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Ponte Preta mereceu a classificação. Palmeiras pode e deve jogar mais
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Alexandre Praetzel

A Ponte Preta mereceu a classificação para a final do Paulista. Nos 180 minutos, foi superior ao Palmeiras. Fez grande atuação em Campinas e administrou a vantagem de 3 a 0, no Allianz Parque. O fato de ter perdido por 1 a 0, em São Paulo, não diminui o feito da Macaca. É uma equipe bem arrumada na defesa, atua com três volantes e joga em função de Clayson, Lucca e Pottker, com velocidade no contra-ataque. Aranha, que ficou um ano sem jogar no Palmeiras, agora faz um bom campeonato, apesar de falhar no gol de Felipe Melo.

Gilson Kleina assumiu e a Ponte mudou de cara. Passou também pelo Santos, que tem elenco e futebol superior. Parece que o time chega bem mais encorpado à final, em relação a 2008, quando decidiu e perdeu os dois jogos para o Palmeiras. Contra Corinthians ou São Paulo, a Ponte Preta tem condições de encarar o próximo adversário com igualdade de forças. Será que chegou a hora do tão sonhado título, em 117 anos de história? Há possibilidades.

O Palmeiras entra em debate, com uma eliminação inesperada, pelo investimento que fez. Nomes como Guerra, Borja, Michel Bastos, William, Felipe Melo e Raphael Veiga são bons reforços para qualquer time. O Verdão pode jogar mais e evoluir. Eduardo Baptista precisa achar variações de esquema, extraindo as principais qualidades dos seus comandados. Borja chegou como grande nome, mas já foi vaiado e não serve mais para muitos palmeirenses. Assim não dá. Deixem o atacante se adaptar, porque ele é bom jogador. Há elenco e não falta trabalho. Mas o Palmeiras pode e deve jogar mais. Sem essa de que o Estadual não era prioridade. Tanto que houve força máxima nos dois confrontos. Função do técnico, que ainda pode apresentar algo diferente. Vamos ver na Libertadores e Copa do Brasil.


Na mira do Corinthians, atacante vê Ponte forte para ganhar o Paulista
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Alexandre Praetzel

A Ponte Preta luta por um título na sua história centenária. Terá a oportunidade de conquistá-lo, abrindo as semifinais contra o Palmeiras, neste domingo, em Campinas. O time evoluiu com a chegada do técnico Gilson Kleina e eliminou o forte Santos, nas quartas-de-final. Um dos destaques da equipe é o atacante Clayson. Aos 22 anos, o garoto vem apresentando boas atuações desde 2016. Nos planos do Corinthians para o restante da temporada, Clayson concedeu entrevista exclusiva ao blog, admitindo a pressão por uma conquista da Ponte, os confrontos diante do Palmeiras e o interesse corintiano no seu futebol. Leia abaixo.

Chegou a hora da Ponte Preta ganhar um título ou o time é inferior aos adversários?

“Acho que na minha opinião, chegou a hora da Ponte Preta ganhar um título. Vem fazendo bom trabalho, durante anos, plantando coisas boas. Então, acho que chegou a hora. A gente sabe que não é fácil, mas estamos batalhando muito para isso e se vier, com certeza, será felicidade de todo mundo que está esperando esta grande conquista”.

Como fazer para segurar o Palmeiras em dois jogos?

“Olha, a gente sabe que o Palmeiras é o time que mais investiu no Brasil, porém, a gente sabe da nossa força dentro de casa, da qualidade do nosso elenco e pode ter certeza que a gente vai dar o nosso máximo para poder conseguir uma vantagem no primeiro jogo e conseguir chegar na final do Campeonato Paulista”.

A mudança de técnico teve influência no bom momento da Ponte Preta ou não?

“Acho que cada um plantou o que teve de melhor e a gente pôde absorver aquilo que era fundamental para gente. Claro que o Felipe Moreira foi muito importante no momento em que esteve aqui, mas o Gilson também chegou, deu uma cara nova para o time e com certeza, também vem sendo muito importante nessa reta final do campeonato”.

Há muita pressão pelo primeiro título da Ponte Preta, mesmo com dificuldades pela frente?

“Num time da grandeza da Ponte Preta, sempre haverá pressão, independentemente de título ou em cada jogo. Mas a pressão é inegável, sempre vai existir, mas a gente age naturalmente, a gente está focado para buscar esse título tão sonhado pela Ponte Preta”.

Corinthians te procurou para reforçar o time, após o Paulista?

“Isso eu deixo para o meu representante resolver, lógico que estou sabendo via internet, mas até mim, não chegou nada oficial. Então, tenho contrato longo com a Ponte Preta, meu foco é aqui. Acho que não é nem hora de falar sobre isso, a gente está numa semifinal de Paulista. Então, estou muito focado aqui. Meu contrato vai até o final de 2020. O foco é a Ponte Preta, depois meu representante pode ver isso”.

Clayson foi revelado na base do União São João de Araras. Passou por Grêmio e Ituano, até chegar à Ponte Preta, em 2015. Já disputou mais de 80 jogos e virou titular da equipe.


Kleina não quer jogos no Pacaembu e crê em fator casa para eliminar Santos
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Alexandre Praetzel

A Ponte Preta será adversária do Santos, nos dois jogos das quartas-de-final do Paulista. Falta apenas definir quem terminará em primeiro lugar, na fase classificatória, para determinar os mandos de campo. A Ponte Preta recebe o Palmeiras e o Santos enfrenta o Novorizontino. Os dois times estão empatados com 19 pontos, mas o Santos leva vantagem nos critérios de desempates. O blog entrevistou o técnico Gilson Kleina a respeito dos confrontos e a possibilidade da Ponte Preta eliminar o Santos. Leia abaixo.

Por que voltaste para a Ponte Preta, estando bem no Goiás?

“Simples e objetivo. Nós chegamos o ano passado para tirar o Goiás da Série C, estava na zona de rebaixamento da Série B. Fizemos um trabalho de reação. Os números desse ano estavam muito bons, quarta fase da Copa do Brasil, líder do Campeonato Goiano, artilheiro, defesa menos vazada, quando houve um contato do presidente. Em alguns anos, quando saíam treinadores da Ponte Preta, sempre me convidaram e eu achei que nesse momento, estava na hora da gente voltar para um grande centro, para a Ponte Preta. Conversei com meu presidente no Goiás, como sempre a gente tem que ser transparente e a Ponte Preta exerceu o contrato, pagando a multa. O presidente do Goiás não queria que eu saísse, mas entendeu que eu fui conversar com ele e espero que a gente tenha êxito e sucesso aqui na Ponte Preta.

É possível eliminar o Santos em dois jogos pelas quartas-de-final do Paulista?

“Eu acho que a probabilidade e a condição aumentam. Se a gente mantiver esse nível de competitividade, são dois jogos extremamente equilibrados. Ainda não sei se a primeira partida ou segunda será em casa, mas de qualquer maneira a gente vai ter que saber jogar esse mata-mata. O Santos é uma equipe muito forte dentro da Vila e a Ponte é muito forte dentro do seu estádio. Então, vamos tentar unir nossas forças e fazer uma vantagem no primeiro jogo, se for em casa, para que a gente possa ter a condição de ter alguma estratégia para conseguir a classificação. Então, não tem jogo fácil, porém, se a gente tiver a mentalidade e o espírito vencedor, podemos passar para as semifinais”.

Aceitarias jogar as duas partidas no Pacaembu?

“Eu acho que a gente não pode abrir mão da nossa força no Moisés Lucarelli. Eu entendo que nós temos que exercer nosso direito de jogar em casa. Não aceitaria”.

Como vês o elenco hoje em relação aos grandes paulistas?

“A Ponte Preta vem num crescimento, nos últimos anos, haja vista que tem revelado jogadores no cenário nacional. Em 2011 e 2012, estive aqui e muitos jogadores estão em alto nível. Um elenco sempre precisa ser corrigido, qualificado e não é diferente neste momento. Estamos contentes com esse elenco, mas precisamos reforçar porque a gente sabe o que nos espera nos mata-matas do Paulista, Sul-Americana e, principalmente, Campeonato Brasileiro”.

O que destacas no Santos para neutralizar ou evitar?

“Tem um treinador há muito tempo com uma filosofia de trabalho, super agressivo, laterais e volantes jogam o tempo todo no campo adversário. É uma equipe que tem movimentação e jogadores técnicos, como Lucas Lima, Ricardo Oliveira, Thiago Maia, Vitor Bueno, que entraram nessa equipe, todos eles são fazedores de gols, mesclada com a experiência do Renato e o próprio Ricardo. A gente tem que saber neutralizar os pontos fortes deles, mas impondo os nossos”.

A passagem pelo Palmeiras te fortaleceu no mercado?

“Sem dúvida. O Palmeiras me fortaleceu muito no mercado e me amadureceu também. Lamento só que nos dois últimos trabalhos que a gente fez, que foi só uma manutenção de permanência e tivemos dificuldades como muitos treinadores estão tendo no futebol brasileiro. A Ponte Preta me alavancou e o Palmeiras também para grandes trabalhos e grandes desafios”.

Ponte Preta é um grande clube?

“Claro que sim. Vejo a Ponte Preta com uma camisa forte, uma equipe grande. Está faltando muito pouco consolidar títulos e conquistas. Quem está em Campinas vê o crescimento desta torcida. A gente vê um sentimento muito forte. Então, eu entendo que todos esses projetos que estou vendo aqui como Arena, investimento em estrutura de treinamento, contratações de jovens valores com grandes contratos, usando bem a base. Acredito que nos próximos anos, a Ponte Preta entrará em outro patamar”.

Gilson Kleina retornou à Ponte Preta, após bons trabalhos em 2011 e 2012, assumindo o Palmeiras, me setembro de 2012. Na sua primeira passagem, Kleina conseguiu levar a Ponte Preta à Série A do Brasileiro.


Jovem técnico da Ponte Preta busca sonho de conquista no Paulista
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Alexandre Praetzel

A Ponte Preta é time da Série A do Brasileiro e entra no Paulista como candidata a desbancar os quatro grandes clubes do torneio. Para isso, apostará num jovem treinador. Felipe Moreira, 36 anos, filho do ex-jogador e técnico Marco Aurélio Moreira, foi o escolhido para levar o time à tentativa de conquistar o primeiro grande título de sua história centenária. Em entrevista exclusiva ao blog, Felipe comentou o desafio que terá pela frente, a pressão por uma boa campanha e seu modelo de trabalho. Leia abaixo.

Desafio de assumir a Ponte Preta

“Um grande desafio, mas eu me sinto preparado. Comecei aqui em 2004, como auxiliar do Sub-20, além de ter jogado na categoria de base daqui. Me tornei treinador do Sub-20 no meio de 2004 e subi para o profissional, em 2005. Depois passei por Cruzeiro, Atlético-PR, Figueirense, Vitória, Fortaleza, Bragantino, entre outros. Terminei minha faculdade, estágio no exterior, curso de treinador. Percorri um caminho grande, me preparando para este momento”.

Pressão para comandar um time que não foi campeão em mais de 100 anos

“Acho que todo clube grande, torcida, anseia por título e a Ponte está se preparando para isso. Há algum tempo, vem se preparando internamente, fortalecendo seus departamentos. Fez a base, estrutura, nos aproximando deste grande sonho, que é o título. Isso que é importante. A gente conquistar este título com uma estrutura grande, para depois deste título, se manter no cenário nacional”.

Projeção para o Paulista

“É um campeonato muito competitivo, difícil, mas a projeção da Ponte e o sonho da Ponte é grande, nosso também de trabalho. Primeiro, buscamos o primeiro jogo com a Ferroviária, que é estréia, depois a classificação, assim por diante. Vamos passo a passo, nos preparando para atingir aquele grande objetivo da Ponte Preta”.

Reforços

“A gente conseguiu trazer reforços pontuais este ano, por ter deixado uma base boa do ano passado. Veio o Marlon, que subiu com o Atlético-GO. O Ramon, que foi artilheiro pelo Brasil-RS. Trouxemos o lateral Artur do Inter. Veio o volante Jadson, que apesar da campanha ruim do Santa Cruz, se destacou e está se destacando na pré-temporada. O Lins já teve uma passagem boa por aqui, jogou o Brasileiro pelo Figueirense. O Erik foi destaque do Bragantino, na Série B, a gente observou. Então, são grandes reforços que a gente conseguiu trazer pontualmente. O Lucca chegou agora do Corinthians. Ainda estamos buscando alguns mais para completar nosso elenco”.

Saída de William Pottker

“O William tem contrato com a Ponte Preta até 2019. Isso que a diretoria me passou. Está totalmente focado aqui na Ponte Preta, fazendo uma pré-temporada no limite. Não está deixando faltar nada e a gente sente que ele está se preparando muito bem para o Paulista”.

Time mais fraco em relação a 2016

“Não. Conseguimos manter uma base do time titular do ano passado, que fez uma grande campanha. Estamos em busca dos que já chegaram e uns mais para fortalecer o elenco”.

Modelo de jogo e trabalho

“Filosofia de trabalho é mais importante do que o sistema de jogo que será utilizado. Primeiro que hoje em dia, o futebol requer compactação, o time estar perto, uma intensidade muito grande, pressão em cima da bola o tempo todo. Isso é importante. O jogador entender que, independentemente do sistema, ele tem que ser agressivo na marcação, ter o passe para frente, sair em velocidade, compactar rápido tanto na transição defensiva quanto na ofensiva. O sistema a gente usa com aquilo que a gente tem no elenco. Terminamos o ano passado com o 4-1-4-1 ben definido pelo Eduardo. Começamos a pré-temporada neste sistema, mas em alguns jogos usamos o 4-3-3, o 4-2-3-1, fizemos um treino contra o Palmeiras, terminando com as duas linhas de quatro e dois. Então, a gente trabalha nestes sistemas até para as substituições, poder trocar peça por peça neste sistema”.

Marco Aurélio Moreira é referência

“Representa uma base de tudo, né. É um cara que, como jogador de futebol, foi excelente profissional. Como treinador, conseguiu ser campeão, trabalhar em grandes equipes, estruturar a família com este trabalho. Um excelente pai, conseguiu criar os três filhos no caminho certo, família. Então, é um cara que me dá estrutura para tudo. Tanto na parte do esporte, quanto na parte familiar”.

A Ponte Preta está no grupo D do Paulista com Audax, Mirassol e Santos.


Mattos escolhe Eduardo Baptista. Técnico busca liberação da Ponte Preta
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Alexandre Praetzel

Alexandre Mattos recebeu carta branca do presidente Maurício Galiotte e escolheu Eduardo Baptista como novo técnico do Palmeiras. Entre Palmeiras e o treinador está tudo acertado para um contrato até dezembro de 2018.  Falta Eduardo definir sua saída da Ponte Preta, acertando ou não o valor de uma multa rescisória. O Palmeiras não pagará nada.

Mattos está apalavrado com Maurício para uma renovação de contrato com o Palmeiras por mais um ou dois anos, mas ainda não assinou.

Eduardo Baptista está com 46 anos e treinou Sport e Fluminense. Chegou à Ponte Preta no início do Brasileiro deste ano. A Ponte Preta já está sondando técnicos no mercado. Marcelo Cabo, campeão da Série B pelo Atlético-GO, e Sérgio Soares, ex-Ceará, foram comentados.


Eduardo Baptista vê Seleção com modelo de jogo adotado por ele em 2014
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Alexandre Praetzel

Eduardo Baptista é apontado como um dos bons treinadores da nova geração. Aos 46 anos, o filho de Nelsinho Baptista renovou contrato com a Ponte Preta, admitindo a pressão sofrida para conquistar o primeiro título da história do clube. Em entrevista exclusiva ao blog, Eduardo também falou sobre a busca por novas idéias e seu modelo de jogo, parecido com a Seleção Brasileira. Acompanhem.

Pronto para comandar um time grande ou a passagem pelo Flu deixou dúvidas

“Eu aprendi uma coisa com meu pai. Trabalhei dez anos ao lado dele e fui criado por ele. Nessa profissão, você não pode ter dúvidas. Tudo o que eu faço no meu dia-a-dia, as decisões que eu tomo, a decisão de ter ido para o Fluminense, sempre foi com muita certeza, muito medido, ciente do que poderia acontecer. Então, se tiver um convite de um time grande e eu aceitar, é porque eu fiz um planejamento, fiz a minha programação, estudei a equipe que eu vou. Sei onde vou pisar. E no Fluminense eu fiz tudo isso. As coisas não deram certo. O que me acalenta é que está lá um treinador, que é uma das minhas referências, principalmente pelo seu estilo ofensivo e conduta. E as coisas também são difíceis. Eu vejo o Fluminense com os mesmos problemas de quando eu estava lá, em fevereiro. Naquela época, tinha um mês e meio só de trabalho e as coisas não aconteceram. Às vezes, foge um pouco do treinador, mas tudo o que eu queria fazer lá, o que eu acho certo, eu fiz. Coloquei minhas idéias em prática, estávamos conseguindo um trabalho. Por muito pouco, não chegamos a uma final de Copa do Brasil, perdemos para o Palmeiras nos pênaltis. Foi um trabalho que não deu certo, mas eu coloquei meu modelo de jogo, fiz experiências com Fred, Ronaldinho Gaúcho. Foram as melhores possíveis, principalmente com Fred, um cara excepcional, que me ajudou demais e eu respeito. Virou um amigo pessoal meu. Simplesmente as coisas não deram certo porque não eram para dar. A gente ainda vê o Fluminense com dificuldades também, os mesmos problemas que eu tinha, o Levir está encontrando lá”.

Comparações com Nelsinho atrapalham ou não

“É inevitável. Meu pai é um nome muito forte no futebol brasileiro, no Japão. Trabalhei no Sport, onde meu pai é considerado o treinador do século, num clube centenário. Então, é um nome muito forte. Estou na Ponte Preta hoje, onde ele começou aqui, tem uma história maravilhosa aqui como jogador e treinador. As comparações são inevitáveis, mas não me incomodam porque é um cara sensacional, taticamente é um dos três melhores que eu já conheci na atualidade, desta turma da geração dele. Tem uma leitura de jogo, um intervalo de jogo sensacional. Um cara que eu aprendi demais, me inspirei. O Eduardo vai crescendo. Isso não me incomoda. É um prazer porque é um cara sensacional. Ser comparado a ele é algo muito bom. Todos os clubes que eu enfrento, por onde ele passou, todos os funcionários vêm até mim dar um abraço, falar do bom caráter dele e do bom trabalho onde ele passou. Isso tem muito mais o lado positivo porque eu trabalhei dez anos ao lado dele, convivi com vitórias, derrotas, com felicidades e tristezas. Aprendi demais, principalmente, as tomadas de decisão, a parte tática. Até hoje, discutimos muito. Ele é um cara aficcionado por futebol e sempre me puxa. Quando tem jogo da Champions League, ele pede para eu ver e a gente discute depois. Então, ser filho do Nelsinho, é você ter um professor, mestre, dentro de casa. Me ajuda demais e não me atrapalha, em nenhum momento”.

Pressão por um título na Ponte Preta é igual num time grande 

“A Ponte Preta vive uma situação de não ter ganho título. O rival tem título brasileiro e a pressão aqui é grande para disputar uma Libertadores, ganhar um título. Você briga no campeonato paulista com times que têm um aporte financeiro muito maior. Times com R$ 10 milhões de folha salarial, enquanto a Ponte Preta tem um folha de R$ 1,8 milhão. Então as coisas se tornam difíceis. A pressão é grande. Você luta com todas as suas armas, mas é difícil. A gente busca e a pressão aumenta a cada ano. Mesmo você fazendo uma campanha como a Ponte Preta faz e chegar em oitavo lugar, não é bem visto aqui em Campinas porque o título é cobrado. No time grande, você tem a pressão e alto orçamento. Você pode buscar dois jogadores de altíssimo nível para cada posição. Mesmo com a pressão, você tem armas para lutar. A Ponte Preta vive essa pressão. A gente tem que buscar jogadores no mercado. No segundo semestre deste ano, acertamos em 100% as nossas contratações. Deu tudo certo, por isso, uma boa campanha. Nós perdemos bons jogadores por não conseguir cobrir ofertas de times maiores. A pressão é maior ou igual a um time grande, só que às vezes essa luta é desleal”.

Modelo de jogo e trabalho

“Meu modelo de jogo é muito parecido com o que o Tite colocou. Eu já tenho uma filosofia, desde o Sport, em 2014. Nós jogávamos com esse mesmo estilo apoiado, num 4-1-4-1, ora 4-3-3, mas sempre com uma trinca no meio. Jogava com Diego Souza, Rithely como primeiro e Danilo fazendo o terceiro homem, com uma chegada à frente, com um centroavante, ora fixo, ora flutuante e dois atacantes de velocidade pelos lados, também chegando à frente ou fazendo um apoio pelas beiradas, fazendo uma triangulação. Meu modelo é muito parecido com o que o Tite está tendo sucesso na Seleção Brasileira. Você pode ter uma chegada com mais gente à frente, uma formação de triângulo pelos lados, uma chegada na área com três jogadores, no mínimo. É um sistema bem parecido. Eu fico contente que é um modelo que eu já venho trabalhando, desde 2014, e a gente tem conseguido bons resultados. Conseguimos no Sport, estamos conseguindo na Ponte Preta e a gente tenta melhorar a cada dia, inovar, trazer coisas diferentes na maneira de marcar, jogar, mas sempre com a filosofia na hora de jogar, você ter um apoio pelas beiradas porque hoje os times jogam muito fechados por dentro e quando você defende, uma compactação no meio porque é onde o jogador brasileiro tem a criatividade. Você trava esse meio e joga o adversário para o lado, onde a gente procura roubar essa bola e jogar e sair pelo mesmo local. O modelo de jogo é esse. De trabalho, a gente procura sempre jogar, colocar a bola no chão, passe para frente, agressividade, explorando o talento do jogador brasileiro. Defensivamente, tentar diminuir os espaços, principalmente, na região central do campo. Tem que dar liberdade também. Se compara muito o futebol brasileiro ao europeu. Para o brasileiro, você tem que dar um pouco de liberdade a mais do que você dá ao europeu. O europeu não tem o talento, não tem o drible, a ginga, aquela saída inesperada que o brasileiro tem. Eu procuro não podar. Tem uma disciplina, mas na hora de jogar, tem uma liberdade criativa para um espaço para o jogador criativo pensar e tomar as decisões. O jogador brasileiro tem isso que ninguém tem. Por isso, os times das ligas européias estão lotados de jogadores brasileiros”.

Não ter sido jogador atrapalha no vestiário 

“É importante ter sido jogador, que viveu experiências e sentiu o calor do jogo. É um peso grande. Eu estive 20 anos dentro do vestiário, vendo o lado da comissão técnica, onde eu participei de decisões das mais variadas possíveis, momentos de vitórias, derrotas e você acaba aprendendo, tomando suas lições, criando a sua metodologia. Trabalhei com grandes treinadores. Nelsinho por quase dez anos, Geninho, Vágner Mancini, treinadores da nova geração também, onde tentei tirar o melhor deles. Ver o quê eles faziam de melhor, onde era o forte deles e tentei trazer para o meu dia-a-dia. Não joguei, mas tive essa vivência. Eu acho que isso é importante. Hoje, nós temos dois grandes treinadores mundiais: Guardiola, que foi um grande jogador e é um grande treinador e Mourinho, um cara ganhador e que era preparador físico, assim como eu. A grande diferença de você ter sido jogador ou ter vivido como eu vivi, independe. Eu acho que vale, se qualquer um desses lados estudar, procurar aprender, se especializar, coisas novas, se atualizar. Sou um cara que leio demais, faço meus cursos. Estou terminando meu nível A dentro da CBF. Sou instrutor da CBF para cursos de formações de treinadores para o nível B. Sempre procuro aprender e ajudar outros profissionais que também estão surgindo. Esse estudo qualifica o treinador. Lógico que se ele foi atleta, dá uma qualidade melhor. Se ele tiver a vivência que eu tive, dá um suporte muito bom. O importante é que ele estude, se atualize, se prepare, esteja aberto a coisas novas, estar pesquisando a Europa, Ásia, interior do futebol paulista, nordestino, antenado com tudo o que está acontecendo. Simplesmente, ter sido jogador ou ter uma vivência de 20 anos de vestiário, não te credencia a ser um grande treinador. O que vai te credenciar é tudo isso mencionado, mais uma especialização, estudo. Tem que buscar a preparação diária porque as coisas são novas, os jogadores são mais inteligentes, intelectualmente falando, do que eram há dez anos atrás. A evolução psicológica é uma realidade de uma nova geração e você tem que estar antenado a isso. Isso faz um grande treinador”.

Eduardo Baptista teve destaque no Sport, em 2014, começando sua carreira de treinador. Depois, passou pelo Fluminense, antes de chegar à Ponte Preta. O time é décimo lugar na Série A do Brasileiro com 45 pontos. Enfrenta o Sport, quinta-feira, em Recife.


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