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Marcos Guilherme admite momento difícil, mas nega ambiente ruim no SP
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Alexandre Praetzel

O São Paulo tropeçou na Ponte Preta e permaneceu na penúltima colocação do Campeonato Brasileiro com 24 pontos. O tricolor tinha a vitória parcial de 2 a 0, na mão, mas permitiu o empate do adversário. Um péssimo resultado pelas circunstâncias da partidas e pela situação da equipe. O blog entrevistou Marcos Guilherme. O atacante chegou há pouco no clube, mas já sente os efeitos negativos do momento e da pressão sobre o elenco. Confira a seguir.

O que está faltando para o time? Parece que em alguns momentos, dá um apagão.

Sim, concordo. Acho que o psicológico está muito abalado porque estávamos com 2 a 0 no placar, um jogo extremamente controlado, a Ponte dando espaços… Então fizemos 2 a 0, era ficar com a bola e trabalhar, mas quando fizemos o segundo recuamos, demos campo para a Ponte e eles foram chegando, chegando. Aí com a expulsão, ficou mais difícil correr atrás. A gente estava um pouco cansado. Infelizmente, tomamos o empate.

O que dá para projetar com uma sequência contra Vitória e Corinthians?

Ah, o tempo está passando. Rodada a rodada a gente vem falando a mesma coisa, mas o tempo está passando. Então a gente tem de levantar a cabeça. O Lugano falou uma coisa bem legal no vestiário. Ou a gente abaixa a cabeça e deixa eles pisarem na nossa cabeça ou a gente levanta a cabeça, coloca o peito à frente e sai dessa. A gente tem duas opções. Cabe a nós decidir qual delas é a melhor.

O ambiente está ruim no vestiário, com a troca de farpas entre Cueva e Rodrigo Caio?

Não estou sabendo disso que você falou. Tem de ver o que aconteceu, mas o ambiente não é ruim. A gente tem conversado dia-a-dia, é palestra, é tudo, é mudança de treinamento. Então, é no jogo que está o problema. Tem de se doar mais, tem de vencer, vencer.

O problema do São Paulo não é emocional?

Eu acho que sim, um pouco que sim, porque 2 a 0 na frente, o jogo controlado, a gente não podia ter tomado dois gols da forma que foram. Então, o emocional pesou um pouquinho e isso não pode acontecer num momento como esse. Nós sabemos que quando a fase é ruim, as coisas ruins vêm de uma forma muito intensa. Não creio que o São Paulo vá viver o ano inteiro numa fase ruim. Nunca vi disso. Tem uma fase, mas passa. Nossa fase vai passar, creio nisso. Tem de treinar e trabalhar para sair logo.

Você vê sinais hoje de que o São Paulo está mais próximo do rebaixamento?

Não, claro que não. A preocupação é que, rodada a rodada, o campeonato está passando e a gente tem de vir aqui explicar todo jogo. Então, não pode. A gente tem de vencer o quanto antes para poder mudar o discurso, subir, sair dessa, para poder respirar. Realmente, é preocupante.

Marcos Guilherme tem dado conta do recado. Disputou sete jogos e marcou três gols. O São Paulo volta a atuar, domingo, contra o Vitória, em Salvador. É um confronto direto porque os baianos têm 26 pontos, dois a mais que o tricolor.

 


Só a força da torcida, não salvará o SP. Time não reage na pressão
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Alexandre Praetzel

Estive no Morumbi para acompanhar São Paulo e Ponte Preta. Novamente, a torcida tricolor deu um show, apoiando o time, durante os 90 minutos. O São Paulo fez um bom primeiro tempo e mereceu a vantagem, com bonito gol de Hernanes, cobrando falta. A Ponte Preta não ameaçou em nenhum momento.

No segundo tempo, quando o São Paulo fez 2 a 0, em gol de Bruno Alves, na falha do goleiro Aranha, o jogo parecia liquidado. Comentei com um colega, que o resultado poderia determinar a saída de Gilson Kleina, pressionado na Ponte. Afinal, o São Paulo estava encostando na própria Ponte Preta, na parte de baixo da classificação.

Aí, num lance, tudo mudou. A Ponte descontou no pênalti cometido por Jucilei e cresceu com a expulsão do volante. Com um a mais, a Macaca tomou conta da partida e transformou o Morumbi num cenário de apreensão e temor para os são-paulinos. O empate parecia questão de tempo e chegou com cabeceio fatal de Léo Gamalho. Antes, o centroavante já tinha exigido grande defesa de Sidão.

O resultado acabou sendo justo pelo que as duas equipes fizeram, quando tiveram oportunidades. Agora, com dez, Dorival Jr. demorou a recompor o meio-campo e ficou sem velocidade para o contra-ataque. Marcinho entrou, quando Gomez deveria ser o escolhido, para fortalecer a marcação e impedir o domínio da Ponte. O São Paulo ficou acuado e não teve saída de jogo.

Já vi grandes times serem rebaixados e o São Paulo mostra sinais claros de queda. A equipe tropeça contra concorrentes diretos e é forçada a buscar pontos diante de adversários muito mais qualificados. Hernanes carrega o São Paulo nas costas e os demais parecem anestesiados em momentos de pressão.

Para piorar, a troca de farpas entre Rodrigo Caio e Cueva, só revela como o ambiente interno não é legal, mesmo que Dorival e Hernanes tenham minimizado o episódio. Nestas horas, bons jogadores viram mais ou menos e os razoáveis se transformam em ruins. Fato é que o São Paulo luta, corre, mas empaca no Z4. Tem time para não cair, mas outros também tinham e foram rebaixados. Parece que chegou a hora do tricolor. Só a força do torcedor, não salvará. A ver.


Cueva é supervalorizado. Meia peruano precisa provar que é útil ao SP
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Alexandre Praetzel

Cueva virou debate no São Paulo, após atuações irregulares no segundo semestre de 2017. O peruano chegou ao Tricolor depois de ter bons desempenhos pelo Toluca-MÉX, na Libertadores da América, em 2016. Custou quase R$ 9 milhões e determinou a saída do ex-diretor de Luiz Cunha, contrário ao investimento na ocasião. O negócio foi encaminhado pelo ex-gerente de futebol, Gustavo Oliveira.

Particularmente, sempre achei Cueva supervalorizado. A carência no surgimento de novos valores no futebol brasileiro transformou jogadores sul-americanos em grandes reforços. E nem sempre é assim. Cueva foi bem no começo e se destacou no time médio do São Paulo, no Paulista de 2017. Depois, com confrontos mais difíceis pela frente, caiu muito de produção. Os torcedores que o defendiam passaram a vaiá-lo e o peruano mostrou falta de comprometimento em algumas partidas. Na seleção nacional, Cueva mostrou muito mais dedicação em relação à sua postura no clube.

Nesta semana, Rodrigo Caio elogiou o companheiro, mas lembrou que ele ''também precisa se ajudar'', num claro recado de que o grupo não passará a mão na cabeça caso Cueva não demonstre vontade em campo. Dorival Jr. o relacionou e deve confirmá-lo na reserva para enfrentar a Ponte Preta, neste sábado. É uma boa hora para Cueva calar a minha boca e a de outros críticos, caso seja utilizado.

Cueva já disputou 57 jogos e marcou 15 gols pelo tricolor. A média não é ruim, mas as últimas atuações deixaram muito a desejar. Quando Rogério Ceni foi demitido, o auxiliar Pintado deixou Cueva de fora do jogo seguinte, contra o Santos, por deficiência técnica. O empresário do atleta chegou a dizer que havia a possibilidade de Cueva ser negociado, por estar insatisfeito com o tratamento recebido.

Agora, veremos se Cueva tem capacidade de dar uma resposta positiva e retomar o futebol que chamou a atenção dos dirigentes são-paulinos. Hoje, é apenas mais um, num momento onde todos precisam aparecer.


Fábio merecia ser lembrado para a Seleção Brasileira. Há muito tempo
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Alexandre Praetzel

Assisti atentamente ao primeiro jogo entre Flamengo e Cruzeiro, na final da Copa do Brasil. Um confronto de muita pegada e pouca emoção. Algo normal em partidas tão decisivas. E nas raras chances ou finalizações a gol, apareceram os goleiros. E aí, cito Fábio, titular do Cruzeiro, desde 2005. Há quem diga que ele falhou no gol impedido do Flamengo. Não achei. E ainda mostrou segurança quando exigido, aparecendo na hora certa.

Fábio começou 2017, retornando de lesão e foi reserva de Rafael, até recuperar-se totalmente. Mano Menezes não pensou duas vezes em retorná-lo à condição de titular, quando achou necessário.

Fábio tem 716 jogos pelo time mineiro e não foi mais convocado para a Seleção Brasileira, após estar nos grupos da Copa das Confederações, em 2003, e Copa América, em 2004. Nos dois torneios, o Brasil era comandado por Carlos Alberto Parreira. Dunga, duas vezes, Mano Menezes, Luiz Felipe Scolari e Tite, chegaram ao selecionado e não chamaram o goleiro, mesmo com desempenhos em alto nível pelo Cruzeiro.

Sou defensor de Fábio e gostaria de vê-lo na Seleção, assim como Emerson Leão, técnico e especialista na função, com quatro Copas do Mundo no currículo. Sempre estranhamos tantas ausências. Um dia perguntei ao próprio Fábio, a razão de não ser lembrado e a resposta foi direta: ''Não sei. Minhas atuações estão aí para mostrar'', afirmou, na ocasião, após um jogo contra o Corinthians, no Pacaembu.

Nos bastidores do futebol, já ouvi coisas como ''muito religioso'' e ''complicado de vestiário'', versões e boatos que surgem para rotular alguém ou agradar a quem não gosta do atleta. Um profissional que tem mais de 700 partidas pelo mesmo clube e dono da posição em 12 temporadas, merece muito respeito e crédito.

Por isso, sigo sem entender. Por que Fábio não é chamado para a Seleção? Se jogasse num time de Rio-SP, a tolerância seria maior? Fato, é que Fábio é mais um injustiçado no futebol brasileiro. Azar da Seleção.


Filho de Dorival Jr. prevê carreira solo e nega atritos com jogadores
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Alexandre Praetzel

O São Paulo trocou a comissão técnica para livrar o time da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Rogério Ceni e seus auxiliares estrangeiros deixaram o clube e Dorival Jr. assumiu, com o filho Lucas Silvestre como seu braço direito. Em entrevista exclusiva ao blog, Lucas falou do desafio de trabalhar com o pai, as cobranças da função, relacionamentos no vestiário e o futuro provável como treinador. Confira a seguir.

Como é trabalhar com o pai? O nível de cobrança aumenta ou diminui?

Como tudo o que acontece conosco, tem os dois lados. Se por um lado, eu pude ter uma facilidade maior para entrar no futebol e Trabalhar com o pai, me dá uma liberdade muito grande para poder introduzir pensamentos e exercícios, que eu não teria com outro treinador. Além de termos uma proximidade muito grande para podermos trocar ideias e fazer correções. Por outro lado, muitas vezes sofro com uma cobrança absurda que um profissional normal, na mesma área, não sofreria. Porém, eu sou uma pessoa que me cobro muito e busco um aprimoramento e aperfeiçoamento a cada dia, fazendo com que esteja sempre me corrigindo e melhorando sempre.

Existem prioridades diferentes no trabalho? Tu cuidas de alguma área específica?

Nós temos uma comissão técnica muito forte. Somos em quatro pessoas e cada um é muito forte em uma área importante para que a engrenagem funcione, sendo que todos são muito bons na parte mais importante do futebol, que é o relacionamento. Lidar com pessoas. O Celso(Rezende, preparador físico) é muito bom na parte física. O Leonardo(Porto, auxiliar técnico e analista) é o melhor que eu trabalhei, juntamente com o Maurício Dulac(ex-analista da Seleção Brasileira), na parte de análise de adversários e montagem dos treinamentos. Eu gosto da montagem dos treinamentos, planejamento da semana e execução dos treinamentos. Dorival consegue englobar todas essas características e com o diferencial na parte tática. E o diferencial da comissão do Dorival, acaba sendo o relacionamento com atletas e funcionários do clube, onde ele cobra e preza muito por isso. Minha função e do Leonardo é programar a semana, buscar exercícios que se encaixem no ponto que queremos dar ênfase e melhorar na semana, levando ao Dorival para que ele aprove ou altere alguma coisa. Durante os treinamentos, todos supervisionados por ele, eu atuo na execução do exercício e ele observa o trabalho e pontua as correções. Até no livro do Ferguson, ele fala que a partir do momento que ele saiu da execução, ele passou a enxergar os treinamentos de uma outra maneira e se atentar ainda mais ao que os jogadores necessitam. É exatamente isso que acontece conosco.

Como os jogadores te tratam? Alguém já te enxergou como o ''filho'' e evitou grande contato?

Eu sempre tive um relacionamento muito bom com os jogadores. Obviamente que quando você chega ao clube, o fato de você ser filho do treinador, acaba gerando uma desconfiança. Mas ela logo se acaba, pois os jogadores percebem que eu sou alguém como eles, que não existe sacanagem da minha parte e que minha função não é ser ''leva e traz'', e sim, alguém que irá ajudá-los a serem atletas e seres humanos melhores, após a minha chegada. Hoje, sete anos após minha primeira oportunidade, a desconfiança inicial é muito menor. É normal que quando você chega em um novo clube, os atletas que aqui estão, já conversaram com os amigos do clube anterior, e graças a Deus, até hoje as referências que os atletas passam, são boas e acabam fortalecendo ainda mais o trabalho.

Qual tua especialização?

Sou formado em Educação Física, tenho diversos cursos no currículo e estou aguardando algum dos nossos cursos para treinador de futebol serem reconhecidos pela UEFA, para que eu possa fazê-lo. Infelizmente, o treinador brasileiro está muito atrás dos treinadores dos outros países, por esse motivo. Não temos um curso no Brasil, que seja válido na Europa, onde até os treinadores argentinos possuem e nós, não. Mas minha maior especialização e que nenhum curso nunca me dará, é a prática no campo, a vivência no dia-a-dia, que cria situações diferentes para serem resolvidas em todos os momentos. Mas sou uma pessoa que busco conhecimento e estou o tempo todo pesquisando novas informações, como treinamentos novos, táticas diferentes, tentando encaixar no nosso trabalho.

Como vês o ambiente no São Paulo? Petros citou ''mudança de caráter''

Primeiro gostaria de falar como eu vejo o São Paulo FC. Um clube com uma organização absurda, onde tudo funciona. Com uma comissão técnica e um grupo de apoio disposto a fazerem tudo para o trabalho funcionar. Quando isso acontece, as coisas não podem dar errado. O presidente nos deu total apoio e respaldo, junto com o Vinícius, que na minha visão, é um dos melhores executivos do Brasil hoje, mesmo com pouco tempo de profissão. O ambiente aqui é de indignação com o momento do clube, as pessoas sabem que um clube como esse não pode viver a situação que está vivendo e eu garanto que nós vamos tirar o São Paulo FC dessa situação. O Petros é um profissional exemplar, de um caráter imenso e está sentindo demais esse momento, e certamente será com esse espírito que saíremos juntos dessa situação.

Como auxiliar, em quanto tempo uma comissão técnica deve apresentar resultados?

Pergunta difícil essa. Porque meu pensamento é diferente do que acontece no Brasil. O mínimo que você consegue avaliar o trabalho de um treinador, são seis meses e não consigo entender como os dirigentes podem ter convicção na contratação do treinador em janeiro e em março ele ser demitido do clube. E o pior, os treinadores são contratados pelo momento que estão no mercado e não pela filosofia e DNA do clube, ou pela maneira como a equipe atua, ou até pela característica dos jogadores contratados. Por isso, a questão é difícil de ser respondida e vejo hoje um momento preocupante do futebol brasileiro. O Brasil sempre teve dificuldade defensiva e sempre teve na criatividade dos atletas, o seu grande diferencial. Hoje, as coisas mudaram, melhoramos nossa parte defensiva e estamos tendo uma dificuldade muito grande para propor o jogo. Tanto que no Campeonato Brasileiro, a maioria das equipes tem jogado esperando o erro do adversário e poucas buscando propor o jogo. Fico preocupado com o que irá nos acontecer em alguns anos.

Houve legado dos auxiliares estrangeiros de Rogério Ceni? Notaste alguma diferença?

Sempre há um legado quando algum treinador passa por um clube. O legado varia de acordo com o ponto de vista de cada profissional, com a maneira que você pensa o futebol. Eu não tenho capacidade para avaliar o legado que o Michael Beale e a comissão anterior deixaram, porque não fazia parte do trabalho deles, mas certamente, pelo que ouvimos, deixaram muitas coisas no São Paulo FC.

São Paulo escapa com antecedência do Z4 ou lutará até o final do Brasileiro?

Para esse ano, a luta do São Paulo FC, será contra o rebaixamento. Porém, saindo dessa condição este ano, os atletas que aqui estão, sairão muito fortalecidos e com uma ''bagagem'' muito grande para 2018. Os próprios meninos que estão subindo agora e vivendo essa situação de adversidade, estarão preparados para qualquer situação que aconteça no ano que vem. Não tenho dúvidas que sairemos dessa situação. Não sei precisar quando, mas sairemos e estaremos fortalecidos para 2018.

É verdade que já tiveste desentendimentos com Vecchio no Santos e Jucilei no São Paulo?

Essa pergunta é muito importante, porque a pior coisa que existe é você ser honesto e ter que provar sua honestidade. Como eu respondi anteriormente, Dorival preza muito pelo bom relacionamento por parte dos membros da comissão técnica. Quem tem que dar bronca ou se indispor com atletas é o treinador, e não o auxiliar. Em sete anos de futebol profissional, eu nunca tive nenhum desentendimento com atleta e valorizo muito isso. Mas, infelizmente, pessoas desonestas usaram isso para prejudicar o trabalho no Santos, que vinha sendo tão bem feito e alguns jornalistas, sem confirmarem as ''notícias'' que foram dadas a eles, sem ao menos telefonar para mim, para dar um direito de resposta. Soltaram essas informações mentirosas, onde no início, eu tive que ficar desmentindo e com o tempo, eu percebi que o melhor a se fazer é deixar que falem. O meu trabalho tem que ser reconhecido pelos atletas, é com eles que eu passo a maior parte do meu dia. O que mais me impressiona são as pessoas que compram essas ''notícias'' mentirosas e dão sequência na ''informação'', sem ao menos confirmar com a pessoa envolvida. Mas, respondendo a pergunta, não tive problemas com Vecchio, não discuti com Jucilei, o Renan não veio tirar satisfação comigo. Até o Renan, que é meu amigo desde 2010, conseguiram inventar uma discussão. Está na hora do jornalismo esportivo parar de ser programa de fofoca de bastidores e começarmos a discutir um pouco mais do que é o jogo em si.

Pretendes seguir carreira solo?

Pretendo seguir e vou seguir. Sempre tive o sonho e o desejo de ser treinador e minha busca todos os dias é por isso, aprendizagem e aprimoramento, buscando no futuro, seguir minha carreira como treinador. Porém, não tenho pressa para que isso aconteça. Estou em fase de preparação e preciso ainda vivenciar algumas situações importantes para que esteja preparado para assumir a função. Não coloco prazo e não vou passar por cima de ninguém para que isso aconteça. Tenho os pés no chão para deixar as coisas acontecerem.

Aos 29 anos, Lucas Silvestre foi auxiliar de Dorival Jr., na comissão técnica do Santos. O São Paulo é penúltimo colocado no Brasileiro, com 23 pontos. Precisa de oito vitórias em 16 jogos, para escapar do rebaixamento, sem precisar de resultados paralelos.


Tinga: “Final entre Cruzeiro e Fla foi um presente para a Copa do Brasil”
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Alexandre Praetzel

O Cruzeiro está pronto para decidir a Copa do Brasil, a partir desta quinta-feira, contra o Flamengo. O time treinado por Mano Menezes chegou à final, após eliminar São Paulo, Chapecoense, Palmeiras e Grêmio, adversários da Série A do Brasileiro. O blog entrevistou o gerente de futebol, Paulo César Tinga, a respeito do ambiente do grupo, a gestão atual e as comparações com o Flamengo. Acompanhem a seguir.

Cruzeiro está pronto para ser campeão?

A gente está pronto como o Flamengo também está. Quem chega numa final, é por mérito. Nós temos méritos porque tivemos uma caminhada maior. Ganhamos de São Paulo, Chapecoense, Palmeiras e Grêmio. Todas equipes que chegam numa final têm méritos, mas é natural que seja 50% para cada um, numa final.

Como defines o Flamengo hoje?

Uma equipe forte, que chegou forte na final, assim como o Cruzeiro. São duas equipes extremamente vencedoras por todas suas histórias. Sempre com muita história de títulos. Jogaram só a primeira divisão. Foi um presente para a própria competição, chegar com duas equipes de qualidade e tradição no mundo todo, reverenciadas por todas suas histórias.

Achas que o Flamengo tem desvantagem, por Rueda ter chegado agora?

Não vejo desvantagem. Não gosto de analisar time e clube dos outros. Como trabalho, não tenho como analisar. Posso falar do meu treinador, que chegou mais uma vez por méritos, com bom trabalho. Não quero entrar em detalhes. Seria injusto comparar, porque um está há um mês aqui e o outro teve o trabalho integral.

Houve uma acomodação no clube, após o bicampeonato brasileiro em 2013 e 14?

Eu acabei saindo, não vivi 15 e 16. É muito difícil de falar. Com experiência de gestão, ganhar um ou dois brasileiros, é muito difícil. É natural que no terceiro ano, haja uma queda de rendimento. Tem que ter um cuidado muito grande. É importante saber ganhar. Nas vitórias, temos a tendência de estarmos estagnados. Pode ter acontecido, porque acharam que era o suficiente para ganhar. Nove meses trabalhando na gestão, é mais difícil fazer futebol pós vitórias, porque pode haver um relaxamento. Viver na vitória é como educar os filhos. É mais fácil educar o filho na falta das coisas. Quando está sobrando, você tem mais dificuldade em educar.

A gestão joga o ano no torneio?

Não costumo ver desta forma. Você pode estar gerindo tudo errado, de repente ganha e acha que tudo está resolvido. O inverso pode acontecer. A gestão tem que ser analisada no final da temporada, pesar na balança e ver os frutos. Tem que ver no final e comparar com o ano anterior. Estamos numa final da Copa do Brasil e brigando para chegar na Libertadores, pelo Brasileiro. Chegar numa final, no mínimo, é porque o trabalho está sendo bem feito.

Tinga foi bicampeão brasileiro como jogador, em 2013 e 2014. Hoje, ocupa a função executiva, desde o início do ano. O Cruzeiro venceu a Copa do Brasil em quatro oportunidades: 1993, 1996, 2000 e 2003. Na última vez, bateu o próprio Flamengo. Na ocasião, era treinado por Vanderlei Luxemburgo.


Felipe Melo se acha maior que o Palmeiras. E a direção permitiu isso
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Alexandre Praetzel

Felipe Melo foi reintegrado ao Palmeiras e deu entrevista coletiva sozinho, sem a presença de ninguém da diretoria. Foi um ato estranho. Um jogador afastado, disparando algumas pérolas, com os símbolos dos patrocinadores ao fundo. Vai lá e responde, pareceu a combinação. E o conteúdo foi ruim. A declaração mais constrangedora foi: ''Um cara que tumultuava o elenco, digamos, você tirou a laranja podre e a tendência é voar, ganhar os jogos que vêm pela frente, as competições. Infelizmente, não foi isso que aconteceu. Então, o problema não é o Felipe'', afirmou.

Felipe acha que não errou, mesmo depois do áudio onde desclassificou o técnico Cuca. Deveria mostrar humildade e um pingo de arrependimento para seguir seu trabalho, normalmente. Internamente, se esperava um discurso de pedido de desculpas, deixando a Instituição sempre em primeiro plano. Felipe se mostrou soberbo, tendo que se explicar depois, via redes sociais. Tudo mal planejado. Não acredito que alguém da direção tenha gostado do produto final.

Há uma semana, o presidente Maurício Galiotte homenageou os jogadores da Academia do Palmeiras de 1972, no aniversário do Clube. Uma foto dos craques campeões daquele ano, de 72 a 2017. Uma justa celebração, onde ali se viu um esquadrão espetacular, onde ninguém se achava maior que o Palmeiras.

Felipe Melo deveria conhecer essa história e conversar com aqueles ex-atletas, super vitoriosos e respeitosos com o Palmeiras. Talvez, ele aprendesse a não se achar maior que o Verdão. E Galiotte poderia ter evitado esse constrangimento. Estamos em setembro, e o Palmeiras não para de acumular polêmicas. 2018 já deve ser bem pensado para evitar inúmeros erros.


Luan: “Palmeiras é o maior time do Brasil. Ninguém quer derrubar o Cuca”
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Alexandre Praetzel

A semana começa com o Palmeiras acreditando numa arrancada para ainda sonhar com algo maior, no Campeonato Brasileiro. Os jogadores acreditam na qualidade do elenco e na recuperação técnica da equipe, para encostar definitivamente, nos primeiros colocados. O zagueiro Luan acha que os melhores estão na Academia de Futebol e que todo mundo quer atuar pelo Verdão. O blog entrevistou o jogador sobre a retomada do bom futebol, o ambiente no clube e a busca por resultados imediatos, esperados pela torcida. Confira a seguir.

Palmeiras tem time para ficar em segundo lugar no Brasileiro, pelo menos?

Claro. Na minha opinião, os melhores jogadores estão aqui. As vezes, as coisas não acontecem, não encaixam, mas não é porque aqui ninguém sabe jogar, é porque as coisas não acontecem mesmo. Mas tenho certeza que a partir de um clássico, que te dá confiança, que você ganha, jogando bem, as coisas podem começar a acontecer para nós. Aproveitar que a gente tem esse tempo para trabalhar, entrosar, não sofrer esses gols bobos que a gente vem sofrendo e conseguir mais vitórias no campeonato.

No clássico contra o São Paulo, você jogou por toda a defesa?

Não. Não vejo assim. Todo o time tem os seus méritos. Aqui no Palmeiras é assim, o mérito é de todos, inclusive da direção e do treinador. Aqui não tem ninguém, como algumas pessoas dizem, de corpo mole, querendo derrubar o Cuca, o Mattos ou o presidente. A gente é muito amigo aqui, só que as vezes, as coisas não acontecem e as pessoas procuram problemas. Eu creio que resultado alimenta ambiente e só ganhando que a gente afasta essas coisas daqui.

Vitória em clássico é bom também para retomar convicções que ficaram abaladas com as eliminações recentes?

É óbvio. Os jogadores que chegaram ou os que estão aqui, querem mostrar seu trabalho. Eu sou um deles e os que estão aqui também querem permanecer jogando bem, porque o Palmeiras é a maior equipe do Brasil e todo mundo quer estar aqui, jogadores que atuam em outros times, querem estar aqui. A gente sabe que precisa melhorar muito ainda para buscar nossos objetivos na competição.

Há um arrependimento por vocês terem largado um pouco o Brasileiro?

Ninguém largou. É um campeonato muito difícil. É verdade que com mais cinco ou seis pontos, estaríamos buscando o Corinthians e se estivéssemos com cinco ou seis pontos a menos, estaríamos perto da zona de rebaixamento. O campeonato é muito difícil. Nós perdemos um jogo para a Chapecoense, que estava na zona e ganhamos do Sport, fora de casa, que estava mais acima. A gente não pode oscilar. Tem que manter uma regularidade boa e fazer grandes jogos para a que a gente possa ganhar.

O Palmeiras está na quarta colocação com 36 pontos, 14 atrás do Corinthians, sete do Grêmio e dois do Santos. O time enfrenta o Atlético-MG, sábado, em Belo Horizonte.


Nilmar vê Santos com time para ganhar a Libertadores e buscar o Corinthians
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Alexandre Praetzel

Nilmar voltou ao futebol brasileiro, depois de duas temporadas no Qatar e Emirados Árabes. Aos 33 anos, aceitou o convite do Santos para mostrar que ainda tem bola para ser titular de um grande time do país. Nilmar começou no Inter e foi campeão brasileiro pelo Corinthians, em 2005. Após alguns problemas clínicos, já fez sua estréia e espera ajudar a equipe a conquistar a Libertadores da América. O blog entrevistou Nilmar com exclusividade sobre a realidade brasileira, a escolha pelo Santos e o futuro na carreira. Confira a seguir.

Como vês o nível técnico do Campeonato Brasileiro, após um tempo no exterior?

Acredito que vem evoluindo pela fase que os clubes vivem hoje, não vendem jogadores como vendiam antes, jogadores estão retornando ao futebol brasileiro, investimento está sendo grande em alguns clubes e vem crescendo. Acredito que, quando eu iniciei, muitos jogadores saíam muito cedo. Hoje está sendo diferente, estão repatriando muitos jogadores e a qualidade está boa, no meu ponto de vista. Claro que a gente ainda peca um pouco a nível europeu, mas o nível melhorou bastante.

Você acha que o Santos tem time e elenco para buscar o Corinthians e o título da Libertadores?

No futebol, a gente vê tantas coisas acontecerem…Claro que o Corinthians tem uma vantagem, até mesmo anormal no Brasileiro. Acho que nunca um clube terminou o primeiro turno com tanta diferença de pontos, mas enquanto há chances, a gente não pode desistir não. Se o Corinthians tiver uma sequência grande de derrotas, coisa que a gente acha difícil pelo que vem fazendo, pode deixar escapar ainda e o pessoal que está atrás, pode encostar para dar uma animada e uma valorizada no campeonato porque ficou um pouco chato, 12 pontos na frente, antes de terminar a competição. Como eu disse, no futebol a gente já viu de tudo e pode ter uma reviravolta aí. Todos acham difícil, mas a gente não pode desistir não. Na Libertadores, a campanha está sendo fantástica, até agora, Está invicto, claro que agora na fase de mata-mata, já conseguiu passar pelo Atlético-PR, e tem grupo, elenco, time, acredito que em jogos de mata-mata, têm que chegar bem preparado e cuidar todos os detalhes para não deixar escapar. É bem diferente do Brasileiro, se você perde, tem tempo de recuperar, mas nesse tipo de competição você tem que estar com o nível de atenção muito elevado e o emocional muito bom, também, para conquistar esse título que todo mundo quer.

Sempre tiveste muito talento. Até que ponto as lesões impediram uma carreira maior em grandes clubes?

Na verdade, as lesões que eu tive, fazem mais de dez anos. Me atrapalharam no início, quando retornei delas. Falta de confiança, aquela coisa de você voltar a jogar futebol, desde muito tempo parado. Você tem um jogador muito acostumado a jogar e ficar seis meses sem atuar, é muito complicado no início. Mas eu superei isso e fiz uma carreira muito boa, aqui mesmo no Brasil, no Inter. Depois, tive passagens pela Espanha, Qatar, Emirados. Felizmente, nunca tive um problema mais sério de lesões e consegui ter uma carreira boa, até hoje, no momento. Mas, claro, naquele momento, com 21 anos, as duas lesões que eu tive, foram bastante difíceis para mim.

Por que você escolheu o Santos, no retorno ao Brasil?

Na verdade, o Santos me escolheu e eu acabei escolhendo o Santos, pelo fato das pessoas se interessarem e ser o clube que é. Acredito que é um clube muito sério, que tem história, que não tem comentário para fazer. Respeitado no mundo todo e ter a oportunidade de voltar a jogar num clube como o Santos, está sendo sensacional. Estou bastante motivado e confiante que vai dar tudo certo.

O que precisa mudar no futebol brasileiro para voltar a termos mais qualidade?

Aquilo que todos sabem, né. O pessoal de fora(risos). Acredito que a gestão está um pouco atrás. Lá fora, eu sei como é, e essa parte tem que se profissionalizar um pouco mais para que o futebol possa crescer. Tem que começar lá de cima, esse é o ponto ideal aí para que o futebol volte a ser o que sempre foi e ser respeitado. Agora, com a volta do Tite à Seleção, a Seleção começou a mudar um pouco nossa imagem lá fora.

Você acha que o Lucas Lima deve permanecer no Brasil ou buscar uma carreira no exterior?

É difícil dizer. De fora, cada um tem uma opinião e só o atleta vai saber o que é melhor para ele e as pessoas que trabalham com ele. Pelo pouco tempo de convívio com o Lucas, é um cara que é bem consciente das decisões dele e tem potencial para jogar em qualquer clube. Acho que dispensa comentários sobre isso. Claro que eu, chegando agora, como atacante, gostaria de jogar com ele, mas aí a gente tem que respeitar. Já estive na situação dele também e a decisão a ser tomada, não é fácil. Acredito que ele é inteligente o suficiente para tomar a melhor decisão.

Quais as principais diferenças entre os trabalhos de clubes e treinadores estrangeiros com os profissionais daqui?

Na verdade, já se inicia com o planejamento. Lá fora, você joga menos jogos. Você tem um calendário que já sabe no início da temporada, onde você vai jogar, quando, horário. Não tem aquela coisa de mudar do nada, então você já faz um planejamento. Tem a questão do torcedor, o carnê, que o pessoal, antes de começar a temporada, já tem seus assentos, seus lugares. Então, essa parte aí, eles estão na frente da gente. Pela cultura do futebol, aqui a gente não valoriza muito o treinador. O treinador perde um, dois jogos…Essa cultura nossa já está chegando lá também porque quando joguei na Espanha, também, estava se iniciando isso, treinadores saindo no meio da temporada. Lá, infelizmente, chegou isso, mas bem diferente daqui. Acho que é uma falta de respeito com o profissional, porque o cara é contratado, faz um ano de contrato, perde dois, três jogos e infelizmente acaba saindo, jogando toda a responsabilidade em cima do treinador. A gente costuma dizer que é mais fácil mandar um embora, do que 30 jogadores. Isso tinha que ser revisto e treinador brasileiro ser mais valorizado, como a gente valoriza o pessoal de fora, quando vem para cá.

O que você pretende fazer, quando deixar o futebol? Tem algo em mente?

Infelizmente, não(risos). Na verdade, ainda não pensei nessa parte do que eu vou fazer. Treinador, essa parte, eu não tenho perfil, não penso não. Mas por ter vivido muitos anos no futebol, possa aparecer alguma oportunidade para continuar no meio, mas a princípio, não tenho nada planejado. Estou ainda com 33 anos, então tenho que pensar um pouco. Acredito que no momento que para, você vai curtir um pouco a família e você acaba vivendo o futebol muito intenso. Quando eu parar, vou curtir a família e depois ver o que vai acontecer.

Nilmar fez apenas duas partidas pelo Santos, mas deverá ser mais aproveitado pelo técnico Levir Culpi, até o restante da temporada.

 

 


Torcida quer, mas Muricy nega convite do São Paulo para retornar ao clube
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Alexandre Praetzel

Torcedores do São Paulo estão debatendo nas redes sociais, uma possível volta de Muricy Ramalho ao clube. O blog conversou com o ex-treinador, a respeito do assunto, e esclarece a situação do momento.

''Tenho contrato com o Sportv, até o final da Copa do Mundo. Não fui procurado por ninguém. Muita gente me pergunta, mas não existe nada, nada. Tenho muitos amigos no São Paulo, mas até estou evitando em visitá-los para não ficarem falando. Já me chamaram para um café, mas não vou agora. Você sabe como é o futebol. Parece que a gente está forçando alguma coisa. Um dia, talvez, possa acontecer, mas hoje tenho contrato e estou trabalhando'', afirmou.

Muricy também revelou que falou com Dorival Jr., seu amigo pessoal. ''Falo bastante com o Dorival. Marcamos de tomar um café, mas vamos esperar um pouco'', ressaltou.

Há quem diga nos bastidores são-paulinos, que Muricy seria muito importante, por ter muita história e experiência no clube. Em 2013, o presidente Juvenal Juvêncio dispensou Paulo Autuori e reconduziu Muricy ao cargo, na segunda rodada do segundo turno do Brasileiro. Na ocasião, o São Paulo estava na zona de rebaixamento.

Agora, o time é 19º colocado com 23 pontos. O próximo jogo será contra a Ponte Preta, dia 09, no Morumbi. O mesmo adversário que Muricy enfrentou, quatro anos atrás.