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Arquivo : Rogério Ceni

Qual o momento de dispensar um técnico?
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Alexandre Praetzel

Rogério Ceni é idolatrado pela torcida do São Paulo por tudo que conquistou como goleiro do clube, com mais de mil jogos e 100 gols. Foi anunciado como treinador, no seu primeiro desafio na boca do túnel, e reverenciado pelos tricolores. Ponto.

Passados cinco meses de trabalho, a euforia e o amor acabaram. Ontem, após a eliminação vexatória na Copa Sul-Americana, são-paulinos perderam a paciência e pediram a saída do ídolo, nas redes sociais. Palavras como despreparado, sem humildade e com prazo de validade vencido foram rotineiras num intervalo de 30 minutos, depois da partida. A diretoria banca a permanência de Rogério Ceni, mesmo sem avanços da equipe dentro de campo e três quedas consecutivas em torneios importantes. Agora, fica a pergunta. Qual o momento de dispensar um técnico?

Sou defensor de 120 dias de trabalho para se iniciarem as cobranças, no imediatismo brasileiro. Rogério Ceni teve esse tempo com promessas inovadoras, mas nunca vimos evolução, apesar dele despejar números positivos a cada entrevista coletiva. Uma mudança pode ocorrer quando:

– Não houver crescimento do time e dos jogadores. O trabalho é considerado bom no dia-a-dia, mas os resultados e os desempenhos são regulares ou ruins. Eduardo Baptista caiu por isso no Palmeiras;

-Atletas perderem a confiança no treinador com críticas públicas e falta de comprometimento. Isso não é visto no São Paulo, apesar de Thiago Mendes ter dito que o grupo está se adaptando ao treinador, algo normal numa nova filosofia;

– Derrotas consecutivas. Rogério Ceni só não foi demitido porque é o Mito Rogério. Qualquer outro nome, já estaria fora. Agora, a voz das arquibancadas pode influenciar nos gabinetes do Morumbi;

-Mau relacionamento interno. Acredito que isso não existe, mesmo depois da polêmica do fair-play de Rodrigo Caio no jogo contra o Corinthians e o desconforto no vestiário.

Se eu fosse dirigente são-paulino, não trocaria. O time não é fraco, mas precisa de reforços e de uma revisão do trabalho do treinador. Pode haver uma conversa para expor os erros e tentar ajustar a equipe para um Brasileiro dificílimo, melhorando o coletivo. O São Paulo é espaçado demais e não tem compactação. Ainda dá para segurar por cinco partidas. Agora, se as vitórias não vierem, a situação ficará insustentável. Como já aconteceu em outros casos no futebol mundial.

 


Carille e Ceni merecem crédito, independente de quem seja eliminado domingo
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Alexandre Praetzel

Fábio Carille e Rogério Ceni começaram a temporada como grandes apostas de seus clubes. O ex-auxiliar virou técnico no Corinthians, após maus trabalhos de Cristóvão Borges e Oswaldo de Oliveira, num intervalo de quatro meses. Rogério Ceni assumiu com pompa e circunstância e enorme expectativa pelo seu grande passado no futebol e por ideias inovadoras. Quatro meses de trabalhos e os dois se encontram na semifinal do Paulista, decidindo uma vaga na decisão. Dá para compará-los? Acho que sim.

Carille tem mais experiência em comissão técnica e aproveitou bons ensinamentos táticos de Tite, na passagem vitoriosa pelo Corinthians. Definiu uma forma de jogar, mas acho que ainda demora para buscar outras alternativas, durante as partidas. O Corinthians tem padrão defensivo definido e venceu adversários assim, fazendo um gol e se fechando com eficiência. Agora, quando precisou atacar e variar seu esquema, não conseguiu. Cito o confronto diante do Brusque-SC, quando quase perdeu, e a eliminação contra o Inter, onde fez 1 a 0 e se retraiu, quando poderia ter matado o jogo. Depois de levar o empate, se desesperou, apesar de criar chances e não conseguiu ganhar nos 90 minutos. A derrota para o Inter expôs que o Corinthians precisa de opções, principalmente, para o Campeonato Brasileiro.

No São Paulo, Rogério Ceni adotou um modelo forte no ataque, correndo riscos na defesa. Tem jogadores de boa qualidade técnica e aproveita isso, com posse de bola e troca de passes. Agora, dá generosos espaços para os contra-ataques adversários. Já vimos o São Paulo dominar partidas, mas levar gols em momentos-chaves, pela falta de equilíbrio entre os setores. É possível agredir bastante, mas é preciso saber se recompor. Acho que isso ainda não foi encontrado por Rogério Ceni, que não abre mão da sua escolha inicial. No Brasileiro, o São Paulo será bastante atacado no Morumbi ou fora de casa e o sistema defensivo será mais exigido. No gol, Renan Ribeiro é o titular da hora, mas não duvido que o São Paulo busque um reforço para a posição.

Neste domingo, Carille ou Rogério Ceni? Um dos dois ficará pelo caminho no Estadual. Quem perder, merece ser detonado? Eu acho que não. São profissionais competentes. Podem e devem fugir um pouco das suas convicções, porque vão precisar de resultados também. Tomara que as diretorias pensem da mesma forma.


M.A.Cunha defende Ceni, sequência para Renan e nega dívida do tricolor
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Alexandre Praetzel

A eleição à presidência do São Paulo será em abril, mas os bastidores já estão agitados. A última de alguns conselheiros e integrantes da oposição é de que o presidente Leco não havia pago Marco Aurélio Cunha pelos serviços prestados em 2016 e que estaria pedindo para o ex-superintendente abrir mão dos pagamentos. O blog conversou com Marco Aurélio Cunha, que negou a dívida e revelou que está tudo acertado, apoiando a reeleição de Leco e elogiando o início de trabalho de Rogério Ceni. Confira abaixo.

O São Paulo lhe deve algo ou pediu para o Sr. abrir mão dos pagamentos de 2016?

“Não. Foi tudo acertado em fevereiro. Isso nunca existiu. Em época de eleição, costumam surgir coisas do nada”.

O que estás achando do início do trabalho de Rogério Ceni? 

“Primeiro, acho que a escolha do Rogério foi excelente porque já tem história e é figura muito forte no clube. Dificilmente seria contestado por jogadores e torcida. Dá oportunidades a todos de jogar num campeonato onde a classificação é fundamental. Faz com que todos sejam compromissados e sem reclamações sobre falta de utilização. Moderno, sereno, muito forte, veio para ser um grande treinador. Está fazendo esta parte inicial muito bem feita”.

São Paulo não tem goleiros à altura do time?

“Eu acho que isso não é bem verdade. Tem três goleiros, sem fixar algum. Denis não teve sorte. Faz grandes defesas, toma gols incríveis em chutes absurdos e a conta dele está mais pesada do qualquer outro. Renan teve acidentes na mão, lesão muscular e o Sidão jogou pouco. Eu diria que o Renan deve ter oportunidades e o outro melhor vai ser suplente. Se der chance a Renan, pode ter um goleiro. A cobrança pós Rogério Ceni é muito cruel”.

Quem apoias na eleição à presidência?

“Apoio Leco. Pegou uma situação muito negativa e com serenidade está revertendo, sem protagonismo, nenhum falatório. As mudanças são notórias. A parte financeira está bem ajustada. Saiu da fase de escândalos. Merece continuar. Mudanças radicais agora só vão atrapalhar. Começam a aparecer coisas paralelas de alguém que seja uma solução e depois vai embora a hora que quer. Prefiro uma gestão mais conservadora com a tradição do São Paulo do que pirotecnias. Temos que nos adequar a coisas mais novas, mas sem surtos de loucura”.

Marco Aurélio Cunha trabalhou no São Paulo até o final de janeiro, retornando ao cargo de diretor de futebol feminino da CBF. Foi chamado num momento delicado do time, quando havia até ameaça de rebaixamento para a Série B.

 

 


São Paulo tem quatro goleiros e parece que não tem nenhum
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Alexandre Praetzel

O São Paulo enfrenta o mesmo problema de outros clubes, quando um grande ídolo se aposenta. Achar um substituto à altura para a posição. Rogério Ceni virou técnico e o tricolor ainda não tem um jogador que passe confiança aos companheiros e torcida, como goleiro titular.

Denis ficou quase sete anos na reserva de Rogério e foi o escolhido para substituí-lo. Assumiu a camisa Um com crédito interno, mas sempre com forte desconfiança nas arquibancadas. Teve uma fase titubeante na Libertadores da América, assim como todo o time. Depois, cresceu um pouco, até as semifinais do torneio, em julho de 2016. No entanto, nunca foi unanimidade positiva e sempre gerou reclamações dos são-paulinos. Agora, num revezamento com Sidão, parece que perdeu a confiança de vez. Contra ABC e Palmeiras, falhou novamente. Goleiro bom tem que pegar as bolas fáceis e difíceis, mas Denis não consegue transmitir segurança. Reparem nas reações dos colegas, quando a equipe leva os gols. Está claro que Denis precisa de uma reciclagem ou de um forte sistema defensivo para a bola não chegar ao seu gol. São Paulo exposto, mais bolas para defender.

Sidão ainda merece um pouco mais de paciência. Fez bom Paulista pelo Audax e foi bem no Botafogo. Mas também tem falhado em bolas aéreas e chutes adversários. O fato de ter sido contratado para ser titular, deveria aumentar sua confiança. Teve pequenas lesões que atrapalharam sua continuidade, mas está em debate.

Renan Ribeiro veio com boas referências do Atlético-MG. Teve poucas chances e não foi testado por muito tempo, em razão de inúmeras lesões. Está na hora de ter uma sequência para ver se serve ou não.

E ainda tem o jovem Lucas Perri, titular da Seleção Brasileira Sub-20. Não está inscrito no Paulista, mas poderia ganhar corpo na Copa do Brasil, ficando como alternativa. Citei o garoto e fui bombardeado nas redes sociais, com muita gente decretando que ele não tem condições de atuar no time principal. Calma.

Com goleiro não se brinca. Ou dá respaldo e banca a titularidade, aguentando críticas ou falhas, ou busca um reforço indiscutível no mercado, sob pena de continuar sofrendo gols e perdendo partidas. Quem, me perguntam? Sempre há alternativas. Papel da diretoria.


Deixem Eduardo Baptista trabalhar. Ceni sabe das deficiências tricolores
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Alexandre Praetzel

Na primeira fase do Paulista, os clássicos crescem de importância porque são os jogos considerados mais difíceis nos enfrentamentos. Não decidem nada, mas colocam a rivalidade à prova e servem para comparar as equipes, no início de trabalho.

O Palmeiras fez 3 a 0 no São Paulo, sendo amplamente superior, principalmente, no segundo tempo. E atuou com time misto, valorizando ainda mais a força do seu elenco. O volante Thiago Santos, reserva de Felipe Melo, foi o destaque em campo. O resultado não causa turbulência no São Paulo, mas escancarou três questões, pelo menos.

O São Paulo precisa definir um goleiro titular. Sidão e Dênis não passam confiança e Renan Ribeiro está sempre machucado. Então, é hora de testar o jovem Lucas Perri, mesmo sem estar inscrito no Estadual, ou buscar um nome no mercado.

A defesa sofre, quando não tem Maicon e Rodrigo Caio juntos. Rogério Ceni escalou Douglas em detrimento a Lugano. O uruguaio é melhor do que o colega, mas ficou no banco. Por que não dar oportunidade a Lucão, também? Lyanco  não pode ser utilizado porque está fora da lista do campeonato.

Cueva é o melhor jogador do São Paulo, no momento. Agora, ficar na dependência do peruano é muito pouco para o tricolor. O clube oferece poucas opções. Acredito que Rogério Ceni e a diretoria devam estar atentos a tudo isso.

No Palmeiras, é bom deixar Eduardo Baptista trabalhar. Contra o São Paulo, escalou uma formação equilibrada e poderia ter vencido por mais. O Verdão fez sua melhor partida, patrolando o adversário, física, técnica e taticamente. Bons dias de projeção, com favoritismo diante do Jorge Wilsterman-BOL, para conseguir sua primeira vitória na Libertadores da América, quarta-feira. Deixem o homem trabalhar. Simples assim.


Júnior Tavares busca titularidade do São Paulo e vê Marcelo como referência
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Alexandre Praetzel

O São Paulo parece ter um novo dono da lateral-esquerda. Nos dois últimos jogos, o garoto Júnior Tavares foi escalado como titular e agradou bastante. Aos 20 anos e com contrato até o final de 2020, Júnior conversou com o blog, a respeito do seu momento, a confiança de Rogério Ceni e a referência de Marcelo do Real Madrid para ele seguir os caminhos do companheiro de posição. Leia abaixo.

Ascensão da base para o profissional

“Consegui nos treinamentos diários, procurando buscar o melhor rendimento. O professor Rogério Ceni sempre falou comigo, dando conselhos, orientações. Quero construir uma história vencedora no São Paulo e brilhar muito neste time”.

Titularidade

“Hoje ninguém se encontra numa posição de titular. Todo mundo está buscando seu espaço. O que o Rogério Ceni decidir, será o melhor para a equipe e vamos no doar o máximo para fazer o melhor para o time”.

Grêmio

“O contrato estava terminando e acabou que no Grêmio não tive sequência. Acabei vindo buscar meu espaço no São Paulo. Espero dar seguimento aqui e brilhar muito com esta camisa”.

Referência

“Gosto muito do Marcelo. Sempre olho os vídeos, procuro referências nele, o jeito de jogar, de partir para cima. Muito habilidoso”.

Início de trabalho de Rogério Ceni

“Estudou bastante há um ano e chegou com coisas novas no futebol. Trouxe dois auxiliares que também conhecem muito futebol. Surpreendeu bastante com treinos diferentes e tem tudo para crescer na função. Tenho certeza que as coisas vão dar certo para ele e o São Paulo”.

Santos

“Vai ser um confronto de dois grandes. Clássico na casa do adversário, se define numa bola, num erro. Tem que estar muito concentrado. Quem errar menos, vai vencer. Do mesmo jeito que teremos cuidados com eles, eles terão conosco”.

Pratto e Jucilei

“São jogadores que chegam com nome para reforçar a equipe. Eles têm peso e suporte para nos ajudar. Vão melhorar muito e acrescentar bastante”.

Júnior Tavares foi revelado pelo Grêmio, onde disputou apenas 11 partidas entre 2015 e 2016. Foi emprestado ao Joinville, onde atuou em oito jogos. Depois, chegou ao Sub-20 do São Paulo, chamando a atenção dos profissionais. O  tricolor o adquiriu em definitivo e consolidou sua permanência no grupo principal. Júnior já esteve em quatro confrontos, sob o comando de Rogério Ceni.

 


Pintado espera dureza contra Moto Club e não vê SP como zebra no Paulista
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Alexandre Praetzel

O São Paulo espera um jogo difícil contra o Moto Club-MA, nesta quinta-feira, pela primeira fase da Copa do Brasil. Em jogo único, o tricolor tem a vantagem do empate para passar à segunda fase. O blog entrevistou o auxiliar-técnico Pintado, um dos homens de confiança de Rogério Ceni. Pintado tem convicção no trabalho de Ceni e seus auxiliares estrangeiros, acreditando numa reação imediata da equipe, após a derrota para o Audax, na abertura do Paulista. Leia abaixo.

Início de trabalho de Rogério Ceni

“É um novo momento para todos no clube. A expectativa é muito grande. O bom início, as novidades no planejamento e outros detalhes nos deixam muito esperançosos”.

Diferença entre auxiliares estrangeiros e brasileiros

“A diferença é na apresentação. Os auxiliares são especialistas. O Michael Beale é um treinador de futebol europeu e tem experiência, assim como os profissionais brasileiros têm uma metodologia atualizada. O Charles Hembert sabe como conduzir a logística e as ideias de organização do plano de treinamentos”.

Derrota para o Audax assustou?

“A derrota não assustou e não nos deixa com medo. Tudo está bem claro. Vamos enfrentar os momentos difíceis e os bons momentos com muito trabalho, acreditando no que estamos fazendo”.

Jogo contra o Moto Club

“É um jogo decisivo. O regulamento diz que é apenas um jogo, então temos que jogar com toda força. Jogar com a intensidade que o Rogério exige em todos os treinamentos, esperando um confronto muito difícil”.

Rogério Ceni terá mais paciência do torcedor

“O Rogério terá tempo porque sabe o que está fazendo e todos acreditamos que os resultados virão. Todas as equipes necessitam de ajustes, nós não somos diferentes”.

São Paulo em relação aos rivais

“Só o Palmeiras está acima de todos. Os outros buscam um melhor momento e entrosamento. O São Paulo irá brigar com muita força e coração. Sendo assim, vai disputar para ganhar”.

Reforços

“A diretoria busca opções de reforçar a equipe e será assim todo o ano. Não é fácil encontrar o jogador certo com preço compatível”.

São Paulo é zebra para ganhar o Paulista?

“O São Paulo nunca será zebra. Um clube com toda história e toda massa de torcedores, estrutura, pode sim buscar o primeiro lugar em todas as competições. Nunca menosprezem o São Paulo. A história mostra”.

Pintado chegou ao São Paulo como auxiliar da comissão técnica fixa tricolor, na gestão de Edgardo Bauza. Depois de enfrentar o Moto Club, o tricolor terá Ponte Preta e Santos, na sequência, pelo Paulista.


Ceni tem bom início de trabalho. São Paulo precisa de mais três reforços
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Alexandre Praetzel

Acompanhei a decisão da Flórida Cup entre São Paulo e Corinthians. Gostei da movimentação dos dois times no primeiro tempo, apesar da virilidade excessiva em algumas jogadas. O tricolor foi superior, com mais posse de bola e alternativas ofensivas. O Corinthians praticamente não chegou à área são-paulina.

Na segunda etapa, com várias mudanças nas duas equipes, o Corinthians equilibrou a partida e perdeu três boas oportunidades de gols, apresentando uma melhora na criação de jogadas do meio-campo. O São Paulo pareceu mais cansado, mas em nenhum momento abdicou de buscar o ataque.

Com a decisão nos pênaltis, brilhou o goleiro Sidão. O São Paulo encarou a conquista com entusiasmo de quem não ganhava um título há muito tempo. Acho que o fato de ter vencido o tradicional rival, aumentou a importância do troféu.

Sigo com a opinião de que resultados pouco importam na pré-temporada, mas não posso deixar de registrar o início de trabalho de Rogério Ceni. Foram 15 dias de treinamentos intensos, adotando novos métodos e procurando extrair o máximo de cada atleta. Pelas declarações dos são-paulinos, um começo promissor e bastante otimista para o time alcançar resultados expressivos, durante o ano. Resta saber se haverá fôlego e comprometimento para manter todos no limite. Os resultados de campo determinarão as análises mais uma vez. Do presidente ao mais humilde torcedor. Não dá para esconder que o São Paulo precisa de mais um meia, um lateral-esquerdo e um centroavante.

No Corinthians, foram apenas nove dias de trabalhos. Fábio Carille tem objetivos claros para reconduzir o grupo ao estilo de jogo do ex-técnico Tite. A dúvida é se irá conseguir com os nomes que tem à disposição. Claramente, um meia e um atacante são fundamentais para acertar a equipe.

 


Milton Cruz elogia Ceni como técnico, mas pede calma no início do trabalho
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Alexandre Praetzel

Milton Cruz foi funcionário do São Paulo por mais de 20 anos. Neste tempo, tornou-se grande amigo de Rogério Ceni  e participou das gestões vitoriosas dos títulos nacionais e internacionais. Com toda sua experiência no futebol, Milton acredita que Rogério Ceni tem um perfil bem definido para ser treinador.

“O Rogério jogou muito tempo e viu o jogo lá detrás. Sempre enxergou as partidas muito bem e isso foi uma grande vantagem para ele. É estudioso e acho que tem tudo para dar certo. Mas é claro que é preciso ter um pouco de paciência, no início. As funções são diferentes. Uma coisa é jogar, outra é comandar”, afirmou, em conversa com o blog.

Milton define também qual o técnico em que Rogério Ceni pretende se espelhar, começando no tricolor. “Acho que é o Osório. Quando o Osório veio para o São Paulo, Rogério sempre me disse que gostava muito do estilo dele. Jogar para frente, buscando o ataque”, ressaltou.

O colombiano Juan Carlos Osório ficou pouco tempo no São Paulo, mas sempre foi admirado pelos jogadores. Após atritos com o ex-presidente Carlos Miguel Aidar e um convite da Confederação Mexicana, preferiu sair para dirigir a seleção nacional. Milton Cruz virou seu homem de confiança no clube. Deixou o São Paulo, com a chegada do ex-diretor Luiz Cunha ao departamento de futebol, em março deste ano.


Zé Teodoro critica gestão do SP e não vê Rogério Ceni como técnico do time
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Alexandre Praetzel

Zé Teodoro foi ídolo do São Paulo, na década de 1980 e início de 90. O ex-lateral direito e hoje técnico, conquistou quatro Campeonatos Paulistas em 85, 87, 89 e 91 e dois títulos brasileiros em 86 e 91. Zé Teodoro conversou com o blog com exclusividade e não poupou críticas à atual gestão do São Paulo e ao elenco tricolor. Leia abaixo.

São Paulo hoje

“Muito turbulento, inconstante. Acho que o São Paulo precisa melhorar em todos os setores. Tem errado muito em relação às mudanças, principalmente treinadores e jogadores. Acho que era o momento de poder rever os conceitos, analisar, para ter uma margem de erro menor. É um clube que precisa voltar a botar os pés no chão e resgatar sua condição, não viver do passado, do que já conquistou, ganhou e já fez. Hoje já tem clubes que passaram à frente, que estão sendo bem superiores. As informações e as coisas têm vazado com muita facilidade, pelo o que a gente tem observado. O clube está muito desprotegido. Então, precisa sentar, o presidente Leco rever algumas situações e dar oportunidade ao pessoal que realmente conhece da função, da área indicada que é o futebol. Precisa melhorar o ambiente, o aspecto político, o clube precisa voltar a vender sua imagem de formar jogadores na base. Não ter receio e medo de lançar jogadores. De saber contratar e se informar como da época que me contratou do Goiás. Então precisa ter conceitos e critérios para não errar tanto como errou neste ano e ter tanta dificuldade para conseguir classificação e permanência na primeira divisão”.

Rogério Ceni deve começar como técnico no São Paulo

“Olha, acho que ele deve fazer uma experiência na base. Deve trabalhar com alguns treinadores mais experientes. Ser um auxiliar permanente do clube. Pegar um pouco mais de cancha e de experiência. Ele é um ídolo. Acho que é muito cedo para ele, principalmente, no clube que ele tem uma história muito bonita. Acho que ele poderia realizar um trabalho fora, começar na base, no interior, num clube de outro estado. Evitar essa situação de chegar e já assumir essa responsabilidade, que é muito difícil como ídolo. O torcedor não vai perdoar dois, três, quatro resultados negativos. Vai jogar tudo para baixo o que ele fez na carreira como jogador. Então acho que ele deve ser muito bem aproveitado no clube ou trabalhar em outra situação. Ficar assessorando como auxiliar técnico um Vanderlei Luxemburgo, que é um cara de peso, como qualquer outro de nível. Acho que é fundamental ele começar de baixo, aprender, para depois, realmente pegar uma situação, que é uma situação muito difícil. Eu tenho experiência e posso orientar de uma forma que ele deva pensar, analisar, para não jogar por água abaixo o nome que ele fez dentro do São Paulo”.

Falta de comprometimento da geração atual

“Olha, eu tenho notado, não só no São Paulo. Em geral, o nível do futebol brasileiro teve uma queda muito grande nas Séries A e B. Eu acho que o balcão de negócios, o jogador não tem mais aquele sentimento, não joga mais com o coração, com alma, com aquela vibração e espírito mesmo. Eu acho que o futebol está mudando muito para o outro lado. O jogador não tem mais o comprometimento necessário. Em dois, três meses, ele já sai de um clube. Não cria um vínculo, como nós tínhamos um sentimento mais de gostar do clube. Não jogar só pelo dinheiro, mas sim para dar espetáculo, mostrar que o futebol não vive só da parte financeira. Precisa melhorar em vários aspectos. O jogador tem que fazer uma reflexão e conscientização da produção e rendimento dele. Está aproveitando em outros sentidos, em outras áreas, esquecendo às vezes de dar o que o torcedor quer na parte técnica, física. Há uma oscilação muito grande dos jogadores de hoje. O jogador tem que ter um comprometimento maior, uma responsabilidade maior e principalmente, com o torcedor e com tratamento melhor com a imprensa. Tem faltado muito de humildade ao jogador brasileiro. Todos aqueles estão alcançando uma questão financeira, que dá uma estabilidade ao jogador, eles estão esquecendo das suas raízes, da humildade, de tratar bem as pessoas, imprensa, no bom relacionamento que nós tínhamos na época que jogávamos. O futebol mudou muito. As pessoas, jogadores, dirigentes mudaram. O ambiente do clube não é dos melhores. Então, precisa rever alguns conceitos para voltar a fazer um futebol com mais alegria”.

Zé Teodoro disputou 262 jogos com a camisa do São Paulo, marcando sete gols. Como técnico, vai assumir a Aparecidense-GO, a partir de janeiro de 2016.