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Qual o momento de dispensar um técnico?
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Alexandre Praetzel

Rogério Ceni é idolatrado pela torcida do São Paulo por tudo que conquistou como goleiro do clube, com mais de mil jogos e 100 gols. Foi anunciado como treinador, no seu primeiro desafio na boca do túnel, e reverenciado pelos tricolores. Ponto.

Passados cinco meses de trabalho, a euforia e o amor acabaram. Ontem, após a eliminação vexatória na Copa Sul-Americana, são-paulinos perderam a paciência e pediram a saída do ídolo, nas redes sociais. Palavras como despreparado, sem humildade e com prazo de validade vencido foram rotineiras num intervalo de 30 minutos, depois da partida. A diretoria banca a permanência de Rogério Ceni, mesmo sem avanços da equipe dentro de campo e três quedas consecutivas em torneios importantes. Agora, fica a pergunta. Qual o momento de dispensar um técnico?

Sou defensor de 120 dias de trabalho para se iniciarem as cobranças, no imediatismo brasileiro. Rogério Ceni teve esse tempo com promessas inovadoras, mas nunca vimos evolução, apesar dele despejar números positivos a cada entrevista coletiva. Uma mudança pode ocorrer quando:

– Não houver crescimento do time e dos jogadores. O trabalho é considerado bom no dia-a-dia, mas os resultados e os desempenhos são regulares ou ruins. Eduardo Baptista caiu por isso no Palmeiras;

-Atletas perderem a confiança no treinador com críticas públicas e falta de comprometimento. Isso não é visto no São Paulo, apesar de Thiago Mendes ter dito que o grupo está se adaptando ao treinador, algo normal numa nova filosofia;

– Derrotas consecutivas. Rogério Ceni só não foi demitido porque é o Mito Rogério. Qualquer outro nome, já estaria fora. Agora, a voz das arquibancadas pode influenciar nos gabinetes do Morumbi;

-Mau relacionamento interno. Acredito que isso não existe, mesmo depois da polêmica do fair-play de Rodrigo Caio no jogo contra o Corinthians e o desconforto no vestiário.

Se eu fosse dirigente são-paulino, não trocaria. O time não é fraco, mas precisa de reforços e de uma revisão do trabalho do treinador. Pode haver uma conversa para expor os erros e tentar ajustar a equipe para um Brasileiro dificílimo, melhorando o coletivo. O São Paulo é espaçado demais e não tem compactação. Ainda dá para segurar por cinco partidas. Agora, se as vitórias não vierem, a situação ficará insustentável. Como já aconteceu em outros casos no futebol mundial.

 


Empresário vê R. Marques chateado com situação, mas nega saída do Palmeiras
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Alexandre Praetzel

Rafael Marques teve seu nome envolvido em algumas especulações nesta semana. O atacante tem contrato com o Palmeiras até dezembro e não vem jogando com Eduardo Baptista. O atleta foi apontado como possível reforço do Botafogo e do Inter e envolvido num boato sobre sua dispensa do clube. O blog entrevistou o empresário do jogador, Nenê Zini, a respeito do assunto. Acompanhe abaixo.

Rafael Marques está saindo do Palmeiras?

“Não, de forma alguma. Ele tem um ambiente excepcional lá dentro. Ainda há situações de mercado, mas no momento não tem nenhuma proposta por ele. Ele está feliz com o grupo, equipe, trabalho, é um cara super profissional. Está chateado por não estar jogando, mas isso é normal. Já provou seu valor para diretoria, torcida, não tem porquê desestabilizar esta relação”.

Tem alguém querendo prejudicá-lo dentro do clube?

“Não sei porque isso está acontecendo. Não trabalho com especulação. Converso constantemente com o Mattos e ele me disse que nunca houve nada, deixando claro que o Rafael é muito importante para o Palmeiras. Nós temos um excelente relacionamento e não temos porque criar algum atrito. Quem acompanha o dia-a-dia, sabe que ele é um cara motivado. Respeita o contrato e está inscrito em todas as competições. Especulação sem nome, não tem porque falar”.

Rafael Marques ficará no Palmeiras ou já recebeu propostas?

“Não recebi propostas, nem contatos de Botafogo, Inter ou Corinthians. Rafael tem contrato até dezembro e não recebemos nenhuma oferta de pré-contrato do Palmeiras ou qualquer outro clube. Ele está quieto por uma questão de respeito. Tem postura profissional e está aguardando o seu momento”.

Rafael Marques está com 33 anos. Fez 105 jogos pelo Palmeiras e marcou 21 gols. Em 2017, praticamente não atuou, com Eduardo Baptista no comando.

 


Leão revela motivos da sua saída da Lusa: “era voluntário, não funcionário”
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Alexandre Praetzel

Emerson Leão deixou a gerência de futebol da Portuguesa, dois meses depois de assumir como voluntário do clube. Voltou à Lusa para ajudar o presidente Alexandre Barros, mas saiu após algumas discordâncias. Leão acha que a Portuguesa tem solução, se houver humildade e trabalho a médio ou longo prazo. Em entrevista exclusiva ao blog, Leão revelou a principal causa da sua saída e pediu torcida pelo técnico Estevam Soares e pelo presidente Alexandre Barros. Leia abaixo:

Saída da Lusa

“Aconteceu, infelizmente, minha saída da Lusa. Não concordei com algumas atitudes, de algo que já era acertado previamente com o presidente. Como dizem, os incomodados que se mudem. Ele ligou várias vezes pedindo para eu voltar. Está querendo acertar, é muito jovem. Mas eu tenho meus princípios. Ele reconheceu erros e pediu minha volta. Fico chateado pela Portuguesa estar desse jeito. Eu fui lá fazer um trabalho voluntário. Foi mesmo por discordância. Para minha surpresa, estava viajando, voltei e vi o time na zona de rebaixamento. Uma pena. Torço agora para que o Estevam Soares acerte, ele conhece a Lusa. Não posso admitir que a Lusa continue assim. Desejo felicidades ao presidente. Meus dois meses foram tranquilos. Algumas coisas não fluíram, não foram como combinado. Meu carinho pela Portuguesa não mudou e torço para o presidente, mesmo dentro da sua juventude. Que vá melhorar e ele, aos poucos, vai se recuperando”.

Causa da saída

“Sucessão de fatos que eu não concordava. Tinha autoridade para não concordar. Não gosto de injustiças, mas foi uma série de coisas. Não deixei de ser amigo do presidente. Nunca contratei ninguém, estava lá como voluntário, não como funcionário. Seria inadequado se tomasse alguma posição,. Me relacionei bem com o técnico Tuca Guimarães, mas infelizmente chegou o momento de tomar decisões”.

Portuguesa tem jeito?

“Acho que tem jeito, mas não a curto prazo. Tem que fazer revisão geral. Acertar suas linhas, resolver seus problemas do passado, que são muito grandes. Pesam muito para o novo presidente. O Alexandre não sabia a dimensão do problema. Sofro com ele. A Lusa não se preparou para perder os cardeais. Tem umas cabeças boas com grandes projetos. Concordo com algumas coisas. Mas a curto prazo, não vejo melhorias. O CT é ótimo e o estádio também, precisando de modernidade, claro. Uma coisa que me aborreceu. Tiraram três jogos do Canindé porque estavam vendendo as datas para outros eventos. São 19 jogos na A2, nove em casa e dez fora. Você tira mais três dentro de casa e fica atrás dos teus concorrentes. Não concordei e bati o pé e ele também. Estávamos abertos a ajudar e outros clubes também. O Palmeiras cedeu um jogador de 19 anos, conhecido do Tuca, um zagueiro pela esquerda. Não sei o nome. O menino chegou lá e o presidente disse que não ia treinar porque tinham quatro vagas de inscrições e uma ordem do presidente para preencher com jogadores para serem titulares. Se ele não vai ser titular, o presidente está certo, porque só tinham quatro vagas. O Tuca reclamou, mas o presidente estava certo. Liguei para o Cícero Souza, gerente do Palmeiras, e agradeci. Para minha surpresa, três dias depois, chegou o Rico, 36 anos, do Bahrein, mandado pelo presidente. Não, da mesma forma do outro, também não vai treinar. Os atletas não têm culpa. Foi a gota d’água. Com humildade e reconhecendo que a situação é ruim, sem dinheiro e com tudo penhorado, no dia a dia, a gente pedia coisas mínimas para o clube funcionar. A colônia portuguesa é maravilhosa. Estou pronto para ajudar. O Estevam me ligou e estou pronto para ajudar, mas sem estar presente. O voluntário é passageiro, não eterno. O ranço interno tem que ser desfeito. Todo mundo precisa apoiar o presidente. Tem gente que gostaria de ajudar, mas estão desconfiados em ajudar”.

Capacidade do time da Portuguesa

“Não discuto. Um pode treinar de um jeito e outro treinar de outra maneira. O Estevam já treinou a Lusa e o presidente deve tê-lo procurado por causa disso. Não indiquei Estevam. Ele me agradeceu, mas não indiquei. Antes, com o Tuca, vimos uns jogos da base. O Tuca não aproveitou ninguém da base. Não que ele não quisesse, ele achou que não havia mérito para isso”.

Goleiros do São Paulo

“Passei por lá em 2011. Já no meu tempo, pedi a contratação de um goleiro para substituir o Rogério Ceni. Falei o seguinte. Vamos trazer um menino de 20 anos para baixo, para ver o Ceni jogar. Ele vê, assimila e no próximo ano pode ser titular. O Adalberto Batista, diretor de futebol, não quis contratar porque ele não gostava dos jogadores. Indiquei o Neto, do Atlético-PR e atualmente na Juventus, Giovani e Renan Ribeiro, ambos do Atlético-MG. Depois que eu saí de lá, eles contrataram um dos três (Renan) que eu indiquei. O Denis não conseguiu a titularidade. Não significa que não tenha qualidade, mas parece que não confiam mais nele. Se teria que contratar, hoje o treinador RCeni passa um crivo muito grande para o seu goleiro. E o próximo também será terá que ser referenciado pelo treinador, um ex-goleiro ídolo do clube”.

A Portuguesa está em 15º lugar da Série A2 do Paulista com dez pontos. Hoje, estaria rebaixada para a Série A3. Faltam nove rodadas para as definições dos quatro classificados às semifinais e os times rebaixados.

 

 

 


Marco Aurélio Cunha vê Ceni pronto para o sucesso e reeleição de Leco
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Alexandre Praetzel

Marco Aurélio Cunha deixará o São Paulo, após a disputa da Flórida Cup, em janeiro. O dirigente vai se dedicar ao trabalho no futebol feminino da CBF. Em entrevista exclusiva ao blog, Marco Aurélio projeta 2017, vê Rogério Ceni pronto para ter sucesso e acredita que Leco mereça ser reeleito na presidência do clube. Acompanhe abaixo.

Projeção para 2017

“Eu acho que o São Paulo vai abrir uma janela de oportunidades. Muito se falava no passado, Muricy não dava muita atenção à base, mas era time tricampeão brasileiro. Sempre digo, quando um time é campeão, tem uma placa na porta: não há vagas. Quando um time tem posições ruins no campeonatos ou sofre muito, muda a placa: há vagas. Então, se você tiver além das vagas, jogadores competentes, certamente você vai saber desfrutar disso. Ninguém promove a base por decreto, não é lei. Você promove quando tem elementos suficientes para isso. São Paulo teve três grandes gerações de jogadores da base, que antecederam esta. Foi lá em 84 com os “Menudos do Morumbi” com Silas, Muller, Sídnei, Vizolli, Manu, uma série de jogadores, uns com maior projeção, outros com menor, mas que vieram todos juntos, Nelsinho já tinha subido, Márcio Araújo, enfim, era um time de muito menino bom. Depois em 93, 94, Juninho Paulista, Caio, Edmílson, Denílson, próprio Rogério Ceni veio desta turma, uma nova geração virtuosa. Veio 2002 com Júlio Batista, Kaká, Fábio Simplício, Alexandre, Jean, também com muito destaque, lateral-direito Gabriel, também muito boa. E essa agora, 14 anos depois, é a melhor geração que o São Paulo já teve ou terá até o próximo ciclo com David Neres, Lucas Fernandes, Pedro, Luiz Araújo, Artur, Tormena, zagueiros da Sub-18, temos o Lucão, que ainda a torcida reclama, mas para mim é um dos melhores zagueiros do São Paulo. Tem o lateral-esquerdo Júnior, muito bom, que veio do Grêmio. Tem o Foguete, Auro. Nós temos uma porção de jogadores bons, que eu acredito muito, que junto com alguns protagonistas, tem agora o Wellington Nem para dar uma força maior. Temos alguns orientadores como o Lugano, pelo menos por mais seis meses. Sidão como goleiro que vem agora. Há mais duas ou três contratações que serão feitas. Tem uma defesa também com Rodrigo Caio, de uma geração importante. Eu acho que é um São Paulo novo, que vai ter altos e baixos, mas depois se consolida”.

Saída do São Paulo

“Eu não permaneço. Esse ano é um ano difícil. Eu quero ter uma isenção importante neste período de eleições porque eu não quero ser alvo de qualquer tipo de ambiente hostil. Eu tenho lá meu compromisso com a CBF, que foram 90 dias de licença. Até vou à Flórida Cup, vou estar de férias, passar por lá, vou ajudar o Rogério de alguma maneira, neste começo, mas assim de gosto. Mas não devo continuar porque essas eleições de abril podem trazer novos rumos ao São Paulo ou o próprio presidente Leco seguir, mas o futuro dirá. Neste momento, minha missão no São Paulo termina. Eu continuo ajudando neste final de ano com contratações, conversando com a diretoria para que possa dar continuidade nestes três meses. Em janeiro, tem a Flórida Cup e a pré-temporada e no dia 20, eu já volto à CBF”.

Rogério Ceni

“Eu acho que é um ponto de interrogação porque é tudo novo. Ele sabe que é novo, eu sei que é novo. Agora, é uma interrogação com uma resposta quase pronta de sucesso. Qualquer treinador que pudesse vir ao São Paulo neste momento, não conheceria profissionais e jogadores da base, o que foi feito no clube, a história, a política do clube, o bem-estar. Então, esse tempo de adaptação que um treinador teria, como foram os estrangeiros, que Osório veio, foi bem, foi mal, foi embora. Bauza veio, fez uma Libertadores de guerreiro, chegando nas semifinais, um resultado extremamente meritório, mas não sobrou muita coisa. Foi embora também, toda programação foi deixada de lado pela escolha muito justa dele da sua seleção. Mas o São Paulo ficou à deriva depois destes dois treinadores saírem para duas seleções internacionais, de relevo, foram dirigir México e Argentina. A gente teve que se reestruturar. Veio o Ricardo Gomes, tentando fazer isso. Eu acho que ele ajudou muito, as pessoas não têm noção de quanto o Ricardo ajudou, embora tivesse uma rejeição de torcida muito grande. Ele pegou o São Paulo com seis jogadores negociados de meio e ataque. Ganso, Calleri terminou o contrato, Kardec foi vendido, Centurión foi para o Boca, Kiesa foi negociado e o Rogério foi para o Sport. Então, são seis jogadores do meio para a frente. O São Paulo teve uma ótima zaga, que garantiu entre as melhores zagas do campeonato e um ataque razoável, até porquê, Cueva se afirmou no final, todo estrangeiro demora para pegar. Buffarini também, agora está jogando bem. O próprio Chavez, de altos e baixos, é um cara que fez gols, joga bem pelo lado esquerdo. Demorou para a substituição fazer frente a sua necessidade. Isso incomodou muito o trabalho do Ricardo, não deu para ele ligar o trabalho como deveria. No final, a gente entendeu que precisava de uma mudança radical, de nível mesmo, de conhecimento do São Paulo, de ser uma pessoa que está com toda vocação disposta a trabalhar pelo São Paulo. Tem o sonho, a fantasia, responsabilidade. Então, eu acho que isso é algo muito maior que só um técnico, Um treinador que viesse, viria como todos os outros. Vim, vi, passei e fui. Esse não. Esse tem o que dizer. tem o porquê ficar, lutar pelo clube, é a história dele que está em jogo. Isso para nós vai ser um benefício”.

Presidente do São Paulo um dia

“Não tenho mais ideia fixa, não. Eu só seria presidente do São Paulo numa situação de que as pessoas entendessem, que pudessem juntar todas as linhas correntes políticas do São Paulo. Todos participassem, todos tivessem, fazer uma seleção dos melhores. Claro que há muitos bons, não caberia todos, mas que fosse uma seleção mesmo qualitativa para compor uma diretoria. O melhor jurista, melhor economista, professor, enfim, e aí fazer uma gestão. Eu não vou brigar com meus amigos por conta de posto. Ser vaidoso, se eu não for presidente, minha história não se conclui. Bobagem, minha história está feita. Eu continuarei ajudando o São Paulo, qualquer que seja o presidente, se precisar de mim, irei lá colaborar da forma como for possível. Não tenho a vaidade de ser, teria talvez o gosto por conta de uma união dos melhores. Agora, se ficar essa guerrinha interna, entre ala A, B, C e querendo arrumar algum nome, com dificuldade para encontrar e que não conhece futebol, a maioria não conhece. Então, eu fico preocupado com o São Paulo, mas eu vou apoiar qualquer um que tiver lá”.

Modelo de gestão faliu

“É injusto falar que está falido porque este modelo fez clubes serem centenários. Eu acho que ele está em extinção, aí sim. Porque falido se ele tivesse quebrado, clubes alguns sim. Mas quais são as empresas que são centenárias no país? Vejo quebrar bancos, grandes magazines, conglomerados financeiros, lojas de automóveis famosas e o futebol continua íntegro. Talvez porque o futebol seja visto como uma Santa Casa, pode dever quanto for que aparece alguém, põe dinheiro, ressuscita, tem um sentimento quase pátrio, talvez até maior. Então, isso sustenta o futebol. Agora, se ele fosse gerido com competência administrativa, mais frieza, menos rancor entre os clubes. Você vê as Ligas, O pessoal critica a CBF, tenho vivido a CBF, acho que ela evoluiu profundamente tecnicamente neste período todo, com pessoas bem colocadas lá em lugares estratégicos como competições, a parte de programação dos clubes, licenciamento, registro, acho que tem sido um trabalho bom. O clube não consegue fazer uma Liga. Faz uma Liga, não sabe nem que tem que arrumar bola para a Liga. Isso eu ouvi. Então, as Ligas não têm relação entre um clube e outro é péssima. O clube A não fala com o B. Como é que eles vão dominar uma Liga, impressionante. É amador. A relação é muito mais conflituosa do que assertivas. Tem que ter uma entidade que seja moderna, como tem a CBF, que administre essa coisas que os clubes não sabem. O clube está realmente mal administrado. O Flamengo tem um momento bom de reconstrução, presidente Bandeira de Mello tem trabalhado muito bem, tenho acompanhado lá no Rio. Fluminense tenta também melhorar, mas você gigantes como o Inter cair, o São Paulo que passou apertado, não vou tirar da relação, não de descenso, mas de risco. Dos 20 clubes que disputam a Série A, só quatro que nunca estiveram na Série B. Como pode essa oscilação? É por que o futebol é bem gerido ou mal gerido em relações temporais? Acho que é mais porque é mal gerido. Têm grandes picos e depois grandes derrocadas. Isso não é uma linha contínua de trabalho. A gestão de clube tem que ser aprimorada. Quando se fala em profissionalismo também, não é colocar o gerente da empresa lá, que nunca viu futebol, é outro caminho no futebol e agora fala que vai tomar conta das contas e não pode gastar aquilo, isso. Não é assim. Futebol tem toda uma simbologia. Tem que ter alguém que conheça futebol, gerido com critério de não mandar o cara embora porque a torcida pediu. Não mandar o técnico embora porque pediram. Conservar aquilo que é bem feito, estimular boas práticas. Se a gente conseguir isso, o futebol melhora muito. Acho que a gestão está em extinção”.

Leco merece ser reeleito

“Pelo sofrimento que ele passou e pelo que ele pegou, até acredito que sim. É óbvio que há também outros grupos lutando pela posição e que poderão ter direito a mudar o São Paulo. Eu acho que as mudanças radicais só pioram. São Paulo precisa conciliar para fazer uma gestão de todos para poder prosseguir com Leco, com outro, mas uma gestão de todos. Essa gestão de briga de faca que parece ser elegante no São Paulo, mas no íntimo não é, eu acho que não é boa”.

Reforços

“Eu acho que pelo menos mais dois ou três. Mas bons, não aquela porção de jogadores medianos, que passaram por aqui, por ali, por lá e que de repente fizeram um ano com pico de performance, aí vem o sujeito oferecer ao São Paulo por uma fortuna por esse pico. Eu discuto muito isso lá e com o Rogério já conversei com ele. Rogério é muito perceptivo nisso. Eu acho que o São Paulo, com cinco jogadores que foram do ano passado para cá e com os meninos, monta um time competitivo”.

Michel Bastos não deu certo

“Ele deu certo até a Libertadores. Deixou de dar, depois, porque a torcida é exigente. Ele talvez não tenha sabido se comportar com essa exigência. Teve uma postura de conflito com o torcedor, comprou uma briga tola, que é a briga que todo jogador deve evitar. É que nem internet. O cara te xinga, enquanto tem centenas de boas pessoas falando com você. Se você replicar o xingamento, você é alguém, ele não. Ele repercute isso como se você fosse o pior cara do mundo. Você não tem o direito de rebater nem uma ofensa no futebol. Você tem que ficar quieto e ir embora porque ela repercute cada vez mais se você rebater. Então, é burrice rebater torcedor. Deixa que no dia seguinte, ele está na porta pedindo um autógrafo ou uma camisa do próprio jogador. Então, talvez essa falta de discernimento e tranquilidade, tenha feito com que ele tivesse criado esses atritos e talvez até se desestimulado a jogar pelo São Paulo. A invasão do CT também foi ridícula. Não é possível que alguém que goste do clube, faça aquilo, desmoralizar sua casa. Invadir o CT é bater na mãe. Não é possível que alguém bata na mãe porque ela tem qualquer culpa”.

Michel Bastos no Palmeiras

“Não ouvi nada sobre isso. Rumor sim. Coisa oficial, não. Então, não sei. Honestamente, não sei o que vai ser do Michel Bastos. Nós temos uma proposta encaminhada com ele. Alguns clubes falaram, mas ninguém fortemente veio falar sobre isso. Vamos ver. Ainda temos uma tratativa a fazer com seu empresário”.

Time sem alma

“Eu acho que o excesso de títulos faz com que a torcida fique extremamente exigente e o jogador um pouco acomodado. O clima é de muita tranquilidade, muito oba-oba, todo mundo feliz, a porta cheia de torcedor pedindo autógrafo. Isso talvez tire do atleta que não é um profissional 100%, que não tenha aquele rigor que o Lugano tem, o Rogério tem, o Mineiro tem, se contente com aquela superficialidade. Aí, quando a coisa começa a apertar e apertar feio, ele começa a reagir contra, como se aquilo fosse uma agressão e não uma cobrança. A cobrança tem que existir, tem que ter nível, critério, ser correta. Agora, quando ela passa a ser agressiva, obviamente, perde o efeito e o jogador começa a ficar acuado. Então, na verdade clube grande é para jogador de personalidade grande. Personalidade pequena não combina com time grande”.

Rodrigo Caio e João Schimit

“Para o meu gosto, permanecerão. Eu tenho brigado com o João de forma afetuosa. Tenho mostrado para ele que ele pode sair do São Paulo para um grande clube do exterior como foi o Hernanes e não com uma mochila, procurando um clube, pegando um clube periférico da Europa. Rico ele vai ficar, dinheiro ele vai ganhar porque ele é bom. Agora, pode sair numa situação melhor. É aquela história. Eu estudo mais um ano e entro na melhor universidade. Deixo de estudar um ano e entro numa piorzinha. Essa análise que faço com ele de pai para filho. Mas ele passou por coisas no São Paulo, foi emprestado, teve qualquer ressentimento pela forma como foi administrado, eu diria não tratado e ele tem essa visão de sair. O Rodrigo quer ficar. Eu já propus para ele um aumento de salário e se houver uma proposta dessas que vêm e levam, não há o que fazer”.

São Paulo em relação aos rivais

“Eu acho que são ciclos. Não acho que eu abro o ano inferior ao Corinthians. Ao Santos, talvez, que fez um vice-campeonato. Acho que podemos dizer que estamos inferiores ao Palmeiras e Corinthians, pontualmente. Acabou o ano e já começa a briga com todo mundo zero a zero, os conflitos, o campeão quer ser campeão de novo e se não for, já começa a achar ruim. Então, o futebol é sempre o mesmo. São ciclos, momentos de glória de um mais enfraquecimento de outro. O importante é que essa alternância de poderes está mantendo os quatro clubes de São Paulo em alto nível. O São Paulo um pouco abaixo por colocações. Engraçado, falam que eu sou décimo, nunca fiquei na zona de rebaixamento, mas que nós ficamos ali por perto, mas ninguém lembra que é o quarto da América. Então, qual que escolho: quarto da América ou décimo do Brasileiro. Veja como é pontual. Até julho, nós estávamos para disputar uma final de Libertadores. Em dezembro, passamos por risco e terminamos em décimo lugar. É futebol. Não sei qual o parâmetro que eu sigo”.

O São Paulo se reapresenta no início de janeiro. Até o momento, foram contratados os atacantes Wellington Nem do Shaktar Donetsk da Ucrânia e Neílton do Cruzeiro, na troca pelo volante Hudson.


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