regionalizado. Ou pela CBF, em caso dele ser em termos nacionais. Então, um fato que nem existe, em se tratando de Corinthians, isso só foi pensado em ter uma categoria Sub-23, que nem sabemos se vai vingar”.

Flávio Adauto é conselheiro vitalício, mas não poderá votar a favor do presidente Roberto de Andrade porque ocupa cargo de diretoria. Se o Roberto for cassado no conselho, dia 20, o vice-presidente André Luiz Oliveira assume a presidência e convoca novas eleições para um mandato-tampão, até fevereiro de 2018.


Técnico da Caldense lembra de Guardiola para passar pelo Corinthians
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Alexandre Praetzel

Thiago Oliveira (à esq.) jogou com Guardiola. Imagem: Arquivo Pessoal

Thiago Oliveira (à esq.) jogou com Guardiola no Al Ahly. Imagem: Arquivo Pessoal

A Caldense sonha com a vitória contra o Corinthians, nesta quarta-feira, em jogo único pela primeira fase da Copa do Brasil. O time mineiro precisa vencer. O empate beneficia o Corinthians, pelo regulamento do torneio. O blog entrevistou Thiago Oliveira, técnico da Caldense e ex-jogador revelado pelo São Paulo, em 2000. Oliveira falou sobre o desafio diante da equipe paulista e a passagem com Guardiola, como companheiro no Al Ahly do Qatar e discípulo como treinador. Leia a entrevista exclusiva abaixo.

Caldense

“É uma equipe modesta em termos financeiros. Não temos a estrutura física de um Corinthians, São Paulo, mas é uma equipe muito batalhadora, que nunca se entrega, haja visto o resultado de sábado no Mineiro, onde nós enfrentamos uma das equipes que mais investiu e lutamos pela vitória até o final. Na quarta-feira, verão uma equipe que vai lutar, se entregar em busca deste sonho que é a classificação. Favorito é o Corinthians, pelo investimento, marca grandiosa, mas nós temos a oportunidade de fazer história. A gente sabe tudo que o jogo representa. Temos o sonho de eliminar um grande adversário, com luta e entrega”.

Regulamento

“Claro que o empate favorece o Corinthians, então fica mais difícil para nós. Mas jogamos em casa com o apoio do nosso torcedor e temos um time guerreiro, que luta os 90 minutos. O jogo chamará a atenção de todos em Poços de Caldas. Sabemos das dificuldades. O Carille está começando no cenário do futebol brasileiro e torço por ele porque é jovem, igual a mim. Os jovens estão buscando espaço. Acredito muito na minha equipe”.

 

Destaques do time

“Conseguimos trazer alguns jogadores que foram vice-campeões mineiros, no ano passado contra o Atlético. Trouxemos os atacantes Cristiano e Luiz Eduardo, que foram destaques. O Zambi, que atua pela beirada. Temos sete nomes daquele elenco. Já é uma base muito boa. Um jogador do Corinthians paga toda nossa folha salarial, mas é um time muito guerreiro. É o jogo das nossas vidas. Eu como treinador e os jogadores também”.

Estádio Ronaldão

“A capacidade é de 7.500 torcedores. O estádio será dividido. Parte coberta para a torcida da Caldense. Já estamos convivendo com a expectativa deste jogo. Vai ser uma festa linda. Tomara que ocorra tudo bem e seja um espetáculo bonito na arquibancada”.

Guardiola

“Tive uma passagem há dois anos, em Doha, no Qatar, acompanhando os treinos do Bayern Munique. Fiquei duas semanas com ele. Aprendi muito com ele. Quem já jogou com ele e o conhece, ele já orientava bastante os jogadores. Eu como atleta, aprendi coisas absurdas com ele. Ele de volante e eu de atacante e ele me ensinando posicionamento no Al-Ahly. Destaco ele e o Rogério Ceni, que também é um cara acima da média. Guardiola me deu um conselho que você tem que trabalhar e se adaptar muito ao clube que você está, com os jogadores que você têm, de acordo com o orçamento que você tem. Eu tive isso no Batatais na Série A2 do Paulista, em 2016, com mentalidade de jogar com o pensamento do clube. Além dos treinamentos, da idéia tática, foi uma experiência única em termos de interação entre os membros de comissão técncia. No Brasil, vejo muita distância entre técnicos e jogadores, mas isso não existe com Guardiola. Tento implantar muita coisa que eu aprendi com ele. Ele sabe gerenciar um grupo”.

A Caldense também disputa o Campeonato Mineiro. Em dois jogos, conseguiu uma vitória e uma derrota. Está em sexto lugar com três pontos.