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O desalento da torcida com Rogério Ceni e o time do São Paulo
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Alexandre Praetzel

Fui ao Morumbi para ver São Paulo e Corinthians, nas cadeiras numeradas do estádio, em meio a conselheiros e integrantes da diretoria, também. Uma chegada tranquila por volta das 18h15 e sentado no assento, vendo o movimento dos torcedores no estádio. Na entrada em campo, o São Paulo foi obviamente ovacionado pelos tricolores.

Bola rolando e o São Paulo começou mais incisivo e com posse de bola, mas apresentava generosos espaços para o contra-ataque corintiano. Luiz Araújo e Cueva recebiam e não conseguiam dar seguimento às jogadas, pela inabalável postura defensiva do Corinthians. Jô abriu o placar, impedido é verdade, em falha de Júnior Tavares, que permitiu o primeiro toque do centroavante na tabela com Rodriguinho e não acompanhou o adversário na finalização. Os murmúrios começaram entre os torcedores e a irritação com a falta de padrão do São Paulo foi ganhando corpo. Thiago Mendes, em chute forte de fora da área, e Pratto de cabeça, trouxeram uma esperança de empate na partida, mas Rodriguinho em conclusão rasteira no canto direito de Renan Ribeiro, silenciou o Morumbi. Vários são-paulinos reclamaram do goleiro, achando que ele falhou. Era uma bola defensável, sem dúvida.

Veio o segundo tempo e Gilberto foi fortemente aplaudido, quando entrou na vaga de Luiz Araújo. O São Paulo dominou, lutou, trocou passes, mas pouco ameaçou o goleiro Cássio. O Corinthians se defendia, fazia o tempo passar e tentava encaixar algum ataque. Aos 35 minutos, alguns torcedores começaram a deixar o estádio. O desalento tomou conta. O clássico terminou com Maicon de ponta-direita, Thiago Mendes cobrindo a defesa, Pratto pelo lado esquerdo e Jucilei tentando de tudo. Uma confusão em campo. O árbitro apitou o final e foi possível ouvir vaias e time sem-vergonha, em mais uma atuação muito fraca do São Paulo.

Sobrou também para Rogério Ceni. No meio da galera, você ouve bem mais do que fala. Comentários de que a equipe não tem nenhuma tática. Que Rogério insiste numa escalação equivocada e não acerta a defesa. Cícero foi o vilão, bastante criticado. O São Paulo mais uma vez deixou seu torcedor decepcionado e com pouca esperança para reverter a desvantagem de 2 a 0, no confronto de volta, em Itaquera. Claramente, grande parte dos tricolores não acredita no atual grupo e começa a se impacientar bastante com o treinador. Isso ficou claro para mim.

De vez em quando, é bom ouvir a voz das arquibancadas.


Rogério Ceni e o pensamento mágico são-paulino
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Alexandre Praetzel

Rogério Ceni pretende ser técnico do São Paulo em 2017. O presidente Leco abriu esta possibilidade, admitindo que a idéia é interessante, com Rogério podendo ficar seis meses ou seis anos no cargo. O mandatário tricolor sabe que não será uma aposta simples, apesar da idolatria da torcida e da aura de “mito” que carrega o ex-goleiro.

Particularmente, vejo como um pensamento mágico. A chance de dar certo é igual a de treinadores disponíveis no mercado como Roger Machado, Abel Braga, Vágner Mancini e outros mais experientes. Claro que Rogério é um grande profissional e obcecado por trabalho, vitórias e títulos.

Agora, começar logo no primeiro time tricolor, vejo como um risco desnecessário. Tudo porquê a cultura diretiva brasileira se baseia no resultado. Uma sequência de derrotas abala o maior ídolo de qualquer clube, no Brasil. Dirigentes não aguentam tamanha pressão e fecham os olhos e tapam os ouvidos para grandes nomes da história.

Falcão, Figueroa e Fernandão no Inter. Zico no Flamengo. Renato Portaluppi e De León no Grêmio são exemplos que eu me lembro, onde as diretorias não pensaram duas vezes, antes de dispensá-los. Acho que Rogério Ceni poderia ser um bom nome para as categorias de base e depois, naturalmente, assumir o elenco principal, com lastro e experiência. Afinal, estamos cansados de ouvir de ex-jogadores que a função de técnico é muito mais difícil de assumir.

A torcida estará ao lado de Rogério Ceni, que será muito maior do que qualquer direção. Suas entrevistas e seus treinos diários vão repercutir bem mais do que muitas decisões da cúpula são-paulina. Suportar a perda de espaço na mídia e administrar a vaidade de ficar em segundo plano, também serão desafios dos dirigentes amadores tricolores. Vamos aguardar os próximos capítulos.


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