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Presidente remunerado pode ser dispensado por má gestão?
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Alexandre Praetzel

Quando me transferi para São Paulo, em julho de 2007, o São Paulo era o maior clube da América do Sul. Vinha dos títulos da Libertadores da América e Mundial, em 2005, e encaminhava o bicampeonato brasileiro, chegando ao tri, em 2008. Tinha time, elenco, planejamento e estrutura.

Dez anos depois, tudo mudou. O terceiro mandato do ex-presidente Juvenal Juvêncio determinou um golpe aprovado pelos conselheiros, como se as coisas fossem eternas e o São Paulo não precisasse se renovar. De lá para cá, manobras políticas e péssimo pensamento sobre futebol. Se auto intitulou “Soberano” e trouxe a ira dos rivais e adversários, como se não precisasse se modernizar.

Hoje é mais do mesmo. Não há um planejamento na principal área do clube. Jogadores são vendidos e trazidos aos montes e o São Paulo segue sem dinheiro e equipe formada. Lembro que Lucas Moura foi negociado por incríveis 40 milhões de euros, em 2013, e a gestão financeira continuava ruim. Agora, poderá bater em 200 milhões de reais e amarga a penúltima colocação no Brasileiro com pífios 11 pontos conquistados.

O estatuto mudou e o discurso de “profissionalismo” surgiu. O presidente Leco é remunerado com R$ 27 mil mensais. Acho justo, para quem se dedica integralmente, com um Conselho de Administração formado por seis membros, com ganhos de R$ 5 mil para cada, através de uma reunião a cada 30 dias. Mas as cobranças também devem ser feitas em cima de resultados, nos gabinetes.

A pergunta que fica é: Presidente remunerado pode ser dispensado, por má gestão? Numa empresa, é assim que funciona. Se não houver resultados, cai o principal executivo. Não sei se seria a melhor atitude para o São Paulo, mas a omissão dos conselheiros e a falta de visão num gigante do continente, determinam a situação atual.

Rogério Ceni foi escolhido para agradar a torcida e garantir uma vitória nas urnas para mais um mandato de três anos. O risco foi grande e o “Mito” já foi embora. O São Paulo pode e vai reagir, mas sem nenhuma garantia de que permanecerá na Série A com total tranquilidade.

Dez anos depois, não imaginava ter que escrever essas palavras. Ninguém é invencível e insubstituível.


Ex-auxiliar de Ceni critica Leco e diz que trocas no time motivaram saída
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Alexandre Praetzel

Michael Beale chegou ao São Paulo, como auxiliar de Rogério Ceni. O novo treinador do time queria trazer trabalhos e métodos diferentes aos treinamentos, com a chegada de um profissional europeu. Oito meses depois, Beale pediu demissão, antes da dispensa de Rogério Ceni. Em entrevista ao blog, Michael Beale detalhou os motivos da sua saída, criticando a gestão do presidente Leco e a falta de planejamento no clube. Confira a seguir.

Qual a causa principal da tua saída? É verdade que você teve divergências de idéias com Pinotti sobre a venda de jogadores?
“Não. Eu nunca tive nenhuma comunicação direta com Vinicius, sobre jogadores. Rogério foi a pessoa que falou com os diretores na compra e venda de jogadores. Minha frustração foi que tivemos muitas mudanças de jogadores. Foi muito difícil construir uma equipe. Mas eu não discuti ou entrei em desacordo com alguém no clube. Eles tomaram decisões que eu não pensei que eram boas para a equipe e não permitia qualquer planejamento de longo prazo. Então eu pedi para sair. Se você olhar para Grêmio ou Corinthians – eles não mudam e eles podem construir uma equipe. O São Paulo tem bons jogadores, mas não uma equipe, porque o elenco muda com muita frequência”.

Qual foi a principal mudança que houve do projeto inicial para aquele que você desistiu? Você pensou em sair em março e desistiu pelo Rogério?
“Em março, tive uma decisão a fazer porque tive uma excelente oferta para retornar à Inglaterra. Mas, naquele momento tivemos um início muito forte com apenas uma derrota em 10 jogos. Nós mudamos o estilo de jogo da temporada anterior e fomos agressivos em nossos objetivos marcantes. Minha preocupação era apenas na organização no clube e não havia nenhum planejamento claro a longo prazo. Eu não estava acostumado com isso. O plano para o time e o negócio não estavam vinculados tão próximos quanto deveriam. Mas, eu vim ao Brasil para trabalhar em um ótimo clube, então naquele momento eu esperava ajudar para mudar as coisas. Os jogadores estavam muito motivados e Rogério estava funcionando bem”.

Como europeu, valeu a pena ter trabalhado num grande clube do Brasil ou estamos muito atrasados em relação à Europa?
“Foi um prazer trabalhar no Brasil. É o país que é amado em todo o mundo por causa do futebol. Foi uma experiência excelente para mim pessoalmente. Sinto falta dos jogadores e comissários na Barra Funda. Meu português melhorou especialmente em palavras específicas de futebol e tive um bom relacionamento com todos os que trabalhavam na equipe. A organização de clubes no Brasil é muito diferente da Europa e o horário do jogo está muito congestionado. Essas coisas não ajudam o desenvolvimento do campeonato brasileiro. Mas eu gostei de tudo e espero voltar e trabalhar mais no Brasil no futuro. O potencial para mudar e desenvolver o futebol é enorme. Os jogadores jovens são excelentes para trabalhar”.

É verdade que antes do jogo contra o Flamengo, a diretoria pediu para não escalar o Cueva por que o jogador estava próximo de ser negociado?
“Saí na sexta-feira e não estava no treino no sábado. Eu acho que isso não é verdade. Cueva sempre quis jogar e é uma pessoa muito boa no centro de treinamento. Ele tem personalidade, que é importante. Não creio que o Pinotti solicitasse isso a Rogerio. A equipe já havia perdido Thiago Mendes para esse jogo”.

Rogério Ceni será um bom treinador, na tua opinião? O estilo de trabalho dele te lembra qual profissional?
“Na minha experiência dentro do São Paulo, o trabalho de técnico foi o mais difícil que eu poderia imaginar no futebol. Em 34 jogos (antes de sair), vendemos 180 milhões em jogadores, tivemos tantas mudanças no elenco e também trouxemos sete jogadores da base para jogar pela primeira vez na equipe principal. Nas semanas internacionais, também perdemos grandes jogadores por dois ou três jogos por vez. Então, acho que julgar Rogério nesses 34 jogos com tantas coisas instáveis ​​não é correto. Ele é um treinador que gosta de estar no campo com os jogadores. Ele acredita em dar oportunidades aos jovens jogadores. Ele queria desenvolver um estilo de jogo mais próximo dos grandes times da Europa. Creio que em um trabalho diferente ele vai fazer um grande sucesso. O São Paulo não foi um clube fácil para o técnico – a história mostra que o treinador muda muito nos últimos oito anos”.

O dia-a-dia dos treinos foi respeitado pelos atletas ou houve reclamações internas com os métodos adotados? 
“Não vi nenhum jogador infeliz. No último mês, eu via os grandes jogadores frustrados com os outros grandes jogadores saindo. Isso é natural e aconteceria em qualquer equipe. Se você quer ganhar, você precisa construir uma “espinha” forte para a equipe”.

Voltarias a trabalhar no futebol brasileiro ou seguiria com o Rogério em novos desafios, dentro ou fora do Brasil?
“Sim. Estou concentrado nos bons momentos. Gostei de viver no Brasil e as pessoas são muito amigáveis. Se o projeto é bom e tem um plano de longo prazo. Então eu gostaria de voltar e trabalhar novamente no Brasil”.

Como você define a gestão e o presidente Leco?
“Uma pergunta difícil de responder porque não quero criar nenhum drama. O São Paulo é um ótimo clube e estou orgulhoso de trabalhar lá. Eu só desejo sucesso no futuro. Eu não tenho um relacionamento com ele. bom ou mau. Eu acho que ele quer o melhor para o SPFC. Ele é um fã da equipe. Mas não está funcionando para ele neste momento. Os fatos não mentem. Muitos jogadores saem e chegam sem um plano que os fãs entendam. Não apenas este ano. Então suas palavras sobre dar ao treinador “todas as condições para trabalhar” são falsas com base em fatos. Eu acho que o maior erro é não dar clareza ao plano para o clube. Para dar aos fãs a honestidade na direção do clube financeiramente e no campo. Ele perdeu uma grande oportunidade com Rogério para mudar a direção. Mas eu espero que ele possa ter sucesso. Dorival é um treinador muito bom e quero sucesso para as pessoas dentro do clube e torcedores”.

Pintado vai comandar o São Paulo, domingo, contra o Santos. Dorival Jr. assume o cargo, segunda-feira, para estrear diante do Atlético-GO, quinta-feira, no Morumbi.


Rogério Ceni é igual aos outros. Depende de resultados para se manter no SP
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Alexandre Praetzel

Rogério Ceni é um dos maiores nomes da história do São Paulo e reverenciado por sócios, torcedores e dirigentes. Mas essa idolatria ganha recesso, quando os resultados não aparecem dentro de campo. Não é uma análise simplista. A cultura resultadista brasileira funciona assim e pode transformar grandes ídolos em simples seres mortais. E não será diferente com Rogério Ceni.

O dia-a-dia do treinador é visto como muito bom, com a busca pelo aprimoramento técnico e tático do elenco. As atuações recentes contra os Atléticos não foram ruins. No entanto, duas derrotas e o tricolor despencou na classificação, ficando um ponto à frente da zona de rebaixamento.

Qualquer presidente de clube brasileiro começa a Série A, olhando para a parte de baixo da tabela. O principal sempre é estar longe da 17ª colocação e próximo dos 45 pontos, para depois relaxar nos gabinetes. O São Paulo já viveu situação parecida em 2013 e não hesitou em demitir Paulo Autuori, com dois meses de retorno ao Morumbi.

Eu acho que não tem que mudar, mas as informações vindas de bastidores, indicam que nem Rogério Ceni vai aguentar, se o São Paulo entrar no Z4, após a rodada de domingo. O jogo diante do Fluminense virou uma decisão para Ceni. Mesmo que o planejamento da direção seja péssimo e o São Paulo mude a fotografia em meio ao campeonato, pela segunda vez consecutiva. Isso é debate para nós.

Leco não pensará duas vezes em demitir Ceni, para tentar salvar a gestão. Afinal, o São Paulo nunca caiu, mas já viu outros caírem, com o mesmo discurso. Rogério Ceni está na berlinda, definitivamente.


Leco: “Oposição do São Paulo quer o poder a qualquer custo e preço”
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Alexandre Praetzel

O presidente Carlos Augusto Barros e Silva, o Leco, é candidato à reeleição no São Paulo. O pleito será realizado dia 18 de abril. Leco vai concorrer contra o ex-presidente José Eduardo Mesquita Pimenta. O blog conversou com Leco sobre seu plano de gestão, ideias para o futebol e candidatura da oposição. Leia abaixo.

Por que o senhor quer a reeleição no São Paulo?
Porque fiz uma boa administração em curto espaço de tempo e sei que é possível fazer mais, devolvendo ao São Paulo, a sua condição de grandeza.

Como o senhor vê a candidatura de Pimenta e aguarda uma eleição difícil?
A candidatura de oposição procurou vários nomes para existir, a partir da ânsia de alcançar o poder a qualquer custo e preço. Não é o modelo que faz bem ao São Paulo. Toda eleição é difícil.

Quais são as ideias para o departamento de futebol?
Dotá-lo de uma estrutura forte, com uma equipe sempre competitiva e vitoriosa.

O que achas do trabalho de Rogério Ceni?
O trabalho do Rogério Ceni é sério e intenso, baseado em conceitos modernos, tendo toda a possibilidade de ser vencedor, que é sua característica.

O senhor promete a contratação de grandes reforços?
As contratações sempre serão feitas visando o fortalecimento da equipe.

Qual seu plano de gestão para o Marketing e Finanças?
São duas áreas preponderantes para os bons resultados da administração. Marketing gerando negócios e receitas. Financeiro garantindo a seriedade da gestão, com práticas e controles capazes de equilibrar nossas contas, zerando o déficit até o final de 2020. Assim está sendo feito, com resultados expressivos e visíveis.

Morumbi é um estádio ultrapassado?
O Morumbi é um estádio maravilhoso, sempre muito bem cuidado, nosso orgulho. Nosso, feito por nós, totalmente pago, sem dívidas, precisando apenas de alguns aperfeiçoamentos e atualizações, o que já estamos fazendo.

Lugano terá o contrato renovado, caso o senhor seja reeleito?
Este tema será tratado na devida oportunidade. (Lugano tem contrato até junho)

Com 77 anos, Leco venceu a primeira eleição em outubro de 2015, após a renúncia do presidente Carlos Miguel Aidar. Derrotou Newton Luiz Ferreira por 138 votos a 36, com 19 votos em branco.


Pimenta critica gestão de Leco, defende Ceni e promete fundo para reforços
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Alexandre Praetzel

José Eduardo Mesquita Pimenta quer voltar a presidir o São Paulo, após comandar o clube de 1990 a 1994. Aos 78 anos, o candidato da oposição é crítico da atual gestão, defende Rogério Ceni e promete um fundo de investimento para contratações de reforços. Acompanhe a entrevista exclusiva ao blog.

Por que o Sr. quer ser presidente do São Paulo novamente?

“Nos últimos anos o São Paulo Futebol Clube entrou em uma espiral de decadência. De 2008 para cá, ganhamos apenas uma Copa Sul-Americana. O clube, que já foi sinônimo de gestão profissional e vitoriosa, perdeu prestígio e protagonismo. Fico triste de vê-lo em tal situação. O São Paulo é o clube brasileiro com maior número de títulos internacionais de expressão. Em 1993, ano do nosso bicampeonato mundial, fomos eleitos o melhor time do mundo por publicações espanholasPor isso não fomos acostumados a se contentar com poucoVoltei porque quero devolver o São Paulo ao seu lugar. Quero vê-lo novamente nas capas dos jornais, levantando taças, enchendo o Morumbi e ganhando campeonatos contra os grandes da Europa. Chegou a hora de reconstruirmos o São Paulo e torná-lo gigante novamente”. 

Quais são suas ideias para o departamento de futebol?

“Nosso principal projeto será a criação de um fundo de investimento exclusivo para o futebolEsse fundo terá um aporte inicial estimado entre R$100 e R$150 milhões. Com esses recursos vamos reforçar o time. Será um dinheiro carimbado, que não será utilizado em outras áreasComo o futebol terá um caixa próprio, poderemos destinar receitas para pagar dívidas e investir em outras demandas do clube. Outra proposta é dar mais autonomia financeira e administrativa para a área social, tornando-a mais forte e independente. Vamos também promover uma maior integração entre a base e o profissional, aproximando ainda mais os CTs de Cotia da Barra Funda. Com isso vamos otimizar custos e realizar um intercâmbio maior entre nossos garotos e os profissionais”.  

O que tem achado do trabalho de Rogério Ceni e da gestão de Leco?

“Como você deve saber, o Rogério Ceni chegou ao clube na minha primeira gestão. Anos depois estreou em um torneio da Espanha. Ele é meu amigo pessoal, tanto que inclusive me convidou para seu jogo de despedida. Na minha opinião, além de ídolo, ele é um treinador com muito potencial e que pode ajudar muito o São Paulo. Ele só precisa de tempo e elenco para trabalhar. Por falta de planejamento da atual diretoria, o grupo tem algumas carências, principalmente nas laterais e meio-campo. Isso atrapalha o desempenho do time e, consequentemente, o próprio trabalho do Rogério. Sobre a atual gestão, só posso classificá-la como preocupanteNo último ano, as dívidas aumentaram 16%, beirando a casa dos R$ 300 milhõesIsso faz com que o clube tenha que vender cedo garotos promissores como David Neres e Lyanco. O marketing é outro ponto de grande preocupação. A atual gestão estimou faturar R$ 44 milhões em patrocínios este ano. Mas fez menos de R$ 14 milhões e ainda perdeu a Prevent Senior como patrocinadora master. Nos últimos jogos nossa propriedade mais valiosa foi cedida de graça para uma empresa por conta de uma negociação mal conduzida pela atual diretoria com a Comissão Técnica.  É uma sequência de erros e amadorismo que não são condizentes com o nome e a grandeza do São Paulo Futebol Clube”.

O Sr. promete contratações de reforços?

“O fundo de investimentos nos possibilitará contratar jogadores de ponta para o time. Não falarei de nomesMas teremos receitas e com elas contrataremos novos jogadores com nível para construirmos um time campeão”.

Qual seu plano de gestão no marketing e nas finanças?

Nós implementaremos uma gestão profissional no clube. O marketing e as finanças serão geridos por profissionais do mercado. Contaremos com o auxílio de headhunters para buscar profissionais capacitados para trabalhar a marca São Paulo, uma das mais valiosas e poderosas do futebol brasileiro, mas que está subvalorizada. Separaremos o marketing da área comercial. Isso dará autonomia e potencializará as possibilidades de cada área. Sobre as finançasdesde o primeiro dia nos concentraremos em equacionar as dívidas do São Paulo, que hoje beiram os R$ 300 milhões. O clube perdeu credibilidade no mercado. Até para pegar um empréstimo em um banco está difícil. Essa situação é inadmissível e precisa ser revertida o quanto antes possível”.

Consideras o Morumbi um estádio ultrapassado?

“O Morumbi não está ultrapassado. Precisamos fazer adequações para adaptá-lo às demandas e necessidades do século XXIO Morumbi é a nossa casa, o orgulho de todo são-paulino. Temos um projetpara melhorar a sua infraestrutura e garantir mais conforto para a nossa torcida. Esse plano prevê a construção de um novo estacionamento e a aproximação das cadeiras ao gramado. Vamos estudar também a questão da cobertura. O torcedor merece mais conforto em sua casa. Nos últimos tempos, vimos o Morumbi perder muitos shows para outras praças. Vamos torná-lo novamente a casa dos grandes eventos na cidade”. 

Há 24 anos o Sr. teve problemas como presidente no envolvimento com o empresário Todé. O Sr. acha que isso pode ser resgatado contra o Sr. na eleição?

Esse é um assunto superado, que só voltou à tona por conta da minha candidatura. Não há mais o que falar sobre esse caso. A acusação surgiu de uma fita manipulada e adulterada, conforme laudo assinado pelo renomado perito Ricardo Molina. No laudo não há uma menção sequer sobre a comissão de 5% que o empresário afirma que pedi. Isso foi dito apenas no depoimento dele ao juiz. E muito me espanta e indigna ver o magistrado afirmando que houve esse pedido de comissão baseado numa fita que ele próprio considerou como clandestina e ilícita. Isso não faz sentido para mim. De toda forma, o próprio Conselho Deliberativo tornou minha punição sem efeito e me reconduziu ao clube. Hoje sou presidente do Conselho Consultivo, órgão de notáveis que reúne todos os ex-presidentes. Aquele foi um episódio que me causou grande tristeza e sofrimento. Mas a minha inocência está mais do que comprovada”.  

Abílio Diniz terá que peso na sua gestão, caso o Sr. seja eleito?

“O Abílio Diniz é um grande são-paulino e um dos muitos apoiadores da nossa campanha. Ele entende que nossas ideias e propostas são as melhores para o futuro do SPFC. É uma pessoa bem-sucedida em sua vida profissional e que quer ajudar o clube. Será importante para a modelagem e constituição do fundo de investimento. Mas não terá participação direta na gestão e nas tomadas de decisão. O Abílio quer o bem do São Paulo e, assim como muitos outros conselheiros, sócios e torcedores, está seguro que o nosso projeto seja o melhor para o SPFC”.

A eleição à presidência do São Paulo será dia 18 de abril. Pimenta irá concorrer contra Carlos Augusto Barros e Silva, o Leco, atual presidente são-paulino.


Luiz Cunha nega veto a Cueva e define Leco como mau presidente
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Alexandre Praetzel

Luiz Cunha, ex-diretor de futebol do São Paulo, concedeu entrevista exclusiva ao blog. O ex-dirigente criticou o presidente Leco, negou que tenha vetado a contratação do peruano Cueva e se mostrou esperançoso para uma mudança de rumo nas gestões futuras do tricolor. Acompanhe abaixo.

Ano do São Paulo

“Referindo-me ao time, defino como um ano para se tirar muitas lições, um ano em que por erros internos, deixamos de alcançar coisas boas que em certos momentos pareceu utopia, mas em outros estava ao nosso alcance, bastava-nos fazer o óbvio”.

São Paulo perdeu espaço para os rivais e deixou de ser referência

“Sim, de há muito, desde o golpe do terceiro mandato que nos rebaixou às piores ações eternizados de gestões dos co-irmãos da capital – quando eles chegaram a visitar a segunda divisão nacional – entregando-nos a um mandato espúrio, indevido, manchador das nossas tradições, por rasgar o Estatuto Social que em cláusula pétrea procurava evitar isto. Foi um ato tão ruim que a partir dali, naufragamos, vivendo apenas de pequenos lampejos”.

Veto à contratação de Cueva

“Não, absolutamente. Expliquei isto nas entrevistas das quais participei logo que deixei a diretoria, cheguei a fazer um paralelo que torceria muito para que o Cueva fosse tão importante para nós, quanto foi Romerito, por exemplo, para o Fluminense, em seu tempo. Voltei a explicar em todas as demais entrevistas que me solicitaram e agradeço a você por poder ratificar no seu Blog, o que se passou:

Assumi a direção de futebol quando o time estava apenas três pontos adiante dos que cairiam no campeonato paulista e, faltando o returno da fase de grupos da Copa Libertadores onde estávamos pessimamente colocados, virtualmente desclassificados para as fases de mata-mata. Vinha de uma gestão muito profícua no futebol de base. Tínhamos uma dívida monstruosa e aparentemente impagável, portanto sem recursos para contratações. Nas reuniões de diretoria era colocado que o objetivo institucional número um seria apertar os cintos e baixar o endividamento. Pensei: dentro de tais parâmetros, vou imitar o GRES Acadêmicos do Salgueiro que em tempos de vacas magras, num de seus enredos dizia: “Tira da cabeça o que no bolso não há”.
Tracei estratégias de relacionamento com o grupo de profissionais do futebol e com os funcionários. Gestão de futebol é basicamente lidar com pessoas, atender seus anseios e expectativas sem se afastar dos objetivos maiores da Instituição. Assegurei-me com o diretor financeiro de que colocaríamos em dia os salários e premiações em atraso e não voltaríamos a deixar de pagar a todos, em dia. Se necessário fosse, dentro das minhas disponibilidades, até colocaria recursos próprios para que isto ocorresse. Chamei os lideres dos jogadores para uma conversa e busquei ouvir deles o porque não rendiam tudo o que podiam. Com isto, tive um diagnóstico e agi, obtendo um sucesso tão grande e breve, quanto inesperado.
Considerando este preâmbulo e estando classificados para a semifinal da Copa Libertadores, o que nos trouxe receitas enormes em bilheterias, cotas da Conmebol e até no marketing, vislumbrando os benefícios de estar na final e até o título, voltei nossos recursos para a permanência do Maicon, coisa que era prioritária, além de renovar o contrato do Paulo Henrique Ganso, jogador reconhecido de rara qualidade e em grande fase. Estas eram ações inclusive, motivadoras dos jogadores em questão e de todo o time. Mas, notei alguns movimentos estranhos a estes objetivos e busquei saber do que se tratava. Estava empenhado com 100% do meu tempo a alcançar o titulo da Libertadores enquanto trabalhava no planejamento de médio e longo prazo. Soube que estavam, o presidente e o superintendente de futebol, armando à minha revelia uma contratação onerosa. Ordenei ao meu imediato que paralisasse tal processo, não que anulasse mas que desse um tempo, até que finalizássemos o planificado, após o que voltaríamos a ver com a diretoria financeira a possibilidade de finalizar aquela contratação.
Ora, a um diretor de futebol não comprometido com as finanças e sobrevida do próprio clube, bastava saber quem era o jogador, se era indicação e pedido do treinador e, sabendo que era bom, como de fato comprova o excelente Christian Cueva (se não houvesse oposição do presidente o que seria sua obrigação), contrata e pronto, mesmo estando o jogador em questão impedido de jogar conosco o primeiro objetivo da ocasião, a Copa Libertadores. Houve quebra de hierarquia, traição e quebra de planejamento financeiro. Isto foi a gota d’água para minha saída. Note: Foi a gota d’água e não o motivo principal”.
Michel Bastos foi um problema
“Para mim e no meu tempo, não. Foi, isto sim, solução. De jogador desmotivado e aberto a propostas para sair, transformou-se depois de uma conversa franca que tivemos, e da gestão próxima do elenco que tive, numa das nossas melhores e mais decisivas armas na campanha da Copa Libertadores”.
Jogadores reclamavam do ambiente político chegando ao vestiário
“Não recebi nenhuma queixa direta nesse sentido. Nem precisava pois era evidente que ambiente politico derramava contratempos no desempenho do time. Pior é que havia gente capaz de, sob uma liderança aberta e parceira, resolver os problemas como aliás, foi feito. Temos gente da melhor qualidade no CT”.
Leco é bom presidente
“Não. Leco é muito boa pessoa. Sério, educado, agradável, pai de família exemplar. Pessoa ideal para se relacionar com amizade. Mas o que fez comigo, traindo minha confiança e dedicação, bem como o desempenho totalmente irregular da equipe sob sua gestão, seus métodos antiquados e centralizadores, faz com que não o defina como um bom presidente para o nosso Clube”.
Modelo ideal para o clube e futebol
“A autonomia de cada setor, o social e o futebol. As receitas oriundas de cada um devem ser dirigidas ao próprio setor gerador. Por que o sócio não torcedor deve sustentar o time, se ele paga mensalidade para custear a sede social que frequenta? Por que o sócio torcedor tem que ter seus pagamentos utilizados na manutenção da sede social, se lhe é proibido frequentar?

Desde o início da internet e das redes sociais como os fóruns de discussão, apregoo que para fidelizar o sócio torcedor, deveríamos dar-lhe poder de voto, não para presidente porque aí ele estaria interferindo na parte administrativa e patrimonial. Mas sim, para a vice presidência de futebol, que comandaria a formação de jogadores e o time profissional, utilizando as receitas oriundas do futebol como: arrecadação dos jogos, patrocínios nos uniformes, cotas de TV e, receitas de cessão de jogadores, entre outras. Por seu lado, o associado elegeria o vice presidente social que nomearia o diretor social e os das diversas áreas e setores da sede, sempre em contato com os sócios para ouvir deles suas aspirações, inclusive de custo da mensalidade, oferecendo em troca tudo o que os sócios puderem custear.
O fato de serem cargos eletivos, os tiraria da ação direta do presidente da diretoria. Eles teriam que prestar contas ao grupo gestor e aos seus eleitores. O presidente teria a precípua atribuição de cuidar do patrimônio, dentre dos limites de suas atribuições, participando também do grupo gestor.
Aguardo com muita ansiedade a redação final do novo estatuto a ser submetida à apreciação e aprovação dos conselheiros e depois, finalmente, dos sócios. Ele deveria ser mais avançado do que parece ser e deveria entrar em vigor no primeiro dia útil de ano que vem, estando sob sua égide a próxima eleição para presidente, em abril próximo”.
Quem vai apoiar na próxima eleição
“Como ainda não há um quadro de candidatos, afirmo que apoiarei alguém comprometido com a modernidade administrativa, com a descentralização do poder e, com a responsabilidade para com o planejamento traçado. Alguém com preparo, preferencialmente com prática e conhecimento de gestão e governança corporativa”.
Rogério Ceni como técnico
“Acho que deve ser técnico. Ele tem declarado desejo de ser treinador (segundo leio) e tem muitas qualidades que o classificam como candidato a um dos melhores. Todavia penso que para ser técnico do SPFC deve galgar alguns degraus pós formação, como: dirigir equipes de base e depois, comprovar qualidade em equipes de menor expressão e exigências tão imediatas quanto são as nossas”.
O São Paulo terá eleição à presidência em abril de 2017. Leco será candidato à reeleição. O novo estatuto será votados nos próximos dias. Luiz Cunha ficou no cargo de diretor de futebol de março a junho deste ano.

 


Rogério Ceni e o pensamento mágico são-paulino
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Alexandre Praetzel

Rogério Ceni pretende ser técnico do São Paulo em 2017. O presidente Leco abriu esta possibilidade, admitindo que a idéia é interessante, com Rogério podendo ficar seis meses ou seis anos no cargo. O mandatário tricolor sabe que não será uma aposta simples, apesar da idolatria da torcida e da aura de “mito” que carrega o ex-goleiro.

Particularmente, vejo como um pensamento mágico. A chance de dar certo é igual a de treinadores disponíveis no mercado como Roger Machado, Abel Braga, Vágner Mancini e outros mais experientes. Claro que Rogério é um grande profissional e obcecado por trabalho, vitórias e títulos.

Agora, começar logo no primeiro time tricolor, vejo como um risco desnecessário. Tudo porquê a cultura diretiva brasileira se baseia no resultado. Uma sequência de derrotas abala o maior ídolo de qualquer clube, no Brasil. Dirigentes não aguentam tamanha pressão e fecham os olhos e tapam os ouvidos para grandes nomes da história.

Falcão, Figueroa e Fernandão no Inter. Zico no Flamengo. Renato Portaluppi e De León no Grêmio são exemplos que eu me lembro, onde as diretorias não pensaram duas vezes, antes de dispensá-los. Acho que Rogério Ceni poderia ser um bom nome para as categorias de base e depois, naturalmente, assumir o elenco principal, com lastro e experiência. Afinal, estamos cansados de ouvir de ex-jogadores que a função de técnico é muito mais difícil de assumir.

A torcida estará ao lado de Rogério Ceni, que será muito maior do que qualquer direção. Suas entrevistas e seus treinos diários vão repercutir bem mais do que muitas decisões da cúpula são-paulina. Suportar a perda de espaço na mídia e administrar a vaidade de ficar em segundo plano, também serão desafios dos dirigentes amadores tricolores. Vamos aguardar os próximos capítulos.


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