Blog do Praetzel

Arquivo : Dorival Jr.

Não trocaria Dorival Jr. SPaulo precisa de sequência de trabalho
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Alexandre Praetzel

Nesta segunda-feira, recebi quatro mensagens no celular, me informando que Dorival Jr. estava demitido ou seria dispensado ao longo do dia. Fui checar com minhas fontes. Poucas, mas muito confiáveis. Ouvi que a pressão é muito forte, internamente. Há uma corrente no clube que gostaria de ver André Jardine, técnico do Sub-20, alçado ao posto principal. Um espécie de “Carille” são-paulino.

Depois, falei com Dorival. Se mostrou tranquilo com minha pergunta e disse que estava trabalhando no São Paulo, desde às 7h. Não se alongou mais na questão.

Acho que seria um grande erro demitir Dorival. Não completou um ano à frente do time e recebeu novos jogadores como Diego Souza, Nene, Trellez e Valdívia. Em apenas quatro partidas, teve Cueva, Nene e Diego Souza juntos. Ainda perdeu Hernanes e Pratto, dois nomes fundamentais no tricolor. Está buscando um padrão de jogo ideal e uma formação titular. Vem repetindo uma escalação, mas o desempenho tem caído nos segundos tempos. Contra o CSA-AL, foi uma exceção, com o resultado alcançado na segunda etapa, depois de 46 minutos muito ruins. Diego Souza de centroavante, acho um erro. Não tem mobilidade e tem atrapalhado mais do que ajudado.

O São Paulo não vem jogando mal. Agora, precisa de mais consistência e equilíbrio para não permitir espaços generosos aos adversários. É verdade que o time perdeu os dois clássicos que disputou, mas isso não tem sido novidade, já que o retrospecto é muito ruim diante dos rivais, nos últimos dez anos.

A diretoria pode dar um crédito de confiança a Dorival e deixá-lo trabalhar. Temos visto clubes demitirem treinadores e não conseguirem substituí-los à altura. É preciso mudar essa política no futebol brasileiro.

Mais análise do trabalho e menos resultadismo. Porque, pelo último quesito, o São Paulo vai bem. Classificado na Copa do Brasil e primeiro colocado do grupo no Paulista, com um jogo a menos.


Ricardo Rocha confia em Dorival e pede tempo ao SP
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Alexandre Praetzel

O São Paulo perdeu para o Santos, no segundo clássico do ano. São dois jogos maiores com duas derrotas – a outra foi para o Corinthians. Mais uma vez, a torcida pegou muito no pé do técnico Dorival Jr. e vaiou a equipe, após a partida. Na diretoria, ainda existe a convicção no trabalho e que é preciso ter paciência, sem a promessa de títulos. Isso ficou nítido na entrevista do blog com Ricardo Rocha, ex-zagueiro tricolor e hoje, gerente de futebol. Confira

Você acha que as críticas dos torcedores à forma de atuar do time são justas?

Um pouco injustas pelo tempo que a gente tem, mas a gente tem que estar atento a tudo. A gente sabe que o São Paulo precisa melhorar. O torcedor sempre gosta de ver um São Paulo jogando bem. Têm momentos que o São Paulo joga bem o primeiro tempo, têm momentos que joga o segundo tempo. O melhor jogo que fizemos foi em Mirassol, mas realmente a gente tem que estar atento a tudo, ao torcedor. A gente espera que com o tempo, a tendência é melhorar.

O trabalho do Dorival é satisfatório na avaliação de vocês?

Satisfatório. A gente precisa de tempo. A gente confia nele.

O fato de não conquistar títulos há seis anos, realmente incomoda muito?

Incomoda todos. Quem é torcedor do São Paulo, quem trabalha aqui há muito tempo. Eu, que joguei aqui, a gente sabe. O São Paulo é muito grande, ficar muito tempo sem ganhar, mas tem que trabalhar. Eu sempre digo. O São Paulo não tem que vir com promessas para o seu torcedor de que vamos ser campeões. Mas o São Paulo tem que lutar por todos os títulos possíveis porque é grande, tem uma grande torcida e tem que trabalhar para isso.

Você viveu os dois lados. É muito difícil estar ao lado dos jogadores?

Para mim, não. Eu estava um pouco fora, mas estou acostumado. Joguei muitos anos da minha vida, quase 20 anos. A gente sabe da pressão. O São Paulo é muito grande, eu conheço muito bem a casa. Essa pressão vai existir, mas o São Paulo está bem, classificado na Copa do Brasil, em primeiro lugar do seu grupo no Paulista. O bom é que a gente  precisa melhorar a cada jogo e isso, o tempo vai dizer.

O jogador de hoje é menos comprometido que o da tua geração?

Não. Não gosto de fazer comparações. Acho que cada um dentro da sua época, você tem que respeitar. Eu acredito no trabalho do grupo. A gente tem conversado com eles porque há um espaço de tempo muito curto. Não só da minha chegada. Alguns jogadores foram contratados. Um time com Diego, Cueva e Nene, tem quatro jogos apenas. É muito cedo para ter uma cobrança tão forte, por parte de todos. Então, vamos esperar que melhore a cada jogo.

Como está o São Paulo, desde o início do teu trabalho?

Também é muito cedo, 40 dias só de trabalho. Acho que pouco a pouco, a tendência é uma melhora, a gente sabe disso. Hoje, desde o início do primeiro jogo são 31 dias e dez jogos, uma preparação muito curta, mas tem que jogar. Esse entrosamento vai vir com o tempo.

Ricardo Rocha foi contratado para ser o braço direito de Raí, diretor-executivo de futebol. No Paulista, o São Paulo é líder do grupo com dez pontos, com um jogo a menos que os demais concorrentes. Joga contra o Ituano, quarta-feira, em Itu.

Na Copa do Brasil, enfrenta o CRB-AL, na terceira fase, em duas partidas.

 


São Paulo e Santos tentam convencer no clássico. Times são parelhos
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Alexandre Praetzel

Estarei no Morumbi para trabalhar em São Paulo e Santos. Será o segundo clássico do ano para os dois. O São Paulo perdeu para o Corinthians e o Santos parou diante do Palmeiras. Esses confrontos ficam maiores do que o próprio Campeonato Paulista, por darem um parâmetro do que pode acontecer no mata-mata, a partir das quartas-de-final. É muito difícil que um dos grandes não se classifique para a próxima fase. O São Paulo tem dez pontos em 18 disputados, enquanto o Santos somou 11 em 21.

O São Paulo vem de quatro vitórias consecutivas, incluindo dois jogos pela Copa do Brasil. O tricolor tem a melhor defesa do Estadual, mas um ataque que marca poucos gols. Dorival Jr. não agrada à maioria da torcida e tem razão quando lembra que poucas equipes estão mostrando um futebol vistoso. Agora, o São Paulo poderia estar melhor. Tem jogadores bons individualmente com pouco padrão coletivo. O primeiro tempo diante do CSA-AL foi preocupante e a repetição daquele desempenho pode determinar um prejuízo contra o Santos. O treinador terá que resolver a lentidão do meio-campo e o espaçamento no setor, facilitando as jogadas adversárias. Vamos conferir.

O Santos ainda tenta entender qual o modelo de jogo que Jair Ventura pretende consolidar. No Botafogo, ele priorizava a defesa, pelo material humano à disposição. No Santos, as opções são maiores, mas Jair parece que não consegue acertar a marcação. Atua apenas com um volante, Renato mais lento e três atacantes. Também tem perdido o meio-campo, várias vezes durante as partidas. Parece que Jair não quer ser rotulado como um técnico defensivista num clube que joga para a frente, historicamente. Mas é possível equilibrar mais os setores, sem deixar a defesa tão exposta. Bruno Henrique, obviamente, faz muita falta. Na lateral-esquerda, ainda apostaria em Romário, melhor marcador do que Caju.

Time por time, existe um equilíbrio. O blog faz sua comparação de sempre, em grandes duelos.

Sidão  X  Vanderlei

Militão  X  Daniel Guedes

Bruno Alves  X  Lucas Veríssimo

Anderson Martins  X  Gustavo Henrique

Reinaldo  X  Caju

Jucilei  X  Alison

Petros  X  Renato

Nenê  X  Vecchio

Cueva  X  Copete

Marcos Guilherme  X  Eduardo Sasha

Diego Souza  X  Gabriel

Dorival Jr.  X  Jair Ventura

7 a 5 para o São Paulo, na comparação do blog. Tomara que seja um jogo movimentado e com jogadas ofensivas, durante todo o tempo.

Palpite do blog: São Paulo 2×1.


O dia em que Dorival Jr. indicou Jaílson para o Palmeiras
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Alexandre Praetzel

Jaílson é o goleiro titular do Palmeiras e ganhou a posição com trabalho e merecimento. Aos 36 anos, comemora o fato de ser reconhecido, depois de tanto tempo de carreira. Para quem não lembra, Jaílson chegou ao Palmeiras por indicação de Dorival Jr., técnico do Verdão em 2014, e hoje comandando o São Paulo. No dia 02 de outubro daquele ano, o site oficial do Palmeiras informava a contratação de Jaílson, com contrato até maio de 2015. O blog conversou com Dorival Jr. sobre aquele momento.

“O Prass estava machucado. Ele vinha de lesões e eu estava vendo que a gente precisava de um goleiro com um pouco mais de experiência e vivência. Nós fomos atrás de dois ou três nomes, entre eles, o Jaílson. Acabou dando certo com o Jaílson. Quando ele chegou e se apresentou, o Prass, surpreendentemente, teve uma recuperação rápida e acabou voltando. Não deu tempo do Jaílson fazer sua estreia. Esse processo demorou uns 20, 30 dias, e deu tempo para a recuperação do Prass. Mas fico feliz que o Jaílson esteja vivendo um momento importantíssimo, muito bom para ele”, afirmou Dorival Jr.

Dorival nunca tinha trabalhado com Jaílson e relembra quando o goleiro lhe chamou a atenção. “Tinha visto alguns jogos pelo Ceará, mas ele fechou o gol mesmo pelo Guaratinguetá contra a Portuguesa, acredito. Também já tinha visto pelo Juventude. Jaílson foi um exemplo de vários jogadores desconhecidos que têm qualidades, mas não conseguem oportunidades”, ressaltou.

No final de 2016, Jaílson renovou contrato até dezembro de 2018. Chamado de “Jailsão da Massa” pela torcida, o goleiro completou 500 dias sem derrotas pela equipe.

Dorival Jr. comandou o Palmeiras de 03 de setembro até 08 de dezembro de 2014. Comandou o time em 20 partidas com seis vitórias. Na última rodada do Brasileiro, o Palmeiras escapou do rebaixamento para a Série B.

 


São Paulo e Santos retomam conversas por Victor Ferraz
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Alexandre Praetzel

O lateral-direito Victor Ferraz voltou à pauta do São Paulo. O presidente Leco voltou a conversar com o presidente do Santos, José Carlos Peres, a respeito de uma possível negociação pelo jogador. No início do ano, o tricolor chegou a oferecer 1,5 milhão de euros, mas Peres recusou.

Em novembro de 2017, o blog antecipou o pedido de Dorival Jr. por Ferraz. O treinador são-paulino gosta muito do lateral, com quem trabalhou por duas temporadas no Santos. Na ocasião, os primeiros contatos foram feitos com o ex-presidente Modesto Roma Jr., que não quis abrir negociações.

Agora, o quadro mudou. Victor Ferraz tem sido muito vaiado pela torcida do Santos e demonstrado incômodo com a situação atual. Ainda existe a sombra de Daniel Guedes, pronto para substituí-lo. A diretoria santista já vê a possibilidade de venda com mais interesse. O blog apurou que o valor anterior mais a inclusão de um ou dois jogadores pode facilitar um acordo.

Victor Ferraz está com 30 anos e tem contrato até dezembro de 2019. Chegou ao Santos em 2014. Disputou 174 partidas e marcou seis gols.

 


São Paulo acrescenta Geuvânio à lista de opções para reforçar o ataque
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Alexandre Praetzel

O São Paulo pensa em mais um jogador para reforçar o ataque. Depois de cogitar Gabriel Barbosa e admitir o interesse em Marinho, o blog apurou que a diretoria acrescentou o nome de Geuvânio à lista de desejos para o time. O atleta foi comandado por Dorival Jr. no Santos, em 2015, e tem a aprovação do treinador. Naquele ano, Geuvânio disputou 55 partidas com dez gols marcados. Geuvânio pertence ao Tianjin Quanjian da China e está emprestado ao Flamengo, até dezembro de 2018. Uma negociação envolveria as três partes e Geuvânio poderia ser repassado ao tricolor paulista, cumprindo o mesmo prazo. Geuvânio chegou ao Flamengo em julho de 2017. Foi pouco aproveitado pelo ex-técnico Reinaldo Rueda, disputando 18 jogos com um gol marcado.

Sobre Marinho, os contatos com os chineses do Changchun Yatai continuam. Apesar de ter completado apenas um ano no país, Marinho pode retornar ao Brasil, para atuar no Morumbi. Representantes de Marinho admitem a possibilidade de um empréstimo, no mínimo. Em 2017, Marinho fez 17 partidas com três gols marcados.

Gabriel Barbosa foi cobiçado, mas existe a concorrência com o Santos, tornando as coisas mais difíceis. O presidente José Carlos Peres já declarou que aguarda a liberação da Inter de Milão, para repatriar o ex-santista.

 


Dorival Jr. não quer apostas como reposições no São Paulo
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Alexandre Praetzel

O São Paulo vai repor a saída de Hernanes e a provável venda de Pratto para o River Plate com reforços à altura. Pelo menos, essa é a ideia do técnico Dorival Jr. O treinador espera que a diretoria contrate jogadores com nível parecido. A saída de Hernanes foi considerada muito prejudicial e Dorival acredita no esforço dos dirigentes para qualificar o time e elenco.

O blog apurou que Dorival não quer apostas chegando ao tricolor. Espera por cinco nomes que cheguem e possam jogar, aumentando as opções e prontos para entrar na equipe. Um deles é Diego Souza, com negociação avançada, segundo Raí, diretor-executivo de futebol. Dorival gosta dele e acredita que Diego possa atuar como substituto de Pratto, ou junto ao argentino, no setor ofensivo. Aloísio, ex-atacante são-paulino, foi descartado por Dorival.

A diretoria tem vários jogadores consultados, com a proximidade de alguns anúncios para a próxima semana. Se o São Paulo tivesse que atuar hoje, teria Jean; Militão, Bruno Alves, Rodrigo Caio e Edimar; Jucilei, Petros, Cueva e Shaylon; Marcos Guilherme e Pratto(Brenner).

O primeiro confronto do São Paulo será contra o São Bento, em Sorocaba, na abertura do Campeonato Paulista, dia 17. Até lá, Dorival acredita que haverá novidades anunciadas pelos dirigentes. Todos no clube sabem que o São Paulo precisa se reforçar.

Avalio o elenco hoje com a nota 6.


Dorival indica e São Paulo tenta contratar lateral do Santos
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Alexandre Praetzel

O São Paulo já tem o nome para tentar solucionar a carência na lateral-direita: Victor Ferraz. O jogador foi uma indicação de Dorival Jr. Os dois trabalharam juntos no Santos e Victor Ferraz foi titular nas três temporadas em que Dorival comandou a equipe, em 2015, 2016 e 2017, quando deixou o clube.

Em 2017, o São Paulo improvisou Militão e Araruna na posição. Bruno e Buffarini tiveram lesões e não agradaram Dorival Jr.

O blog apurou que as negociações já foram iniciadas entre os dois clubes. Victor Ferraz está com 29 anos. Chegou ao Santos, em 2014, contratado do Coritiba. No Santos, disputou 170 jogos e marcou seis gols. Victor Ferraz tem contrato até dezembro de 2019.

O Santos passa por problemas financeiros e deve liberar alguns titulares, reduzindo a folha salarial. São Paulo e Santos já fizeram várias negociações entre si. A última foi a troca de Arouca por Rodrigo Souto, em 2010.


Só a força da torcida, não salvará o SP. Time não reage na pressão
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Alexandre Praetzel

Estive no Morumbi para acompanhar São Paulo e Ponte Preta. Novamente, a torcida tricolor deu um show, apoiando o time, durante os 90 minutos. O São Paulo fez um bom primeiro tempo e mereceu a vantagem, com bonito gol de Hernanes, cobrando falta. A Ponte Preta não ameaçou em nenhum momento.

No segundo tempo, quando o São Paulo fez 2 a 0, em gol de Bruno Alves, na falha do goleiro Aranha, o jogo parecia liquidado. Comentei com um colega, que o resultado poderia determinar a saída de Gilson Kleina, pressionado na Ponte. Afinal, o São Paulo estava encostando na própria Ponte Preta, na parte de baixo da classificação.

Aí, num lance, tudo mudou. A Ponte descontou no pênalti cometido por Jucilei e cresceu com a expulsão do volante. Com um a mais, a Macaca tomou conta da partida e transformou o Morumbi num cenário de apreensão e temor para os são-paulinos. O empate parecia questão de tempo e chegou com cabeceio fatal de Léo Gamalho. Antes, o centroavante já tinha exigido grande defesa de Sidão.

O resultado acabou sendo justo pelo que as duas equipes fizeram, quando tiveram oportunidades. Agora, com dez, Dorival Jr. demorou a recompor o meio-campo e ficou sem velocidade para o contra-ataque. Marcinho entrou, quando Gomez deveria ser o escolhido, para fortalecer a marcação e impedir o domínio da Ponte. O São Paulo ficou acuado e não teve saída de jogo.

Já vi grandes times serem rebaixados e o São Paulo mostra sinais claros de queda. A equipe tropeça contra concorrentes diretos e é forçada a buscar pontos diante de adversários muito mais qualificados. Hernanes carrega o São Paulo nas costas e os demais parecem anestesiados em momentos de pressão.

Para piorar, a troca de farpas entre Rodrigo Caio e Cueva, só revela como o ambiente interno não é legal, mesmo que Dorival e Hernanes tenham minimizado o episódio. Nestas horas, bons jogadores viram mais ou menos e os razoáveis se transformam em ruins. Fato é que o São Paulo luta, corre, mas empaca no Z4. Tem time para não cair, mas outros também tinham e foram rebaixados. Parece que chegou a hora do tricolor. Só a força do torcedor, não salvará. A ver.


Filho de Dorival Jr. prevê carreira solo e nega atritos com jogadores
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Alexandre Praetzel

O São Paulo trocou a comissão técnica para livrar o time da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Rogério Ceni e seus auxiliares estrangeiros deixaram o clube e Dorival Jr. assumiu, com o filho Lucas Silvestre como seu braço direito. Em entrevista exclusiva ao blog, Lucas falou do desafio de trabalhar com o pai, as cobranças da função, relacionamentos no vestiário e o futuro provável como treinador. Confira a seguir.

Como é trabalhar com o pai? O nível de cobrança aumenta ou diminui?

Como tudo o que acontece conosco, tem os dois lados. Se por um lado, eu pude ter uma facilidade maior para entrar no futebol e Trabalhar com o pai, me dá uma liberdade muito grande para poder introduzir pensamentos e exercícios, que eu não teria com outro treinador. Além de termos uma proximidade muito grande para podermos trocar ideias e fazer correções. Por outro lado, muitas vezes sofro com uma cobrança absurda que um profissional normal, na mesma área, não sofreria. Porém, eu sou uma pessoa que me cobro muito e busco um aprimoramento e aperfeiçoamento a cada dia, fazendo com que esteja sempre me corrigindo e melhorando sempre.

Existem prioridades diferentes no trabalho? Tu cuidas de alguma área específica?

Nós temos uma comissão técnica muito forte. Somos em quatro pessoas e cada um é muito forte em uma área importante para que a engrenagem funcione, sendo que todos são muito bons na parte mais importante do futebol, que é o relacionamento. Lidar com pessoas. O Celso(Rezende, preparador físico) é muito bom na parte física. O Leonardo(Porto, auxiliar técnico e analista) é o melhor que eu trabalhei, juntamente com o Maurício Dulac(ex-analista da Seleção Brasileira), na parte de análise de adversários e montagem dos treinamentos. Eu gosto da montagem dos treinamentos, planejamento da semana e execução dos treinamentos. Dorival consegue englobar todas essas características e com o diferencial na parte tática. E o diferencial da comissão do Dorival, acaba sendo o relacionamento com atletas e funcionários do clube, onde ele cobra e preza muito por isso. Minha função e do Leonardo é programar a semana, buscar exercícios que se encaixem no ponto que queremos dar ênfase e melhorar na semana, levando ao Dorival para que ele aprove ou altere alguma coisa. Durante os treinamentos, todos supervisionados por ele, eu atuo na execução do exercício e ele observa o trabalho e pontua as correções. Até no livro do Ferguson, ele fala que a partir do momento que ele saiu da execução, ele passou a enxergar os treinamentos de uma outra maneira e se atentar ainda mais ao que os jogadores necessitam. É exatamente isso que acontece conosco.

Como os jogadores te tratam? Alguém já te enxergou como o “filho” e evitou grande contato?

Eu sempre tive um relacionamento muito bom com os jogadores. Obviamente que quando você chega ao clube, o fato de você ser filho do treinador, acaba gerando uma desconfiança. Mas ela logo se acaba, pois os jogadores percebem que eu sou alguém como eles, que não existe sacanagem da minha parte e que minha função não é ser “leva e traz”, e sim, alguém que irá ajudá-los a serem atletas e seres humanos melhores, após a minha chegada. Hoje, sete anos após minha primeira oportunidade, a desconfiança inicial é muito menor. É normal que quando você chega em um novo clube, os atletas que aqui estão, já conversaram com os amigos do clube anterior, e graças a Deus, até hoje as referências que os atletas passam, são boas e acabam fortalecendo ainda mais o trabalho.

Qual tua especialização?

Sou formado em Educação Física, tenho diversos cursos no currículo e estou aguardando algum dos nossos cursos para treinador de futebol serem reconhecidos pela UEFA, para que eu possa fazê-lo. Infelizmente, o treinador brasileiro está muito atrás dos treinadores dos outros países, por esse motivo. Não temos um curso no Brasil, que seja válido na Europa, onde até os treinadores argentinos possuem e nós, não. Mas minha maior especialização e que nenhum curso nunca me dará, é a prática no campo, a vivência no dia-a-dia, que cria situações diferentes para serem resolvidas em todos os momentos. Mas sou uma pessoa que busco conhecimento e estou o tempo todo pesquisando novas informações, como treinamentos novos, táticas diferentes, tentando encaixar no nosso trabalho.

Como vês o ambiente no São Paulo? Petros citou “mudança de caráter”

Primeiro gostaria de falar como eu vejo o São Paulo FC. Um clube com uma organização absurda, onde tudo funciona. Com uma comissão técnica e um grupo de apoio disposto a fazerem tudo para o trabalho funcionar. Quando isso acontece, as coisas não podem dar errado. O presidente nos deu total apoio e respaldo, junto com o Vinícius, que na minha visão, é um dos melhores executivos do Brasil hoje, mesmo com pouco tempo de profissão. O ambiente aqui é de indignação com o momento do clube, as pessoas sabem que um clube como esse não pode viver a situação que está vivendo e eu garanto que nós vamos tirar o São Paulo FC dessa situação. O Petros é um profissional exemplar, de um caráter imenso e está sentindo demais esse momento, e certamente será com esse espírito que saíremos juntos dessa situação.

Como auxiliar, em quanto tempo uma comissão técnica deve apresentar resultados?

Pergunta difícil essa. Porque meu pensamento é diferente do que acontece no Brasil. O mínimo que você consegue avaliar o trabalho de um treinador, são seis meses e não consigo entender como os dirigentes podem ter convicção na contratação do treinador em janeiro e em março ele ser demitido do clube. E o pior, os treinadores são contratados pelo momento que estão no mercado e não pela filosofia e DNA do clube, ou pela maneira como a equipe atua, ou até pela característica dos jogadores contratados. Por isso, a questão é difícil de ser respondida e vejo hoje um momento preocupante do futebol brasileiro. O Brasil sempre teve dificuldade defensiva e sempre teve na criatividade dos atletas, o seu grande diferencial. Hoje, as coisas mudaram, melhoramos nossa parte defensiva e estamos tendo uma dificuldade muito grande para propor o jogo. Tanto que no Campeonato Brasileiro, a maioria das equipes tem jogado esperando o erro do adversário e poucas buscando propor o jogo. Fico preocupado com o que irá nos acontecer em alguns anos.

Houve legado dos auxiliares estrangeiros de Rogério Ceni? Notaste alguma diferença?

Sempre há um legado quando algum treinador passa por um clube. O legado varia de acordo com o ponto de vista de cada profissional, com a maneira que você pensa o futebol. Eu não tenho capacidade para avaliar o legado que o Michael Beale e a comissão anterior deixaram, porque não fazia parte do trabalho deles, mas certamente, pelo que ouvimos, deixaram muitas coisas no São Paulo FC.

São Paulo escapa com antecedência do Z4 ou lutará até o final do Brasileiro?

Para esse ano, a luta do São Paulo FC, será contra o rebaixamento. Porém, saindo dessa condição este ano, os atletas que aqui estão, sairão muito fortalecidos e com uma “bagagem” muito grande para 2018. Os próprios meninos que estão subindo agora e vivendo essa situação de adversidade, estarão preparados para qualquer situação que aconteça no ano que vem. Não tenho dúvidas que sairemos dessa situação. Não sei precisar quando, mas sairemos e estaremos fortalecidos para 2018.

É verdade que já tiveste desentendimentos com Vecchio no Santos e Jucilei no São Paulo?

Essa pergunta é muito importante, porque a pior coisa que existe é você ser honesto e ter que provar sua honestidade. Como eu respondi anteriormente, Dorival preza muito pelo bom relacionamento por parte dos membros da comissão técnica. Quem tem que dar bronca ou se indispor com atletas é o treinador, e não o auxiliar. Em sete anos de futebol profissional, eu nunca tive nenhum desentendimento com atleta e valorizo muito isso. Mas, infelizmente, pessoas desonestas usaram isso para prejudicar o trabalho no Santos, que vinha sendo tão bem feito e alguns jornalistas, sem confirmarem as “notícias” que foram dadas a eles, sem ao menos telefonar para mim, para dar um direito de resposta. Soltaram essas informações mentirosas, onde no início, eu tive que ficar desmentindo e com o tempo, eu percebi que o melhor a se fazer é deixar que falem. O meu trabalho tem que ser reconhecido pelos atletas, é com eles que eu passo a maior parte do meu dia. O que mais me impressiona são as pessoas que compram essas “notícias” mentirosas e dão sequência na “informação”, sem ao menos confirmar com a pessoa envolvida. Mas, respondendo a pergunta, não tive problemas com Vecchio, não discuti com Jucilei, o Renan não veio tirar satisfação comigo. Até o Renan, que é meu amigo desde 2010, conseguiram inventar uma discussão. Está na hora do jornalismo esportivo parar de ser programa de fofoca de bastidores e começarmos a discutir um pouco mais do que é o jogo em si.

Pretendes seguir carreira solo?

Pretendo seguir e vou seguir. Sempre tive o sonho e o desejo de ser treinador e minha busca todos os dias é por isso, aprendizagem e aprimoramento, buscando no futuro, seguir minha carreira como treinador. Porém, não tenho pressa para que isso aconteça. Estou em fase de preparação e preciso ainda vivenciar algumas situações importantes para que esteja preparado para assumir a função. Não coloco prazo e não vou passar por cima de ninguém para que isso aconteça. Tenho os pés no chão para deixar as coisas acontecerem.

Aos 29 anos, Lucas Silvestre foi auxiliar de Dorival Jr., na comissão técnica do Santos. O São Paulo é penúltimo colocado no Brasileiro, com 23 pontos. Precisa de oito vitórias em 16 jogos, para escapar do rebaixamento, sem precisar de resultados paralelos.