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Tite tem que vibrar com gol da Seleção Brasileira e vaga na Copa do Mundo
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Alexandre Praetzel

Defendo a tese de que o presidente de um clube de futebol deve chegar no carro oficial e subir à Tribuna de Honra para assistir aos jogos de seu time. É o cargo máximo de uma instituição e o comportamento deve ser adequado ao cargo que ocupa. Vejo e vi mandatários misturados aos boleiros e vindo nos ônibus das delegações, em partidas como mandantes. Acho um equívoco. Os funcionários devem saber quem comanda e respeitar a hierarquia.

Acho que vale o mesmo para o técnico da Seleção Brasileira. O responsável pelo principal cargo do futebol nacional  tem que ser independente, enquanto comandante do selecionado.

Conheço Tite há 22 anos e acompanhei seu surgimento e a carreira como treinador. Sempre pautou sua trajetória por princípios e tratamentos igualitários com atletas, companheiros de trabalho e imprensa. Mas, sábado, na Arena Corinthians, Tite errou. Deixou seu lado torcedor aflorar e se entregou à emoção e ovacão da torcida.

Acredito que não deveria ter passado pela massa corintiana e subido direto para um camarote da CBF ou Federação Paulista, na chegada ao estádio. Deixaria claro que ali estava um ídolo da história do Corinthians, mas hoje técnico da Seleção. Sem agrados e preferências, sabedor da função que exerce e sendo reverenciado justamente.

Não. Foi para o camarote do presidente Roberto de Andrade e ainda vibrou no gol da vitória corintiana, marcado por Jô. Foi muito torcedor e isso gera debate e controvérsia. O treinador da Seleção pode torcer por algum time? Eu acho que não. Neutralidade e independência precisam determinar o comando. Qualquer outra atitude pode abrir insinuações.  O lateral Fágner sofre críticas nas convocações, mesmo sendo bom jogador.

Usei este exemplo apenas para ilustrar algo que permeia a mente da maioria dos “torcedores”. Sempre foi assim e assim será. Mesmo com um grande profissional como Tite. Que também tem defeitos, como todo ser humano.

Num país onde se compara tudo e todos, imaginem Dunga fazendo a mesma coisa? Seria massacrado pela mídia e opinião pública. Fato.


Sub-20 do Brasil dá vexame com time individualista e pouco coletivo
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Alexandre Praetzel

A Seleção Brasileira Sub-20 conseguiu a proeza de não se classificar para o Mundial da categoria, terminando com a quinta colocação no hexagonal final do torneio Sul-Americano. Um vexame do tamanho do continente.

Acompanhei quase todos os jogos do Brasil e não houve nenhuma grande atuação ou evolução de uma partida para outra. O time sempre tentou jogar individualmente, com pouco trabalho coletivo. A dificuldade em criar alternativas no confronto decisivo contra a Colômbia, escancarou as deficiências brasileiras. Todos querendo decidir sozinhos, quando bastava vencer. Muito ruim.

A responsabilidade é do técnico Rogério Micale. Convocou uma seleção mais física e não conseguiu achar uma formação ideal. O técnico campeão olímpico naufragou no Sub-20, quando não teve o apoio e ajuda de Tite. Isso ficou claro. Foi mais um vexame de uma gestão pobre da CBF, que só pensa em faturar, sem revelar atletas e disseminar o futebol pelo país de maneira organizada.

Do ponto de vista individual, o volante Maycon do Corinthians, mostrou qualidade. O atacante David Neres, negociado pelo São Paulo ao Ajax, tem categoria, mas queria resolver os lances, sem apoio dos companheiros. Falta um planejamento mais consolidado, deixando o futebol na mão de que entende, realmente.

Tite disse que o Brasil tem equipe para mais duas Copas do Mundo, naturalmente. Essa geração eliminada não indica isso. Um fiasco.


Jogadores compraram a ideia de Tite com o melhor técnico no comando
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Alexandre Praetzel

Muita gente acha que o astral num ambiente não influencia no rendimento das pessoas. Penso diferente. Quando todos estão voltados para o bem-estar e puxando para cima, a tendência é crescer sempre.

Assim, também vejo a Seleção Brasileira de Tite. Nada contra Dunga, mas tomamos gol de mão do Peru e fomos eliminados da Copa América, com um futebol digno de esquecimento. Ontem, o Peru dominou os primeiros 15 minutos e acertou a trave, na cara do goleiro Alisson. Usei este exemplo porque tudo mudou em 60 dias. E com poucas alterações nas listas de convocados.

Ora, então havia muita coisa errada, sim. Quem faz a cobertura da seleção, alertava para o clima pesado entre jogadores e alguns membros da comissão técnica e staff da CBF. Em campo, o time parecia sempre travado, sem a leveza e fluidez da equipe atual. Será que o Brasil conquistaria 18 pontos em seis partidas, mantendo Dunga? Provavelmente, não. Saímos da sexta colocação para a liderança e a vaga na Copa do Mundo, ameaçada sim, anteriormente.

Tite foi fundamental, escalando os melhores e deixando a seleção jogar, com equilíbrio em todos os setores. Agora, o grupo comprou a ideia e isso também faz muita diferença. Viu que o melhor técnico assumiu o posto merecido. Em qualquer empresa, vestiário ou corporações, se o líder não for capaz de convencer seus comandados, pouca coisa vai mudar.


Sylvinho vê Tite na Europa e nega recusa ao Corinthians
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Alexandre Praetzel

O ex-lateral Sylvinho, é auxiliar de Tite na comissão técnica da Seleção Brasileira. Aos 41 anos, com muita experiência na Europa como jogador, Sylvinho concedeu entrevista exclusiva ao blog, falando sobre o trabalho na seleção, convite do Corinthians e a luta para chegar à Copa do Mundo da Rússia, em 2018. Acompanhem abaixo.

Experiência européia ajuda na Seleção

“Sim. Minha experiência européia tem ajudado demais porque é uma experiência internacional e seleção brasileira é internacional. Muitos atletas nossos também jogam nesses grandes centros europeus, enfim, toda essa história e tudo aquilo também já como comissão técnica de ter a oportunidade de ter trabalhado na Inter de Milão, ajuda muito. Acredito que sim. Eu pelo menos me sinto assim, útil e em condições de estar ajudando nesta parte”.

Convite do Corinthians para assumir como técnico

“A palavra recusou ela ficou forte. Eu conversei com o Roberto de Andrade, depois evidentemente, ela sai e assim é. Houve uma aproximação por causa de uma tendência de pesquisa, uma situação que foi colocada e meu nome ganhou força. Foi muito ventilado, ecoou favoravelmente. Evidentemente que eu fiquei feliz por isso, mas como eu sabia que não havia a mínima condição porque eu tinha contrato na Inter de Milão. Eu saí do Corinthians para me graduar, estou no meio dos cursos da Uefa. Com contrato em vigor naquele momento, eu conversei diretamente com o Roberto de Andrade, uma pessoa que eu tenho um respeito enorme, muito grande, coloquei só minha situação que era toda essa, que quando ele estava entrando na gestão, ele sabia que eu estava saindo para a Inter para isso. O momento não era aquele, que eu tinha ainda um estágio a cumprir, não só profissional, de graduação, senão contratual, que eu não via aquele momento próprio para mim. Ele entendeu perfeitamente e sabia dessa situação, quando eu saí do Corinthians. Então, houve uma aproximação. O Corinthians sim, buscou, mas nem chegamos a falar em dinheiro e eu fiquei até satisfeito por isso”.

Geração brasileira e de laterais esquerdos

“O Brasil, por mais que a gente reclame ou que a gente tenha um nível de exigência altíssimo com relação aos atletas, a gente cobra mais e muitas vezes acaba exagerando ou pelo menos, de ter a opinião que a safra não é boa, a geração não é boa. Só que na Europa eles vêem justamente o contrário e eu acho que o olhar deles não está absolutamente errado. O que passou, passou. Vamos falar do que é atual, e mesmo atual a safra e a geração brasileira é boa, a nível geral e atual porque o europeu ele me diz, quantos laterais esquerdos vocês têm? Três, quatro, cinco. Temos que estar monitorando todos eles. Algumas grandes seleções européias, eles têm um, dois, de repente surge um terceiro, muito difícil. Olha que estamos falando de grandes centros, seleções, grandes países, e nós temos realmente. Então, por este lado, eu entendo que a nossa safra é boa, a geração sim é boa, atual e se pode trabalhar bem. Temos monitorado quatro a cinco laterais esquerdos com qualidade, jogando no exterior, alguns jogando no circuito nacional e atletas que a qualquer momento podem vestir a camisa da seleção. Acho muito boa”.

Sistema de gestão e organização brasileira

“Tudo isso não é pertinente à minha área de atuação. A minha área de atuação é campo. Sou auxiliar técnico, pretendo ser um treinador de futebol no futuro. O que eu vejo é que o Brasil evoluiu muito. CTs, as condições, fisioterapeutas, fisiologistas, preparadores físicos, médicos, treinadores cada vez mais inquietos, com seus sistemas táticos evoluindo. Óbvio que na Europa, a gente já tem tudo isso colocado. Times jogando bem colocadinhos no 4-3-3, 4-1-4-1, mas o Brasil na minha área, cresceu muito, tem muito para crescer e continua crescendo. A pergunta é pertinente mais a uma outra área, não é a minha. Eu posso opinar por opinar como uma pessoa normal, mas sem propriedade porque não é minha área de atuação”.

Tite em relação aos outros técnicos que trabalhou

“Acho difícil comparações e não por estar numa situação..Primeiro porque eu não acho justo em todos os sentidos, quando se faz de atletas também. A pergunta Zico foi melhor que Ronaldo? Para mim, são comparações que muitas vezes até não são justas, de cada um ter o seu valor. Eu tive a sorte de como jogador trabalhar com Wenger, Luxemburgo, Rijkard, Guardiola, o próprio Roberto Mancini, eu estava com ele na Inter de Milão, trabalhei com ele também. Depois, tive uma felicidade enorme também de reencontrar o Roberto Mancini já como treinador e o staff dele, Tite duas vezes no Corinthians e agora na seleção, Mano Menezes um ano no Corinthians, Vágner Mancini que me inseriu nesse mercado, em 2011, no Cruzeiro e são todos treinadores com as suas condições, os seus potenciais, diferenciados e que na verdade o que está absorvendo tudo de cada um deles, tem sido eu. Mais jovem, mais novo em tudo e que tem aprendido. Evidentemente, que o Tite, por todos estes títulos, pela sua metodologia e forma de trabalhar, que está alcançando, que chegou numa seleção brasileira com todos os seus méritos, realmente é um grande treinador como todos os demais que eu conheci, também são. Cada um com suas virtudes. suas qualidades e com suas metodologias de trabalho. Para mim, hoje, o Tite é muito completo e já falei para ele. Eu tenho condições de avaliar os trabalhos na Europa, não só como atleta, mas também como comissão técnica. O Tite tem amplas condições para assumir um time na Europa e tocar o trabalho dele com a metodologia, sem problema algum. Ele está num nível muito alto e quando eu falo isso, evidentemente que eu sei que tem algumas restrições de uma ou outras coisinhas, mas eu falo de metodologia de trabalho, trabalho de campo e gestão”.

Brasil corre risco de não ir à Copa 

“No futebol, tudo pode ocorrer. O que eu sei e são fatos, é que há duas rodadas atrás, estávamos numa sétima colocação, que não interessava. Passadas duas rodadas, estamos em segundo. A regra do campeonato, da situação, diz: são quatro que vão direto e um quinto para a repescagem. Nós queremos as quatro, depois uma quinta, já houve situações. O objetivo são os quatro. Em cima destes fatos e circunstâncias, a briga é buscar estas quatro. Eu sei que a pergunta não é assim. A resposta é que tudo pode ocorrer no futebol. A nossa visão é colocar a seleção neste nível que ela entrou de pontuação, jogando ainda melhor ou como algumas outras coisas que podem ser feitas e tentar manter estas quatro primeiras posições”.

Silvinho foi lateral do Corinthians, Arsenal, Barcelona e Manchester City, antes de se tornar auxiliar técnico. A Seleção Brasileira tem 15 pontos e ocupa a segunda colocação, nas Eliminatórias Sul-Americanas. Enfrenta a Bolívia, nesta quinta-feira e depois pega a Venezuela, dia 11 de outubro.


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