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Roberto de Andrade: “Carille é o meu técnico até o final da gestão”
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Alexandre Praetzel

O Corinthians está na final do Campeonato Paulista para enfrentar a Ponte Preta, em duas partidas. O time chega à decisão com um esquema tático baseado no conjunto e na força defensiva, trabalho determinado pelo técnico Fábio Carille. O blog entrevistou o presidente Roberto de Andrade, que garantiu Carille até o final da sua gestão, em fevereiro de 2018, e ainda previu Campinas e Itaquera, como locais das partidas. Acompanhem abaixo.

O Corinthians mereceu chegar na final?

“Muito merecido. Não é pouco não. Jogou, ganhou dentro de campo, se empenhou, mostrou, jogou com grandes. Não foi jogo fácil, nenhum jogo foi fácil, jogamos no Morumbi, enfrentamos o São Paulo no nosso estádio, tem um grande time, as dificuldades são imensas. Mesmo ao longo do campeonato, todo mundo sabe, o Paulista é dificílimo de jogar, basta ver que nos últimos anos, um time do interior chegou sempre na final, até conquistando título. Então, acho muito merecido”.

Decisão em Campinas e na Arena do Corinthians?

“É isso aí. Se tudo correr normal, é assim que tem que ser”.

Como o Sr. analisa o time da Ponte Preta?

“Vejo forte. É um time forte, muito difícil de jogar. Vocês viram o jogo com o Palmeiras. O Palmeiras ficou pratimente 50, 60 minutos com a bola no pé e não conseguia furar aquela defesa da Ponte. É um jogo bem difícil. Então, não dá para falar que a Ponte é favorita, nem o Corinthians. É um jogo que nós temos que esperar e ver o que vai acontecer, mas é difícil”.

A aposta no Fábio Carille foi certeira?

“Acho que sim. Acho que vem fazendo um bom trabalho. O grupo assimilou bem tudo o que ele quer, tudo o que ele pede. Os resultados estão aparecendo. Isso ajuda também, né. Isso deixa o treinador com um pouco mais de tranquilidade para trabalhar e o elenco também. Estou muito contente”.

O título paulista fortalece a sua gestão, por ser no último ano?

“Não precisa de título para fortalecer gestão nenhuma. Independentemente disso, aquilo que estou fazendo pelo Corinthians, tenho convicção de que é o melhor para o Corinthians. Se vier um título, óbvio que é melhor. Nós já temos um Brasileiro na minha gestão. Se vier um Paulista, será muito bem-vindo”.

Carille é o seu treinador até o final da sua gestão?

“É. Meu treinador até o final da gestão”.

Houve muito prejuízo com a eliminação na Copa do Brasil?

“Não é muito representativo financeiramente, a não ser que você seja campeão, aí você tem um prêmio. Pensando de outra forma, qualquer dinheiro é bem-vindo. Como terá o dinheiro do Paulista, acaba tendo uma compensação. Eu acho quer perder, nunca é bom. Nunca ninguém quer, mas não dá para ganhar tudo. Infelizmente, não conseguimos passar nos pênaltis e estamos fora, mas estamos na final do Paulista”.

Roberto de Andrade tem mandato até o final de fevereiro de 2018. Além de estar na decisão do Paulista, o Corinthians ainda disputa a Copa Sul-Americana e terá o Brasileiro, a partir de 13 maio.


R. de Andrade diz que “seria legal pegar a Ponte” e já estuda reforços
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Alexandre Praetzel

O Corinthians pode ser Campeão Paulista, sem apresentar um futebol brilhante, mas simples e eficiente. A vitória de 2 a 0 sobre o São Paulo, deixou o time próximo de mais uma decisão estadual. O blog conversou com o presidente Roberto de Andrade, sobre a possibilidade de mais uma conquista, no último ano de gestão, um possível confronto com a Ponte Preta, 40 anos depois, e a projeção para o Campeonato Brasileiro, competição em que acredita que o time precisa contratar dois ou três reforços para fortalecer o elenco. Leia abaixo.

Como o Sr. define o time do Corinthians hoje?

“Eu não tenho uma definição própria. Eu vou muito atrás do que vocês falam. Vocês dizem que é a quarta força e eu acredito que é a quarta força. Então, vamos aguardar. Estamos aí, trabalhando, brigando, somos a quarta força”.

O Sr. acha que o time está pronto para ser campeão ou ainda é cedo para falar isso?

“É muito cedo. Foi apenas o primeiro jogo contra o São Paulo, tem o jogo de volta, São Paulo é um grande time. Como nós ganhamos no Morumbi, o São Paulo pode muito bem ganhar no nosso estádio. Então, pés no chão, vamos trabalhar. Acredito que demos um passo importante, mas vamos aguardar o segundo jogo”.

Inter será mais difícil que o São Paulo, nesta quarta-feira, pela Copa do Brasil?

“Não sei fazer uma análise. Acho que os dois jogos serão difíceis, tanto Inter, quanto São Paulo no domingo. Eu acho que se o Corinthians repetir as últimas duas atuações, vai ser difícil tirar o Corinthians das duas competições. Vamos aguardar”.

O Sr. ficará satisfeito se o Corinthians for campeão com o futebol atual, apresentado pela equipe?

“Lógico. O título é o objetivo de qualquer clube e o nosso não é diferente. Acho que é um clube que vem num crescente, a cada jogo, os atletas estão se dedicando bastante, trabalhando muito. Eu acho que nós estamos no caminho certo”.

A final será Corinthians e Ponte Preta pelas vantagens dos primeiros jogos?

“É um bom caminho, mas no futebol já vimos de tudo. Então, é bom sempre ficar com os pés no chão, aguardando. As vitórias de Corinthians e Ponte Preta foram muito boas, mas em se tratando do Palmeiras, que é um grande time, pode fazer três gols também. Tudo pode”.

Seria legal enfrentar a Ponte Preta, 40 anos depois da histórica decisão de 1977?

“77 foi o título mais importante que eu vi. Estava no estádio, com 17 anos. Nunca tinha visto o Corinthians ser campeão. Mexeu com todos os corintianos e até hoje é o título mais importante para mim. Pelo simbolismo, seria legal porque estaríamos comemorando os 40 anos do título, seria muito legal. Mas enfrentar a Ponte seria muito difícil, jogar em Campinas é super complicado, não é brincadeira. Tem o lado positivo para a Ponte também. Esperar 40 anos para uma grande revanche, nunca foi campeã paulista. Seria uma festa legal”.

Qual a projeção que o Sr. faz para o Campeonato Brasileiro?

“Acredito eu, a nossa ideia é trazer mais dois ou três jogadores, para deixar o elenco mais forte. Acabando o Paulista, a gente vai se dedicar nisso também, para deixar o time mais forte no Brasileiro. O Brasileiro sempre é difícil. Esse ano, a gente está vendo aí quatro, cinco, meia dúzia de clubes, e queremos estar dentro desse grupo, que tem chance de conquistar o título. Então, nós vamos nos preparar para isso”.

O seu vice-presidente André Olíveira divulgou vídeos onde afirma que está de olho em todo mundo e que sabe quem se aproveitou do clube. O que o Sr. acha sobre isso?

“Acho que você tem que perguntar para ele, porque eu também não sei. Eu li a matéria, me encontrei com ele no jogo, mas não perguntei a ele e nem sei o que ele quis dizer. Conheço o André. A gente sabe que ele gosta de provocar os adversários. Estamos num ano político, não podemos esquecer isso no Corinthians. Então, deve ser mais um fato relacionado à política”.

Roberto de Andrade termina seu mandato, em fevereiro de 2018. O Corinthians foi campeão brasileiro em 2015, mas viveu um 2016 complicado. Em 2017, Roberto escapou de um processo de impeachment no Conselho Deliberativo, em fevereiro.

 


Tuma Jr. vê Corinthians em situação grave e impeachment como bom senso
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Alexandre Praetzel

Os Conselheiros do Corinthians definem, nesta segunda-feira, se o Presidente Roberto de Andrade deve sofrer processo de impeachment no clube. Roberto foi denunciado no Conselho de Ética por ter assinado documentos como presidente, antes de tomar posse como mandatário. A denúncia foi acolhida pelo presidente do Conselho, Guilherme Strenger, e vai à votação. São 344 conselheiros votantes, mas é possível que nem todos compareçam à sessão. A votação é fechada e para ser aprovada, precisa de metade dos conselheiros votantes mais um, passando à assembléia geral dos sócios. O blog entrevistou Romeu Tuma Jr., conselheiro de oposição e favorável ao impeachment. Acompanhem.

Admissibilidade do impeachment passa no Conselho Deliberativo?

“Se prevalecer o bom senso e o interesse institucional do clube no voto dos Conselheiros, tenho certeza que sim. Aliás, é importante deixar claro que o Conselho só vota a admissibilidade do afastamento, pois quem decide nessa hipótese, são os sócios. Nosso sistema é bem democrático, caberá a quem elegeu o presidente, decidir se ele deve ou não continuar”.

Concordas que o Clube ficará vulnerável com impeachment?

“É evidente que não, se você está vivenciando um problema atrás do outro. Constatando uma irregularidade sendo cometida a cada dia, fazendo com que o clube só produza noticiário negativo, gerando afastamento de potenciais patrocinadores, além de ficar exposto a inúmeras sanções no âmbito administrativo e legal, quer pela CVM, Receita Federal, Polícia e APFUT, como cruzar os braços e fingir que está tudo bem? Mais do que isso, pela legislação, os órgãos de controle e fiscalização interna(Conselho Deliberativo, Cori e Conselho Fiscal) têm obrigação de agir sob pena de respondermos pessoalmente pelos prejuízos causados pelos dirigentes à instituição Corinthians. Por isso, é justamente o contrário, ou seja, o clube está vulnerável e se não passar o impeachment, estaremos provando que os órgãos de controle não funcionaram ou foram coniventes”.

Com impeachment, quem será o melhor nome para assumir o Corinthians?

“Não se pode pensar em nomes, antes de se conscientizar que é preciso mudar o modelo de gestão que hoje impera no clube. Esse modelo de compadrio, toma lá-dá cá, falta de transparência e governança, é um modelo falido, um projeto de poder que prioriza interesses pessoais e de grupelhos. A sociedade e os sócios não aceitam mais esse tipo de Administração. Você tem que ter uma gestão compartilhada com os administrados, com Compliance, com trabalho em equipe, onde nomes de reconhecida competência e conhecimento específico das áreas, sejam os gestores. O Presidente deve apenas ser um comandante de um projeto de gestão que abarque os interesses maiores da coletividade corintiana e tenha capacidade de dialogar com todas as correntes que fazem do Corinthians, essa potência que é. Nome não é tão importante, o que importa é o modelo, é a gestão em equipe, é o compromisso com uma prática legalista, transparente e absolutamente calcada no espírito de servir ao clube e não dele se servir”.

Um impeachment abala o futebol ou não tem relação?

“O que abala o futebol e o próprio clube são os atos de gestão temerária e a total omissão do Presidente. O que abala o futebol é atraso de salários, bate cabeça em contratações e administração paralela, exercida por empresários. A partir do momento que isso se encerrar com afastamento do Presidente, você terá uma gestão calcada na legalidade, que dará segurança a todos os seguimentos e departamentos do clube. Até os investidores voltarão a ter interesse na nossa marca”.

Situação do Clube, institucionalmente

“É periclitante. Estamos efetivamente diante de uma situação muito grave com sérios riscos de punições, que trarão prejuízos imensuráveis. Mas de outro lado, como prevê a legislação, tudo isso pode ser evitado ou ao menos amenizado, se o Conselho Deliberativo agir como manda a Lei, ou seja, responsabilizando os dirigentes que causaram danos ao clube. A questão não é política, é legal, regimental, de ordem institucional, pelo bem do clube, de seus sócios e torcedores. Quem falar diferentemente disso, está fazendo proselitismo político ou por interesses pessoais”.

Caso o impeachment seja admitido pelo Conselho e assembléia geral de sócios, o vice-presidente André Luiz Oliveira assume por 30 dias e convoca eleição à Presidência, apenas com votação entre os conselheiros, para definir um novo presidente com mandato-tampão, até fevereiro de 2018.


Red Bull Brasil mira parceiro alemão e espera crescer no Paulistão
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Alexandre Praetzel

O Campeonato Paulista começa no próximo fim de semana e pode apresentar surpresas na competição mais uma vez. O Red Bull Brasil vai para sua terceira disputa consecutiva e espera chegar nas quartas de final novamente. Nos anos anteriores, parou em Corinthians e São Paulo. O blog entrevistou Thiago Scuro, novo CEO(Chief Executive Officer) do clube e responsável pela gestão. O dirigente espera crescimento da equipe e fala sobre o parceiro alemão, grande surpresa do futebol europeu nesta temporada. Acompanhem.

CEO num clube de futebol no Brasil

“Acredito que não. Alguns clubes já adotaram uma função de liderança. No caso do Red Bull Brasil, minha responsabilidade é liderar a operação do futebol, estabelecer planejamento, orçamento, metas e diretrizes para o desenvolvimento do clube em busca de nossas metas. Nosso objetivo é trabalhar de forma muito intensa o crescimento do nível técnico do Red Bull Brasil. Sonhamos alto e precisamos estar preparados em todos os níveis”.

Red Bull Leipzig é referência

“Sem dúvida nenhuma, a história do RB Leipzig é muito inspiradora. Assim como o RB Brasil, nasceu das divisões mais baixas e hoje é um protagonista na Bundesliga. Vamos utilizar esta história como inspiração, mas sabemos que precisamos construir a nossa. Nosso plano é buscar o crescimento em nível nacional nos próximos anos e posicionar o RB Brasil como um dos principais clubes formadores de jovens talentos na América do Sul”.

Projeção para o Paulista

“Sabemos da dificuldade do Paulistão e estamos trabalhando a preparação da equipe de forma muito cuidadosa. Acreditamos na qualidade das pessoas envolvidas no trabalho da equipe profissional e por isso esperamos mais uma campanha de destaque e cada vez mais consolidar o RB Brasil como uma equipe da Série A1, em São Paulo”.

Alberto Valentim como técnico

“O clube viveu um ciclo de três anos com muito sucesso com Maurício Barbieri e isso deixou muitas coisas positivas no trabalho técnico. Para dar sequência ao desenvolvimento, precisávamos de um profissional com conhecimento, experiência e com a ambição de construir uma história vencedora. O Alberto reúne esses atributos de uma forma muito interessante e essa qualidade já sido traduzida em trabalho na preparação da equipe para o Paulistão. Acreditamos que o Alberto é parte importante do início de um novo ciclo na história do clube”.

Como define o time?

“Um equipe equilibrada. Temos jovens atletas com muito potencial e atletas mais experientes que sabem da importância do clube e competições que temos pela frente. Acreditamos que esse equilíbrio gera bons frutos para o trabalho. Além disso, iniciamos o ano já sabendo da vaga na Série D do Brasileiro. Com isso, estamos tendo a oportunidade de fazer contratos mais longos com os atletas e ter a construção da equipe mais sólida para o futuro”.

Saída do Cruzeiro

“Foi uma decisão difícil e uma opção de carreira. Nunca busquei visibilidade, status ou coisas do gênero. O que me encanta e motiva é o trabalho profissional, organizado e com projeção clara de evolução das instituições, através de um projeto técnico. Saí em busca deste espaço. Mas agradeço muito a oportunidade que tive. Foi uma experiência muito positiva em vários sentidos e será eternamente um privilégio ter trabalhado num clube da grandeza do Cruzeiro”.

Modelo de gestão faliu no futebol brasileiro?

“Essa é uma discussão longa e profunda. De qualquer forma, acredito que está evidente que o modelo atual não é saudável, a partir do momento que os clubes estão se endividando sistematicamente e o interesse do público pelo futebol, caindo. São sinais claros de que precisamos buscar um outro modelo. Na minha visão, precisamos de de regulamentações mais duras no controle dos clubes, limites de contratações e atletas inscritos, janelas de transferências mais restritas e mais fiscalização e punição sobre os clubes que não cumprem seus compromissos financeiros com o Estado, atletas, profissionais, clubes e agentes. É uma indústria que, mesmo em tempos de crise, consegue crescer em faturamento e mesmo assim segue endividada. A criação dos regulamentos de licenças da CBF, modernizações das competições da Federação Paulista de Futebol, Profut, APFUT, enfim, já vejo alguns exemplos de movimentos que, se fortalecidos, criarão a obrigação de clubes mais organizados e saudáveis em todos os níveis”.

O Red Bull Brasil está no grupo C do Paulista com São Paulo, Ferroviária e Linense. A estréia será dia 5 de fevereiro contra o Mirassol, fora de casa.

 


Tinga agradece Cruzeiro por chance e relembra racismo sofrido na rua
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Alexandre Praetzel

Paulo César Tinga encerrou a carreira de jogador em 2015 e preparou-se para assumir um cargo executivo em um clube de futebol. O Cruzeiro, seu último time, apostou nos seus estudos e postura, transformando-o em gerente de futebol. No dia em que completa 39 anos, Tinga conversou com o blog com exclusividade sobre o novo desafio na diretoria do Cruzeiro, gestão, relacionamento com jogadores e racismo. Acompanhem este ótimo bate-papo, abaixo.

Desafio como gerente

“Para mim é um desafio que eu projetei para minha carreira. Fiquei dois anos depois de encerrar a carreira, me preparando para isso. Estou feliz no clube que me deu a possibilidade de encerrar como jogador e está dando a oportunidade de iniciar uma nova função. É um fator emotivo, de reconhecimento, de gratidão. Tenho alegria muito grande por estar com o presidente Gilvan. Apostou agora como apostou quando eu estava encerrando a carreira de jogador. Graças a Deus estou iniciando em um clube extremamente vencedor”.

O que espera encontrar

“Eu tive uma oportunidade de poder viver dentro de campo três décadas diferentes. Meados de 90, 2000, 2010 até 2015, quando parei de jogar. Isso me fez ver o futebol de algumas formas. Trabalharei diferente e o que a gente sempre vai encontrar é a parte humana. Todos são seres humanos passíveis de bons e maus momentos. Acreditando em tudo que eu vivi dentro de campo. Hoje trabalho para o protagonismo dos jogadores e comissão técnica. Hoje sou funcionário trabalhando para o clube. Entendo minha função e trabalho para que todos possam ter o melhor desempenho. Futebol precisa de profissionais que viveram o futebol. A maioria dos clubes do mundo tem ex-atletas que se prepararam. Espero muito trabalho como foi minha vida inteira. É o mínimo que eu tenho que fazer por este clube, pelo carinho, idolatria da torcida. Cruzeiro me deu oportunidade para ser campeão e espero ser feliz novamente em termos de conquistas”

Mano Menezes

“Primeiro pelo fato de estar iniciando, é muito importante começar com um treinador experiente, vencedor e que tem princípios de honestidade, coerência, seriedade. Acaba sendo um fator muito importante para quem está iniciando. Isso me dá uma tranquilidade maior. Vou aprender muito com ele. Já conversamos bastante. O fato de ser o Mano me deu mais confiança. Pelo mesmo caráter, mesmos princípios, facilita muito no início”.

Contato com jogadores

“Vejo isso como algo natural. Depende de como você tratou sua carreira. Quando estava parando no Cruzeiro, sempre tive uma condução do grupo natural. Quando tinha que falar sim, falava sim e o contrário a mesma coisa. Quando você tem princípios, você tem que liderar pregando o que você faz. Me traz facilidade para trabalhar porque conheço a maioria dos jogadores. Não foi à toa que fomos bicampeões brasileiros e ganhamos estadual. Sempre falo que fui campeão e não era titular. Sempre me disseram que eu poderia voltar e trabalhar aqui. Entenderam que eu me posicionava em prol do grupo e da instituição no objetivo de sempre ganhar. Quando tem um perfil definido, não tem problema. Se alterar isso, fica difícil. Todo mundo me conhece, a minha maneira de ser. Tenho a plena convicção de o protagonismo é dos atletas e comissão. Sou um membro da diretoria e trabalho em prol do futebol. Para estar bem, o futebol precisa estar bem também. Vou trabalhar para o futebol ser o melhor. Vejo como um plus, sem dificuldades”.

Queda técnica do Cruzeiro

“Não é fácil você ganhar dois brasileiros na mesma gestão. A gente vê clubes com anos sem ganhar o Brasileiro. Gestão teve ainda um estadual e um vice da Copa do Brasil. Natural que haja falta de títulos e cobranças. Acreditamos que voltaremos a brigar pelas posições em cima. Está no DNA do clube. Está sempre cotado para chegar. Este ano manteve o trabalho e a comissão técnica com aproveitamento acima de 60%, em duas oportunidades. Agora, vai conseguir iniciar a temporada e mantivemos o elenco de muita qualidade. Time tem nomes vencedores, maduros e uma juventude com seu valor. Se fosse vice-campeão no terceiro ano, seria considerada uma queda. Estamos prontos para retomar, com o torcedor nos ajudando, sempre lotando o Mineirão. Isso a gente quer resgatar de novo”.

Futebol brasileiro

“Futebol está encontrando um momento para retomar algumas coisas e está melhorando. Vemos ex-jogadores se preparando, estudando. Conversei com Torres do Flu, Elano do Santos. Isso é muito bom. Futebol está se reestruturando para melhor no Brasil”

Gestão

“Não sei se é atrasada ou falta atitude para mudar. A gente sabe o que tem que fazer. Deixar de agir com emoção como o torcedor. A mudança precisa passar por um todo. Todo mundo tem que contribuir um pouco. Nós, gerentes, independentemente da nomenclatura. O trabalho futebol é o que tem a maior dependência da parte humana. Não é uma fábrica que depende de máquinas como uma produção. É parte emocional, física, técnica. Na hora de avaliar, avaliamos como máquinas. Não podemos rotular jogador que não foi bem e não será melhor. Viajando mundo afora, futebol é mais simples do que a gente tem buscado. Quando você vê as pessoas dirigindo futebol com emoção, alguma coisa pode dar errado. Entender de futebol muita gente entende, mas decidir é muito diferente. A gestão precisa fazer o que tem que ser feito. Às vezes a gente vê clubes grandes perdendo na maioria pela política. A pressão externa começa na política. Quando quiser ir bem na instituição, tem que saber que futebol é uma coisa, sem política. Quero deixar meu legado. Decidir o melhor, às vezes é diferente do que pensa o público. A gestão precisa passar por isso. Cada um que entra não tem continuidade, chega com amigos. A imprensa também. Depois de quatro derrotas, querem a troca do treinador. Muitas vezes falamos de Europa e então vamos copiar a Europa em tudo. Muitas vezes contratamos nomes por cinco anos e com seis meses eles já não servem mais. O jogador é um ser humano como todos e não podemos decretar que é má pessoa por uma ou outra situação. Não podemos dizer que é um mau gestor por uma decisão ruim. Tem que ver no geral. Quero chegar no futebol para acrescentar, não para inventar a roda. As raízes das coisas são humanas. Quero respeitar as pessoas, funcionários. Cuidar também na hora de descartar alguém. Não pode misturar como torcedor. Há um erro e não serve mais. Vou cumprimentar o jogador quando ele acertar ou errar. É simples. Vou trabalhar como a minha vida. Cobrando quando tem que ser cobrado. Jogador sabe qual o seu dever”.

Thiago Neves

“A gente sabe que é um jogador com talento incrível. Com certeza, teve vários clubes interessados. O fato dele decidir pelo Cruzeiro foi interessante porque acredito na vontade do jogador. Pela qualidade do Thiago Neves e de vários jogadores do elenco, é um jogador que quis vir para o Cruzeiro. Importante ele ter decidido vir. Cruzeiro sempre foi um clube que atraiu os jogadores. CT, estrutura, organizado, grande estádio como o Mineirão. Como gestor, o clube é superior a qualquer nome. Dá vontade dos jogadores estarem no clube. Mostra uma maturidade do Thiago ter nos escolhido. Jogador quando entra na idade madura de 28 a 32 anos, é a melhor idade. Ele é tudo, novo, experiente, vaiado, já ganhou, perdeu. Ele decide por tudo, não só pelo financeiro. A gente fica muito feliz como gestor e torcedor em ver o Thiago no Cruzeiro com um grupo talentoso e de personalidade”.

Racismo

“Nunca me preocupou. Situações aconteceram comigo e lidei da minha forma. O que mais me machucou foi não ter sido chamado de macaco. O que mais me entristeceu foi a pessoa atravessar a rua quando me via, achando que eu iria roubar esta pessoa. Uma vez, logo quando eu parei de jogar, conversando com um diretor de futebol ele disse que eu entendia do assunto, mas pediu para eu cortar meu cabelo. Pô, isso me marcou. O cara me elogiou, mas queria que eu cortasse meu cabelo. No Cruzeiro, seu Gilvan, seu Beneci, nunca me pediram para cortar o cabelo e outras coisas. Sempre disseram que deveria voltar ao Cruzeiro. As pessoas pré-julgam de algumas formas, mas eu agradeço muito o Cruzeiro por apostar no meu conteúdo e não na minha pele ou visual. Sempre houve um entendimento que eu poderia contribuir do jeito que eu sou”.

Tinga vestiu a camisa do Cruzeiro de 2012 a 2015, conquistando o bicampeonato brasileiro. Ainda foi campeão da Copa do Brasil pelo Grêmio, em 2001, e campeão da Libertadores da América pelo Inter, em 2006 e em 2010. Pelo colorado, também foi Campeão da Recopa em 2011 e campeão Gaúcho em 2011.


Com 8 reforços, presidente do Bahia diz: “Não tenho medo de bater e voltar”
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Alexandre Praetzel

O Bahia estreia na Flórida Cup, nesta quinta-feira, contra o Wolfsburg da Alemanha. O clube foi convidado a participar do torneio, após a desistência do Flamengo. O blog entrevistou o presidente Marcelo Santana com exclusividade. Aos 35 anos, Marcelo falou a respeito da divulgação da marca do Bahia, reforços, gestão e a tentativa de ser um time totalmente afirmado na Série A do Brasileiro. Acompanhe abaixo.

Participação na Flórida Cup

“Uma oportunidade boa para o Bahia e futebol do Nordeste. Um torneio com visibilidade para mais de 70 países, jogos na TV aberta e fechada. Uma pré-temporada com um nível de partidas que a gente não teria no Brasil. Chance para trazer o Bahia para um patamar superior”.

Gestão

“Tem sido dois anos de reconstrução do Bahia. Quando chegamos, tínhamos acabado de cair. Salários vencidos, 13º sem pagar, direitos de imagem atrasados. Nestes 24 para 25 meses, temos conseguido mudar o espírito e a cara do Bahia. Temos 100% dos compromissos em dia. Credibilidade no mercado, sem atraso com jogadores e fornecedores. Reduzimos em cerca de 70 milhões a dívida. Metade pelo Profut e metade com receitas próprias. Temos acordo com a OAS para recuperação do Fazendão (CT do Bahia) e aquisição do terreno para a Cidade tricolor. Frutos estão começando a aparecer externamente e esperamos que aos poucos isso se reproduza dentro de campo”.

Bahia na Série A

“Não tenho medo de bater e voltar. Alguém que se torna presidente aos 33 anos não pode ter medo. Claro que vai ser o primeiro ano da Série A. A gente sabe das dificuldades e expectativas da torcida. Estamos montando um grupo para fazer um Brasileiro que eu chamo de seguro e nunca falar de rebaixamento em nenhuma rodada. No segundo turno, a gente vê se é possível desejar algo mais ou não. Nossa ideia é o Bahia sempre ganhar um título por ano. A gente tem que buscar este título anual porque mexe com a autoestima do torcedor e isso faz com que o torcedor consuma os produtos do clube, as receitas se valorizam e isso se torna um círculo vicioso. Temos que nos manter na Série A porque isso nos fortalece na estrutura, esportivamente e financeiramente. Somos a 14ª receita do Brasileiro. É um ritmo de crescimento anual. Quando chegamos, a receita bruta era de R$ 60 milhões. Em 2016, fechamos em R$ 125 milhões, mesmo com dois anos de Série B. O Bahia tem que ser um clube de referência no Nordeste, como já foi em outros períodos. Num prazo de cinco a oito anos, o Bahia tem totais condições de estar inserido entre os oito maiores clubes do país”.

Reforços

“Acredito que tenhamos optado por jogadores em momentos técnicos bons. Eles têm vindo de boas temporadas recentes. Reforços que chegam com ambição, sem acomodação e fim de carreira. Dentro das nossas possibilidades, temos feito bons encaixes no mercado. Trouxemos o Armero, com mais mídia da Udinese-ITA. Buscamos nomes que fizeram Série B forte recentemente, como Zé Rafael e Gustavo. Tudo para ajudar o Guto Ferreira a ter possibilidades de fazer mudanças táticas durante uma partida. O primeiro passo para a gente é respeitar a Série A, fazendo uma campanha segura. Nosso grupo tem como referências o Atlético-PR e a Chapecoense”.

Grande nome para o elenco

“Acho difícil contratar. Se a gente tiver possibilidade, faremos um investimento. A prioridade tem que ser o desempenho técnico. Se o jogador conseguir isso, aliando empatia e trazer novos patrocinadores, pode ser. Não podemos fazer o contrário. Buscar primeiro a mídia e depois o reforço. Hoje é muito complicado, mas não descarto se for uma grande oportunidade, não prioridade. Estamos num estágio de amadurecimento e crescimento”.

Guto Ferreira

“Excelente pessoa e grande profissional. Tenho gostado demais do trabalho dele. Busca crescimento profissional, sempre atento a novas ideias. Esteve na Alemanha estudando novos métodos. Guto me pergunta detalhes de como são as coisas na Europa. Tem condições de estar entre os principais nomes do país, mesmo sendo emergente no momento. Ele pode crescer no Bahia e as duas partes podem se beneficiar desta relação. Conseguiu o objetivo de subir conosco. Vamos ver até onde vamos em 2017”.

Desafios da gestão

“Acredito que a gente, me incluo nisso, tem que mudar a mentalidade para ser o futebol referência de novo. Temos que nos preocupar mais com infraestrutura, lado comercial e ter uma visão mais de negócio como empresa, com resultados dentro e fora de campo. Sou jornalista formado e a imprensa e torcida precisam entender que só um ganha campeonatos. Os que não ganham podem ter tido grandes trabalhos. Temos que parar com a mania de quem não é campeão tem que ter terra arrasada. Precisamos mudar esta mentalidade para trabalhos de modelos de gestões sustentáveis. Se considerarmos só o resultado de campo, será considerado fracassado se não vencer”.

O Bahia já contratou o volante Edson e o lateral direito Wellington Silva, do Fluminense, o lateral colombiano Armero, da Udinense-ITA, o lateral esquerdo Matheus Reis, do São Paulo, o volante Matheus Sales, do Palmeiras, o meia Zé Rafael, do Londrina, o meia Diego Rosa, do Montedio Yamagata, do Japão  e o centroavante Gustavo, do Corinthians. O próximo a ser anunciado deve ser o meia argentino Allione, do Palmeiras.

O Bahia vai disputar o Estadual, Copa do Nordeste, Copa do Brasil e Série A do Brasileiro, em 2017.


Produtividade funciona bem no Palmeiras
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Alexandre Praetzel

Os contratos de produtividade fizeram sucesso no Palmeiras. Durante quase toda a temporada, o clube conviveu com um ambiente competitivo e comprometido com metas e objetivos. A campanha vitoriosa no Brasileiro demonstra isso.

O Palmeiras teve mais vitórias, melhor ataque, melhor defesa e nenhum jogador expulso. Quem recebe cartão vermelho, sente no bolso. A disciplina imperou. O departamento médico esteve praticamente vazio, salvo algumas lesões de jogo. As dores musculares, tão rotineiras em anos anteriores, sumiram do vestiário.

Cuca conseguiu deixar o grupo focado, mesmo com vários nomes experientes e atuando pouco. Ainda assim, o Palmeiras nunca remunerou tão bem seus profissionais como neste ano. A ideia de Paulo Nobre, tão combatida no início de gestão, funcionou demais em 2016. Atletas entenderam que quanto mais estivessem à disposição, mais teriam chances de encorpar o salário, sem reclamações e picuinhas.

Claro que o modelo agrada e funciona bem, quando o time conquista títulos. Mas, num meio cada vez maior de jogadores acomodados em longos contratos, a produtividade se faz necessária, com o apoio e convicção da comissão técnica e dirigentes do futebol. O Palmeiras virou exemplo. O modelo seguirá com Maurício Galiotte.


Bolzan garante final em POA e vê Grêmio pronto para ser campeão
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Alexandre Praetzel

Romildo Bolzan Jr. foi reeleito presidente do Grêmio para o próximo triênio. Político de carreira, o dirigente convenceu 85% dos sócios gremistas a apostarem em mais um mandato à frente do tricolor. O Grêmio está na final da Copa do Brasil e pode quebrar um jejum de 15 anos sem títulos nacionais, logo na sua gestão. Bolzan Jr. falou sobre a perda de mando de campo, Renato Portaluppi, Primeira Liga, rebaixamento do rival Inter e o modelo complicado do futebol brasileiro, em entrevista exclusiva ao blog. Leia abaixo.

Decisão do STJD sobre perda do mando para o Grêmio

“Não abalou. Primeira reação quando recebi a notícia, assim que encerrado o julgamento, os advogados me ligaram e o sentimento foi de uma certa revolta, mas depois explicando as fundamentações e tudo que veio, vi que era uma situação de fragilidade jurídica, não tinha sustentação, tinha recurso cabível. Já fizemos o recurso. Obtivemos efeito suspensivo. Não sei se vai ter pauta até lá, mas de qualquer maneira, se tiver pauta, acredito que reverte a decisão. Então, há um ambiente de busca de segurança jurídica, a reação à decisão foi muito grande em todo o país. Então, isso dá uma segurança, embora não seja uma situação concluída, mas também dá uma segurança que o Grêmio tem perspectivas boas de vencer essa situação”.

Invasão de Carol Portaluppi foi uma falha do Grêmio

“Não. Tu sabes que tu tens que contextualizar isso. O Renato é um gremistão e o Grêmio não disputa uma final de Copa do Brasil ou Campeonato Brasileiro há 15 anos. Estava todo mundo eufórico com a perspectiva. Dentro deste contexto, a gente tem que ter a capacidade de entender as circunstâncias. Houve uma falha, houve uma situação de irregularidade? Houve. A pena foi proporcional à falha havida? Não foi. Então, essa é a questão mais importante. Ninguém está pedindo para não ser penalizado, desde que a proporcionalidade seja observada. O Grêmio só pede isto. Houve uma situação que poderia ser contemplada? Perfeito. Mas dá uma multa, aplica uma advertência, qualquer coisa do gênero, tira a primariedade do Grêmio, mas não faça uma situação dessa natureza porque efetivamente foi abusiva a decisão e o efeito suspensivo, não é que tenha corrigido, mas minimizou a questão e agora depois do julgamento do mérito, creio que nós vamos com a proporcionalidade atendida”.

Corre risco da decisão não ser na Arena do Grêmio

“Não. Não corre não. Acho que não teria perspectiva de tempo de julgamento e mesmo que tivesse perspectiva de  julgamento, mesmo assim a pena não seria mantida. Então, eu fico tranquilo e nós da Arena portoalegrense, que administra o estádio, vamos abrir as vendas dos ingressos e trabalhar totalmente essa idéia de fazer lá”.

Surpreso com trabalho de Renato

“Não, não fiquei. Mesmo porque a situação que nós tínhamos no Grêmio era uma situação muito clara de que havia um time treinado. Nós não tínhamos um time solto, que estava numa decadência técnica. Passou um momento complicado e tinha problemas estruturais, tinha alguns problemas de ordem de correção e o Renato chegou, verificando isso, corrigiu. Teve a sensibilidade de corrigir e identificou perfeitamente todas as questões e corrigiu. Melhorou o time. Deu mais sustentação defensiva, criou mais a compactação, conseguiu fazer mais a verticalidade. Isso criou uma condição de que o time teve condições de fazer, inclusive, enfrentamentos fora. O Grêmio não ganhava fora. Passou a jogar fora, ganhar, empatar, ter enfrentamentos de igual para igual e isso melhorou muito a performance do time. Então, eu acho que o Renato aperfeiçoou o que o Roger tinha feito. E o mérito está exatamente nisso. A inteligência do processo é que um não desmanchou o que o outro fez e qualificou aquele processo e melhorou as situações que o time precisava melhorar”.

Jejum de 15 anos sem títulos nacionais

“Não ganhamos né(risos). Futebol acontece isso. Eu acho que o Grêmio teve um processo muito complicado de deficiência financeira a partir daquele dimensionamento da ISL e a não readaptação ao ganho, quer dizer, daquilo que nós tínhamos e não criar uma condição de voltar ao status anterior. Fazer pelo menos o ganho que o Grêmio tinha e gastar o que o Grêmio tinha, o Grêmio ficou com a despesa, mas não ficou com a receita. Isso, de certa forma, jogou no longo prazo um processo que acabou no rebaixamento em 2004. Na verdade, a gente, quando vê esses processos, quer ganhar, mas não examina as consequências do futuro. Então, aquilo foi muito complicado. Demorou muito tempo para ser corrigido. Eu acho que esses processos depois, o Grêmio nunca mais conseguiu chegar a uma situação, exatamente por conta de uma desestruturação. Mas o futebol correspondeu a muitas expectativas. O Grêmio, eu acho que esse é um dado extremamente importante, é bom avaliar. O Grêmio nunca deixou de estar nas pontas dos rankings nacionais. Sempre foi um time que teve regularidade também, sempre chegou. Disputou Libertadores, tudo mais. Disputou uma final de Libertadores neste meio caminho. Foi várias vezes vice-campeão brasileiro, terceiro, quarto, quinto lugar. Hoje é o segundo do ranking, mas muito próximo do primeiro e esteve na ponta, recentemente. Então, o Grêmio teve regularidade, mas não teve títulos. Está na hora de chegar aos títulos. Eu acho que é isso que nós temos que fazer agora. Nós temos que cuidar de todos os detalhes para não deixar passar absolutamente nada e chegar nesta final de Copa do Brasil com tudo atendido de modo que não deixe escapar nada para ser campeão”.

Grêmio é mais time que o Atlético-MG

“Não. Não é mais time que o Atlético-MG. São dois times um tanto diferentes. Valores individuais eu acho que se equivalem. O coletivo do Grêmio e o coletivo do Atlético também se equivalem. O que pode ter mais são peças de reposição, de mais qualidade. Acho que os dois times se equivalem, tanto nas suas peças individuais quanto no coletivo. Qualquer um pode ser campeão. Então, levando em conta tudo isso, eu acho que não é mais, mas também não acho que é menos. Estamos em condições iguais”.

Renato fica

“Fica. Não importa a questão de ser vice. O Renato, se desejar e nós conseguirmos acertar, para mim já é o nosso treinador. Renato merece um trabalho de longo prazo. Ele tem passado pelos clubes de uma maneira muito rápida. Passa pelo Grêmio rapidamente, passa pelo Atlético-PR, Fluminense, Bahia. Está na hora de um trabalho a longo prazo e o Grêmio tem uma comissão técnica permanente que estrutura tudo isso. Tem o grupo de transição, tem a base. Então, há toda uma condição para fazer um trabalho de longo prazo com ele no comando. Se ele estiver disposto, é o nosso treinador”.

Modelo de gestão brasileiro falido

“Tem um fundo de verdade nisso, mas também temos uma luz no fim do túnel. Essa legislação, essa lei que regula a responsabilidade fiscal dos clubes, o Profut, que dá uma faixa de adaptação, principalmente, no que diz respeito ao tempo para se adaptar às questões dos déficits. Tu fazeres dentro de um mês, um ano, a receita e a despesa iguais, diminuindo o déficit, até zerá-lo. Chegar nesse processo, ter responsabilidade fiscal, pagar os impostos em dia, exigir as certidões negativas para os campeonatos. Tudo isso é um processo extremamente importante. Acho que nós estamos com a legislação pronta e em vigor, de modo que se os clubes tiverem observações àquilo, nós vamos chegar num modelo de gestão novo. O Grêmio já percebeu isso há dois anos atrás e já vem procurando exatamente fazer esse tipo de ajuste e já estamos numa posição um pouquinho melhor do que estávamos. Não é exatamente tudo aquilo que queríamos estar, como o nosso projeto é de quatro anos, a gente deseja que no final de quatro anos, nós vamos conseguir regularizar definitivamente nosso fluxo, nossa estabilização, nosso processo e ter a capacidade de investimento. Então, esse processo que nos obriga a optar pelo refinanciamento, vai levar os clubes brasileiros para quem levar a sério, um certo equilíbrio e moralização nas gestões dos clubes”.

Primeira Liga é um evento passageiro

“A Primeira Liga tem dificuldades por várias razões. Não é nem pela oficialização, poderia jogar. A Primeira Liga tem muito mais um aspecto cultural, de dificuldade de entender que a auto-organização é um bem coletivo e necessário para o futebol brasileiro e qualquer futebol. A Primeira Liga não teve ainda dos clubes a visão mais coletiva, não se despiram às vezes das questões dos clubes e não conseguem entender que o coletivo pode preponderar numa situação dessa natureza. Então, os clubes levam suas culturas internas, suas dificuldades, examinam apenas suas situações prioritariamente para depois examinar o coletivo. Isso não gera um ambiente de Liga. Eu faço isso como auto-crítica, faço isso porque fui estimulador e ainda defendo e quero acreditar que o processo de auto-organização do futebol pelos clubes é um processo também que pode vir para ficar. Mas eu reconheço as dificuldades disso e acho que também posso fazer e pode ser feito por outros organismos. Reconheço que há dificuldades enormes porque não existe ambiente cultural de ceder, de consensuar, dos clubes terem essa e finalizarem um processo de auto-organização”.

Inter rebaixado será bom para o Grêmio

“Eu tenho dito e tenho sido cobrado. O que eu não quero para mim, não quero para os outros. Eu já fui cobrado demais, já disse isso publicamente e estou reiterando para ti. Eu gostaria de cuidar apenas do meu. O Internacional que se vire com seus problemas, mas eu reitero como tese o que eu não quero para mim, não quero para os outros”.

Wallace será negociado em janeiro

“Ao Grêmio, nada chegou e se tiver uma proposta que seja boa para o jogador e para o Grêmio, vamos em frente. Mas tem que ser uma proposta que contemple o Grêmio e também o jogador. Se não for assim, nós não vamos fazer negócio. Tem que ser uma coisa absolutamente razoável. O Grêmio já teve oportunidade de vender, nós mudamos o enfoque dessas questões. O jogador estourava, tinha perspectiva, parecia que ia ser craque e já era vendido. Nós mudamos o foco disso. Nós seguramos o Luan, Wallace, Pedro Rocha, Everton, seguramos vários jogadores aqui porque entendíamos que havia necessidade de um ganho desportivo com eles e depois, então, vendê-los. Estamos segurando eles. Estamos nessa política e se for possível fazer isso, melhor. Agora, chega um determinado momento que é bom para todo mundo vender. Tem que aparecer a proposta concreta, tem que ser absolutamente satisfatória para o clube e jogador. Se não, o nosso processo é ficarmos com o que temos de base, ficar com o que temos de plantel necessário e vamos qualificá-lo do que falta”.

O Grêmio fará o primeiro jogo da final, nesta quarta-feira, no Mineirão. O segundo confronto será na Arena tricolor, com a convicção do presidente Romildo Bolzan Jr. O último título nacional do Grêmio foi a Copa do Brasil, em 2001, com vitória sobre o Corinthians, no Morumbi.


Carvalho admite conflitos de interesses com trabalho no Inter e futebol
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Alexandre Praetzel

O Inter pode ser rebaixado para Série B do Brasileiro, pela primeira vez na história. O time gaúcho é o 17º colocado com 38 pontos e luta contra Vitória, Coritiba e Sport, faltando 12 pontos a disputar. O blog conversou com o ex-presidente Fernando Carvalho, o maior dirigente de todos os tempos do Inter, segundo vários sócios e torcedores colorados. Carvalho viveu situação parecida e difícil em 2002, quando o Inter escapou na última rodada, após vitória sobre o Paysandu, em Belém, e contando com uma combinação de resultados de outros adversários. Voltou ao Inter, mesmo trabalhando com um Fundo de Investimentos no futebol e admitindo conflitos de interesses. Leia abaixo.

Arrependido por ter retornado ao Inter

“Não, não estou arrependido. Só aceitei porque a dificuldade era muito grande e estamos trabalhando para conseguir manter o Clube na primeira divisão, com essa mesma dificuldade. Eu não costumo me arrepender das coisas que faço. Posso depois lamentar alguma coisa que deveria ter feito diferente, algum caminho mal escolhido, mas agora não é hora de pensar nisso”.

Consequências para o Clube e dirigentes com um possível rebaixamento

“Não quero pensar nessa hipótese. Estamos trabalhando para não sermos rebaixados. Já estivemos, em algumas oportunidades anteriores na nossa história, próximos do rebaixamento e conseguimos sair. Eu prefiro imaginar que o Internacional vai sair dessa situação difícil”.

Como acreditar num time que ganhou apenas dez jogos em 34 disputados

“Eu acredito porque vi as partidas que jogamos contra Atlético-MG, Santos, Flamengo e até mesmo contra o Palmeiras, que nós perdemos. A equipe tem bons jogadores que estamos tentando reagrupar, remobilizar e, com isso, tenho certeza que vamos conseguir ter atuações de nível alto, que nos permitam vencer os adversários”.

Soberba da diretoria atrapalhou o Inter

“Não vejo que tenha havido soberba. As pessoas acreditavam naquilo que estavam fazendo. Muitas coisas acabaram não dando certo, mas o que temos que pensar é para a frente, positivamente, em motivar a torcida e fazer o torcedor colorado acreditar, para que a gente consiga sair dessa situação muito difícil. Qualquer outro inventário que a gente deva fazer, fica para depois que terminarmos todo esse episódio”.

Interfere na escalação do time

“Eu nunca interferi na escalação, em relação a qualquer treinador. Acho que o treinador é quem tem que definir as questões da equipe e ao dirigente cabe dar condições ao elenco e à comissão técnica de desempenhar os seus trabalhos”.

Conflitos de interesses como dirigente e trabalhando para um Fundo de Investimentos no futebol

“É um conflito de interesses e a primeira pessoa a destacar isso, fui eu, no dia em que aceitei o convite do presidente Píffero. Entretanto, estamos vivendo um momento atípico, um estado de emergência, e por isso eu concordei e me afastei momentaneamente dos meus compromissos com o Fundo. Seria incompatível eu trabalhar no que faço e seguir no Clube. Não seguirei, em hipótese alguma, depois que terminar essa empreitada para a qual fui convocado pelo clube como um todo, pelo presidente e pelos órgãos da entidade. Repito, é incompatível e fui o primeiro a declarar isso”.

Modelo de gestão está falido no Brasil com amadores

“Os clubes chegaram até aqui, a maioria com mais de 100 anos de atividade, sendo dirigidos por “amadores”. Acho que a vida nos propõe sempre avanços a uma forma de gestão com profissionais e com os “amadores”, principalmente na gestão das questões políticas do clube. Sempre vai ser a melhor forma de administrar um clube de futebol do tamanho do Inter, dos clubes de massa do país. Acho que um caminho importante que nós deveríamos seguir para esses clubes, seria remunerar os dirigentes, prevendo isso no estatuto. Quem está dizendo isso é alguém que não vai mais voltar a trabalhar executivamente, nem vai mais ser candidato à presidência. Acho que, para o futuro de todos os clubes, a profissionalização com os próprios dirigentes seria o melhor caminho”.

Situação financeira do Inter é dramática

“Não. A situação do Inter é difícil, mas não dramática. O Clube tem todas as condições de levar adiante seus projetos e ser competitivo na sequência da sua história”.

Carvalho presidiu o Inter de 2002 a 2006. Nas suas gestões, o Inter conquistou a Libertadores da América, Mundial de Clubes e quatro títulos estaduais. Para escapar do rebaixamento, o Inter ainda enfrentará Ponte Preta e Cruzeiro em casa e Corinthians e Fluminense, fora.


Carpegiani vê R.Veiga com grande futuro e deixa o Coritiba em dezembro
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Alexandre Praetzel

Paulo César Carpegiani foi um grande jogador e sempre foi bom técnico. Campeão da Libertadores da América e do Mundo, em 1981, comandando o Flamengo, no seu primeiro trabalho. Se destacou também ao levar o Paraguai às oitavas-de-final da Copa do Mundo de 1998, num confronto histórico com a França, sendo derrotado na morte súbita, na prorrogação. Foi dono do RS Futebol e passou por vários clubes. Aos 67 anos, dirige o Coritiba. Pegou o time na zona de rebaixamento do Brasileiro e melhorou o rendimento do grupo. Carpegiani conversou com o blog, com exclusividade, admitindo que deve deixar o Coxa, após a temporada. Leia abaixo.

Coritiba e o risco de rebaixamento

“Isso já vem numa sequência de anos. Todo ano, a grande preocupação de todo grande time é sair o mais rápido possível dessa zona tão infeliz, que os clubes, geralmente, ocorrem. E o Coritiba não é diferente. Eu tive o privilégio de nunca entrar nessa zona, desde quando ingressei na 17ª rodada do campeonato, no primeiro turno. Não tive esse privilégio, mas andamos perto e é muito difícil você sair dessa sequência porque você vai ganhando jogos e quanto mais você ganha, os outros ganham também. Então, é uma dificuldade, um pensamento negativo que todos os clubes têm”.

Mudanças com tua chegada

“Hoje, são os números. Os números comprovam a própria campanha. Nós somos a sétima defesa menos vazada de todo o campeonato. Quando eu cheguei e assumi, era o 19º, se não me engano, e nós na primeira rodada estávamos na zona de rebaixamento. Eu assumi na zona de rebaixamento, ganhamos da Ponte Preta e imediatamente já saímos. Não conhecemos mais uma outra entrada nessa tão infeliz zona. Eu acho que os números e as próprias dificuldades que tivemos também ao longo desse período. Jogadores importantes que acabaram quebrando o pé, fraturando o tornozelo. Então, as dificuldades foram muito grandes e não é um grupo composto por mim, no início da temporada. Já vim, encaixei, não contratamos ninguém e trabalhei com os jogadores disponíveis. Essas foram as grandes dificuldades que nós tivemos”.

Tranquilo trabalhar com Kleber

“Sim. É um grande jogador. Aquele jogador de exceção, ele não te incomoda. Então, nós tivemos ao longo desse período, o Kleber jogou muito pouco comigo, nesse momento que estou falando contigo. Está retornando agora, estava lesionado há um bom tempo, mas é um jogador estritamente profissional, muito responsável e é uma satisfação trabalhar com ele”.

Raphael Veiga dará certo no Palmeiras 

“É um menino que está sendo preparado, tendo oportunidades. Tem muita técnica, muita qualidade, aquela quebra de ritmo, arranque. Se vai dar certo ou não, é o futuro que vai dizer. Talvez, numa grande equipe, deslanche ainda mais. Ele é um ponto alto do Coritiba, hoje, sem sombra de dúvida”.

Modelo de gestão brasileiro

“Olha, são os mais variados. Eu acho que o futebol brasileiro, a maneira como os clubes são dirigidos, a maneira desse comportamento é muito ruim. Os clubes têm interesses em fazer o maior número de torneios. Tivemos essa experiência, esse ano, com os campeonatos apertados. Tivemos o esgotamento físico muito grande e em consequência, caiu o rendimento. Além da gestão que realmente, falta, na minha opinião, aquele homem abaixo da diretoria, o grande centralizador, aquela função de dirigente, aquele cara responsável por todas as contratações. Mostrar a cara na hora da contratação boa ou ruim. E isso os clubes escondem, quase todos, com alguma exceção, quando as contratações não acontecem. Tipo um Leonardo, que faz falta esse tipo. Não temos no futebol, essa pessoa que seria muito importante nos clubes”.

Preconceito com técnicos da tua geração

“Eu não estou tendo. Não saberia dizer. Trabalho onde eu quero. Dou um tempo, dou paradas e não sei responder. Não tenho essa condição de responder porque não tenho nenhum ponto negativo com relação a minha participação”.

Ex-jogador X Catedráticos

“É muito complexo. Você ser treinador tem que dominar todas as mais variadas condições. Você tem que saber dominar um grupo, trabalhar o momento de apertar e afrouxar. Acho que o mais importante é o pulso, é o comando. Isso você não pode abrir mão em qualquer circunstância. Um treinador ou um catedrático, eu não vejo dificuldade. O importante é você ter conhecimento. Para você ter sucesso, o sucesso são os teus títulos. Você não consegue as coisas por acaso. Então, as coisas caminham dessa forma. Pode dar certo um, pode dar certo o outro. Eu não saberia definir a diferença de um para o outro. Eu defino como bom profissional, o responsável que tem todas as condições que o futebol te exige”.

Projeção para 2017

“Vou fazer o Coritiba e vou dar uma paradinha. Essa que é a realidade. Vou aguardar porque eu já estava negociando com o futuro, lá fora. Vou aguardar. Tive para trabalhar nas eliminatórias, nós não definimos no próprio Paraguai. Então, vou esperar um pouquinho, vou dar um tempo, porque os campeonatos estaduais não fazem muito o meu feitio não”.

Carpegiani tem contrato com o Coritiba, até dezembro. O time é o 15º colocado com 42 pontos. Enfrenta o Santa Cruz, nesta quarta-feira, no Couto Pereira.