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Autuori reclama do futebol jogado no Brasil: “temos de parar e refletir”
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Alexandre Praetzel

Paulo Autuori não é mais técnico de futebol. Transformou-se em um gerente-executivo para coordenar e apoiar os trabalhos das comissões técnicas do Atlético-PR, em quatro categorias. Autuori entende que é uma função nova, mas totalmente distante de negociações e envolvimento com contratações. Em entrevista exclusiva ao blog, Autuori valoriza demais a gestão do Atlético-PR, prevê um futuro de protagonismo para o clube paranaense e critica os rumos do futebol brasileiro, longe do bom momento da seleção brasileira. Confira a seguir.

A qualidade duvidosa dos times brasileiros lhe incomoda, principalmente, no Campeonato Brasileiro?

Ano passado, mesmo fazendo uma boa campanha, eu cansei de falar que o campeonato estava em um nível para baixo. Aí as pessoas, infelizmente, criticam. É hora de nós fazermos uma auto-análise e vermos né. Então, a responsabilidade ela tem que ser compartilhada e nós temos a nossa. Não dá para se esconder disso. Não dá para as partes ficarem jogando, sacudindo a água do capote, umas para as outras. Temos, de uma forma geral, parar e refletir e pensar que o futebol brasileiro não é seleção brasileira, que está fazendo um excelente trabalho pelo ótimo e a excelência do Tite, inteligência dele de saber utilizar os jogadores de fora. Então, os treinos dele são nos clubes, trabalha com conceitos atuais. Esses jogadores já sabem exatamente aquilo que devem fazer porque fazem nos seus clubes. Então, é mérito total do Tite, mas o futebol brasileiro não é a seleção brasileira. Nós temos muitos problemas aqui, temos que parar, refletir, pensar. Agora, isso é uma responsabilidade de todos.

Essa função de diretor-executivo está lhe agradando?

Não, eu não sou diretor-executivo. Eu trabalho junto com as comissões técnicas Sub-15, Sub-17, Sub-19 e profissional. Eu não quero, não participo de negociações, né cara, não tenho essa figura. Não é para mim, é uma coisa que eu, particularmente, não quero fazer, deixei isso claro. Então, é muito mais na parte técnica, o que tem a ver com o futebol, aplicação naquilo que a gente entende que deve ser no clube, como um todo.

Foste convidado pelo Atlético-MG? Não tem nada?

Não, não. Não tem nada, Fico feliz porque não estou nem um ano nessa função. Acho que é a necessidade que tem de pessoas que são do futebol, que já estão no futebol, vivenciaram muitas situações positivas, negativas, que têm a ver com a gestão de pessoas, de saber lidar. Acho que é uma função carente no futebol brasileiro, estamos confundindo isso com diretor-executivo, é uma função completamente diferente de gerência, muito mais abrangente do que aqueles que têm que estar próximos, facilitando o trabalho dos técnicos, porque tudo cai no trabalho dos técnicos. Então tem que ter alguém que possa dar a cara também e dizer, pera aí a culpa não é do técnico não, se é dele, é minha também, entendeu. É isso que eu tento fazer, exatamente aquilo que sentia falta e que todos os técnicos brasileiros, no fundo, sentem.

Técnicos tiveram tempo para trabalhar na parada das eliminatórias e os times pioraram, na maioria. Isso incomoda também?

Eu acho que aí, nós temos que fazer uma reflexão mais profunda. Eu te digo isso pelo seguinte. Você joga, joga, quando você tem uma semana ou dez dias cheios, dois dias é para você recuperar da quantidade de jogos que se teve, na primeira semana livre que se teve. E ao aproximar o jogo, na véspera você não faz muito. Não vamos dizer que em sete dias, você vai ajeitar, entendeu? E a outra coisa é a falta de rotina de você ter uma semana toda. Então, há uma necessidade grande de dar uma relaxada em relação a sequência de jogos que é a realidade, na maior parte do calendário brasileiro. A partir do momento que isso for uma constante ao longo de todo o campeonato, só agrupar em alguns momentos como acontece na Europa, porque às vezes muita gente fala, lá na Europa também se joga. Se joga, mas você sabe exatamente onde esses jogos irão se acumular e você se prepara minimamente, para isso aí. Então, é uma análise profunda, é isso que a gente precisa, refletir com todos os segmentos do futebol. Não é que um tenha razão, outro não. E a gente fica brigando entre nós. No fundo, como é que o espetáculo fica? Fica desta maneira que está com cada um tentando passar uma imagem que não é o responsável e deveríamos todos com humildade, refletir. Uma coisa para ficar muito clara. A Alemanha sempre foi muito vitoriosa em relação a clubes e seleções e parou para refletir. Pera aí, cara. Mesmo ganhando títulos, não é assim que a gente quer. E por que a gente não faz a mesma coisa? Porque somos arrogantes , não temos a humildade necessária de entender. Nós queremos dizer a Venezuela não é nada. Comparar com a gente? É covardia comparar com a Venezuela. Tem que comparar a Venezuela com eles mesmos. Estou dando apenas um exemplo. Então, eles evoluíram porque a comparação é deles com eles mesmos. Então, a gente tem que comparar conosco mesmo, o que fazemos hoje e o que fizemos ao longo da nossa história.

O ex-presidente Petraglia disse que em dez anos, o Atlético será campeão do mundo. O Atlético ainda é um time médio? Falta alguma coisa?

Quando ele falou, ele falou claramente que quer preparar a equipe para poder estar envolvida na disputa por um título mundial. E isso aí é um desafio com essa excelência que o clube tem em termos de infraestrutura, organização e metodologia, é fazer o futebol do clube ser feito com essa excelência. Mas isso é muito complicado, é um processo. Até porque as equipes do Atlético sempre se caracterizaram por jogar defendendo e saindo. E agora a ideia, de trabalhar o futebol todo, é para ter uma equipe que possa ter o controle do jogo, ser protagonista e não ser coadjuvante. Esse é o grande desafio dos profissionais que lá trabalham e da gestão. A gestão é exemplar. Eu posso assinar embaixo que é a melhor que eu já vi, em relação a trabalho. Em 20 anos, deixou de ser praticamente um clube de bairro para ter hoje um patrimônio espetacular, o único clube que tem uma arena própria. Amanhã, posso sair do Atlético, mas vou continuar falando exatamente isso. O futebol brasileiro precisa de gestões dessa maneira. O que se passa dentro de campo, aí é jogo de futebol, é outra situação.

Fabiano Soares foi uma indicação tua?

Fabiano é um treinador que foi bem na Europa e eu estou, como estava para o Eduardo Baptista, por isso me afastei um período do clube, porque acho que você deve começar e acabar um ciclo. Depois, se analisar e ver se foi bom ou se foi mau. Acho que isso não acontece no futebol brasileiro. Então, desde que o Eduardo assumiu, eu falei: na hora que ele saísse, eu sairia. Foi o que eu fiz, né. Saí, fiquei fora, tive alguns convites, o próprio presidente Petraglia e o presidente Salim souberam, alguns clubes entraram em contato com eles. Não havia motivo para eu sair do clube, estava bem, apenas em uma situação, prometi a mim mesmo quando eu estivesse nessa função, se o técnico saísse, eu sairia também, porque acho que é uma covardia jogar a culpa sempre nos técnicos.

Paulo Autuori está com 61 anos e treinou o Atlético-PR, em 2016. Mudou de função e apoiou a chegada de Eduardo Baptista, saindo do clube, quando Eduardo foi dispensado. Voltou em seguida, em um acordo com a diretoria. Como técnico, foi campeão brasileiro pelo Botafogo, ganhou duas Libertadores da América por Cruzeiro e São Paulo e foi campeão mundial interclubes pelo tricolor, em 2005.


O fiasco do Galo em 2017
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Alexandre Praetzel

O Atlético-MG é uma das maiores decepções da temporada. No início do ano, o Galo foi cotado como favorito para a Libertadores da América e candidato ao título do Campeonato Brasileiro. Roger Machado chegou com grande cartaz e teve um grupo qualificado à disposição. Ganhou o Mineiro, mas o time nunca convenceu nas competições mais importantes.

Roger alegava desgaste pelo calendário e os jogadores reclamavam da maratona de partidas, esquecendo que todo mundo estava passando pelo mesmo problema. Roger foi demitido dia 20 de julho, após a derrota para o Jorge Wilsterman-BOL, no primeiro confronto das oitavas-de-final. Foi a quarta vítima do presidente Daniel Nepomuceno, degolador de técnicos, desde o começo da sua gestão, em janeiro de 2015. Antes caíram Levir Culpi, Diego Aguirre e Marcelo Oliveira.

Rogério Micale assumiu dia 24 de julho e caiu dois meses depois. Foi eliminado da Libertadores e não conseguiu boa sequência na Série A. Não aguentou a pressão de comandar uma equipe principal e também sucumbiu como o quinto dispensado por Nepomuceno. Veio Oswaldo de Oliveira para fechar o ano e segurar o Galo na primeira divisão. Estreou com vitória fora de casa, mas perdeu o título da Primeira Liga para o Londrina, 10º colocado na Série B do Brasileiro. Mais um vexame de um elenco com ares de descomprometimento.

Não venham dizer que a Primeira Liga não importava. Oswaldo escalou força máxima e não conseguiu vencer nos 90 minutos. Uma formação com Victor; Alex Silva, Gabriel, Fellipe Santana e Fábio Santos; Adilson, Elias, Cazares(Marlone) e Valdívia(Clayton); Robinho e Fred(Rafael Moura) deve e pode jogar mais, mas parece que o ano terminou e os atletas estão cumprindo meras formalidades. Um fiasco para um time caro e desinteressado.

Depois de Alexandre Kalil, seu discípulo e sucessor não deixará saudades. Tanto que não irá concorrer à reeleição. A torcida do Galo merece ver mais gestão, organização, trabalho e competitividade. Provavelmente, o Atlético mudará bastante em 2018.


São Paulo. Em dez anos, de referência a clube igual aos outros
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Alexandre Praetzel

Estou na mídia esportiva de São Paulo, desde 05 de julho de 2007. Quando cheguei, enxergava o São Paulo como o maior Clube da América do Sul. Era campeão brasileiro e conquistou o bicampeonato com facilidade, naquele ano. Em 2008, bateu tricampeão, no final do ano. Então, de 2005 a 2008, foram três brasileiros consecutivos de pontos corridos, uma Libertadores, um Mundial Interclubes e um Paulista. Titulos buscados com gestão de futebol, coerência nas contratações e valorização dos profissionais.

Dez anos depois, o São Paulo mudou para pior de maneira impressionante. E acompanhei tudo. Não sou dono da verdade, mas posso listar algumas coisas que ajudaram nessa queda brusca e no jejum de troféus.

-Em 2009, o ex-presidente Juvenal Juvêncio deu um “golpe” no Conselho Deliberativo e ganhou de presente um terceiro mandato. Vários conselheiros apoiaram. Foi péssimo para o clube e vemos consequências até hoje. Tive oportunidade de dizer isso ao ex-presidente, na ocasião;

-O São Paulo não tem renovação de dirigentes. 124 conselheiros vitalícios dão as cartas e definem os rumos são-paulinos. Mudaram o estatuto com a promessa de profissionalizar as diretorias, mas os resultados são pífios. A oposição é fraca e inconsistente;

-O São Paulo era referência por saber contratar e ter se adequado mais rápido às mudanças da Lei Pelé. Contratava com critério e antecedência, sempre com time e elenco fortes. Hoje, contrata a rodo. Vários nomes chegaram e saíram, sem dar resposta e retorno ao São Paulo;

-Havia uma comissão técnica fixa com profissionais de altíssima qualidade. Na falta de resultados, a culpa caiu sobre eles. O São Paulo virou um moedor de técnicos. Nem Rogério Ceni aguentou;

-Uniformizados ganharam espaço. O São Paulo se gabava de não ceder às pressões. Só discurso. Hoje, a diretoria é parceira dos torcedores. Subsidia ingressos e abre as portas do CT, para constranger atletas e funcionários. Como se isso fizesse o time vencer. Falência diretiva;

Agora, Muricy Ramalho virou solução. Conversei há 15 dias com Muricy. Se prontificou a ajudar, mas deixou claro que não ocuparia cargo nenhum. Será uma espécie de consultor, próximo a Dorival Jr. Se ele não conviver com os atletas, pouco adiantará. O próprio Muricy é contra palestras motivacionais e auxílios de psicólogos. Acho pensamento mágico.

Acredito que o São Paulo precisa trabalhar e jogar bola. Dorival Jr. pode deixar o time mais forte defensivamente e mais competitivo. O fundamental é terminar em 16º lugar. Do jeito que está, nada indica que isso irá acontecer. Ah, e silêncio não traz futebol. De uma hora para outra, as entrevistas viraram culpadas. Tudo é um problema, menos os dirigentes. E eles não olham para eles mesmos.


Gostaria de ver o Botafogo campeão com o renascimento do clube
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Alexandre Praetzel

Chegamos a nove rodadas do Brasileiro com Corinthians e Grêmio como destaques. Sem dúvida, os dois times merecem aplausos pelos desempenhos e farão o grande jogo do fim de semana. No entanto, gostaria de chamar a atenção para o Botafogo. Adoro o Botafogo e sua Estrela Solitária, o símbolo mais bonito do futebol mundial.

O Botafogo disputou a Série B, em 2015, com um clube destruído financeiramente e sem elenco, praticamente. Começou do zero com uma gestão comprometida e profissional do presidente Carlos Eduardo Ferreira. Montou um time barato, mas com nomes promissores e encorpou para o retorno à Série A, subindo sem sustos.

Em 2016, foi cotadíssimo para repetir a queda, mas manteve os pés no chão e silenciou opinião pública e parte da imprensa, com uma campanha valorosa e consolidada, chegando à Libertadores da América e apresentando Jair Ventura como um treinador competente. Abriu 2017 eliminando Colo-Colo e Olímpia e terminando em primeiro lugar no seu grupo dificílimo da primeira fase, com a presença do Nacional de Medellín. Também está nas quartas-de-final da Copa do Brasil diante do Atlético-MG.

Claro que ainda não ganhou nada e poderá não ganhar. Mas com cotas bem mais baixas que os adversários e receitas inferiores de patrocínio, o Botafogo aposta em gestão. E tem dado certo, ainda que existam muitas dificuldades financeiras. É quarto colocado do Brasileiro com 15 pontos e 55,6% de aproveitamento com um elenco reduzido. Mérito da comissão técnica, jogadores e diretoria.

Hoje, Arnaldo, Victor Luiz, Bruno Silva, Camilo, Roger e Rodrigo Pimpão passaram de “rodados” a nomes cobiçados no mercado brasileiro. E ainda tem Montillo e uma safra de jovens interessante. Olha, não torço para time nenhum, mas o Botafogo merece meu respeito e minha admiração. Eu gostaria de ver o Botafogo campeão em 2017. Seria o resgaste definitivo de um grande clube com uma história interminável.


Roberto de Andrade: “Carille é o meu técnico até o final da gestão”
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Alexandre Praetzel

O Corinthians está na final do Campeonato Paulista para enfrentar a Ponte Preta, em duas partidas. O time chega à decisão com um esquema tático baseado no conjunto e na força defensiva, trabalho determinado pelo técnico Fábio Carille. O blog entrevistou o presidente Roberto de Andrade, que garantiu Carille até o final da sua gestão, em fevereiro de 2018, e ainda previu Campinas e Itaquera, como locais das partidas. Acompanhem abaixo.

O Corinthians mereceu chegar na final?

“Muito merecido. Não é pouco não. Jogou, ganhou dentro de campo, se empenhou, mostrou, jogou com grandes. Não foi jogo fácil, nenhum jogo foi fácil, jogamos no Morumbi, enfrentamos o São Paulo no nosso estádio, tem um grande time, as dificuldades são imensas. Mesmo ao longo do campeonato, todo mundo sabe, o Paulista é dificílimo de jogar, basta ver que nos últimos anos, um time do interior chegou sempre na final, até conquistando título. Então, acho muito merecido”.

Decisão em Campinas e na Arena do Corinthians?

“É isso aí. Se tudo correr normal, é assim que tem que ser”.

Como o Sr. analisa o time da Ponte Preta?

“Vejo forte. É um time forte, muito difícil de jogar. Vocês viram o jogo com o Palmeiras. O Palmeiras ficou pratimente 50, 60 minutos com a bola no pé e não conseguia furar aquela defesa da Ponte. É um jogo bem difícil. Então, não dá para falar que a Ponte é favorita, nem o Corinthians. É um jogo que nós temos que esperar e ver o que vai acontecer, mas é difícil”.

A aposta no Fábio Carille foi certeira?

“Acho que sim. Acho que vem fazendo um bom trabalho. O grupo assimilou bem tudo o que ele quer, tudo o que ele pede. Os resultados estão aparecendo. Isso ajuda também, né. Isso deixa o treinador com um pouco mais de tranquilidade para trabalhar e o elenco também. Estou muito contente”.

O título paulista fortalece a sua gestão, por ser no último ano?

“Não precisa de título para fortalecer gestão nenhuma. Independentemente disso, aquilo que estou fazendo pelo Corinthians, tenho convicção de que é o melhor para o Corinthians. Se vier um título, óbvio que é melhor. Nós já temos um Brasileiro na minha gestão. Se vier um Paulista, será muito bem-vindo”.

Carille é o seu treinador até o final da sua gestão?

“É. Meu treinador até o final da gestão”.

Houve muito prejuízo com a eliminação na Copa do Brasil?

“Não é muito representativo financeiramente, a não ser que você seja campeão, aí você tem um prêmio. Pensando de outra forma, qualquer dinheiro é bem-vindo. Como terá o dinheiro do Paulista, acaba tendo uma compensação. Eu acho quer perder, nunca é bom. Nunca ninguém quer, mas não dá para ganhar tudo. Infelizmente, não conseguimos passar nos pênaltis e estamos fora, mas estamos na final do Paulista”.

Roberto de Andrade tem mandato até o final de fevereiro de 2018. Além de estar na decisão do Paulista, o Corinthians ainda disputa a Copa Sul-Americana e terá o Brasileiro, a partir de 13 maio.


R. de Andrade diz que “seria legal pegar a Ponte” e já estuda reforços
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Alexandre Praetzel

O Corinthians pode ser Campeão Paulista, sem apresentar um futebol brilhante, mas simples e eficiente. A vitória de 2 a 0 sobre o São Paulo, deixou o time próximo de mais uma decisão estadual. O blog conversou com o presidente Roberto de Andrade, sobre a possibilidade de mais uma conquista, no último ano de gestão, um possível confronto com a Ponte Preta, 40 anos depois, e a projeção para o Campeonato Brasileiro, competição em que acredita que o time precisa contratar dois ou três reforços para fortalecer o elenco. Leia abaixo.

Como o Sr. define o time do Corinthians hoje?

“Eu não tenho uma definição própria. Eu vou muito atrás do que vocês falam. Vocês dizem que é a quarta força e eu acredito que é a quarta força. Então, vamos aguardar. Estamos aí, trabalhando, brigando, somos a quarta força”.

O Sr. acha que o time está pronto para ser campeão ou ainda é cedo para falar isso?

“É muito cedo. Foi apenas o primeiro jogo contra o São Paulo, tem o jogo de volta, São Paulo é um grande time. Como nós ganhamos no Morumbi, o São Paulo pode muito bem ganhar no nosso estádio. Então, pés no chão, vamos trabalhar. Acredito que demos um passo importante, mas vamos aguardar o segundo jogo”.

Inter será mais difícil que o São Paulo, nesta quarta-feira, pela Copa do Brasil?

“Não sei fazer uma análise. Acho que os dois jogos serão difíceis, tanto Inter, quanto São Paulo no domingo. Eu acho que se o Corinthians repetir as últimas duas atuações, vai ser difícil tirar o Corinthians das duas competições. Vamos aguardar”.

O Sr. ficará satisfeito se o Corinthians for campeão com o futebol atual, apresentado pela equipe?

“Lógico. O título é o objetivo de qualquer clube e o nosso não é diferente. Acho que é um clube que vem num crescente, a cada jogo, os atletas estão se dedicando bastante, trabalhando muito. Eu acho que nós estamos no caminho certo”.

A final será Corinthians e Ponte Preta pelas vantagens dos primeiros jogos?

“É um bom caminho, mas no futebol já vimos de tudo. Então, é bom sempre ficar com os pés no chão, aguardando. As vitórias de Corinthians e Ponte Preta foram muito boas, mas em se tratando do Palmeiras, que é um grande time, pode fazer três gols também. Tudo pode”.

Seria legal enfrentar a Ponte Preta, 40 anos depois da histórica decisão de 1977?

“77 foi o título mais importante que eu vi. Estava no estádio, com 17 anos. Nunca tinha visto o Corinthians ser campeão. Mexeu com todos os corintianos e até hoje é o título mais importante para mim. Pelo simbolismo, seria legal porque estaríamos comemorando os 40 anos do título, seria muito legal. Mas enfrentar a Ponte seria muito difícil, jogar em Campinas é super complicado, não é brincadeira. Tem o lado positivo para a Ponte também. Esperar 40 anos para uma grande revanche, nunca foi campeã paulista. Seria uma festa legal”.

Qual a projeção que o Sr. faz para o Campeonato Brasileiro?

“Acredito eu, a nossa ideia é trazer mais dois ou três jogadores, para deixar o elenco mais forte. Acabando o Paulista, a gente vai se dedicar nisso também, para deixar o time mais forte no Brasileiro. O Brasileiro sempre é difícil. Esse ano, a gente está vendo aí quatro, cinco, meia dúzia de clubes, e queremos estar dentro desse grupo, que tem chance de conquistar o título. Então, nós vamos nos preparar para isso”.

O seu vice-presidente André Olíveira divulgou vídeos onde afirma que está de olho em todo mundo e que sabe quem se aproveitou do clube. O que o Sr. acha sobre isso?

“Acho que você tem que perguntar para ele, porque eu também não sei. Eu li a matéria, me encontrei com ele no jogo, mas não perguntei a ele e nem sei o que ele quis dizer. Conheço o André. A gente sabe que ele gosta de provocar os adversários. Estamos num ano político, não podemos esquecer isso no Corinthians. Então, deve ser mais um fato relacionado à política”.

Roberto de Andrade termina seu mandato, em fevereiro de 2018. O Corinthians foi campeão brasileiro em 2015, mas viveu um 2016 complicado. Em 2017, Roberto escapou de um processo de impeachment no Conselho Deliberativo, em fevereiro.

 


Tuma Jr. vê Corinthians em situação grave e impeachment como bom senso
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Alexandre Praetzel

Os Conselheiros do Corinthians definem, nesta segunda-feira, se o Presidente Roberto de Andrade deve sofrer processo de impeachment no clube. Roberto foi denunciado no Conselho de Ética por ter assinado documentos como presidente, antes de tomar posse como mandatário. A denúncia foi acolhida pelo presidente do Conselho, Guilherme Strenger, e vai à votação. São 344 conselheiros votantes, mas é possível que nem todos compareçam à sessão. A votação é fechada e para ser aprovada, precisa de metade dos conselheiros votantes mais um, passando à assembléia geral dos sócios. O blog entrevistou Romeu Tuma Jr., conselheiro de oposição e favorável ao impeachment. Acompanhem.

Admissibilidade do impeachment passa no Conselho Deliberativo?

“Se prevalecer o bom senso e o interesse institucional do clube no voto dos Conselheiros, tenho certeza que sim. Aliás, é importante deixar claro que o Conselho só vota a admissibilidade do afastamento, pois quem decide nessa hipótese, são os sócios. Nosso sistema é bem democrático, caberá a quem elegeu o presidente, decidir se ele deve ou não continuar”.

Concordas que o Clube ficará vulnerável com impeachment?

“É evidente que não, se você está vivenciando um problema atrás do outro. Constatando uma irregularidade sendo cometida a cada dia, fazendo com que o clube só produza noticiário negativo, gerando afastamento de potenciais patrocinadores, além de ficar exposto a inúmeras sanções no âmbito administrativo e legal, quer pela CVM, Receita Federal, Polícia e APFUT, como cruzar os braços e fingir que está tudo bem? Mais do que isso, pela legislação, os órgãos de controle e fiscalização interna(Conselho Deliberativo, Cori e Conselho Fiscal) têm obrigação de agir sob pena de respondermos pessoalmente pelos prejuízos causados pelos dirigentes à instituição Corinthians. Por isso, é justamente o contrário, ou seja, o clube está vulnerável e se não passar o impeachment, estaremos provando que os órgãos de controle não funcionaram ou foram coniventes”.

Com impeachment, quem será o melhor nome para assumir o Corinthians?

“Não se pode pensar em nomes, antes de se conscientizar que é preciso mudar o modelo de gestão que hoje impera no clube. Esse modelo de compadrio, toma lá-dá cá, falta de transparência e governança, é um modelo falido, um projeto de poder que prioriza interesses pessoais e de grupelhos. A sociedade e os sócios não aceitam mais esse tipo de Administração. Você tem que ter uma gestão compartilhada com os administrados, com Compliance, com trabalho em equipe, onde nomes de reconhecida competência e conhecimento específico das áreas, sejam os gestores. O Presidente deve apenas ser um comandante de um projeto de gestão que abarque os interesses maiores da coletividade corintiana e tenha capacidade de dialogar com todas as correntes que fazem do Corinthians, essa potência que é. Nome não é tão importante, o que importa é o modelo, é a gestão em equipe, é o compromisso com uma prática legalista, transparente e absolutamente calcada no espírito de servir ao clube e não dele se servir”.

Um impeachment abala o futebol ou não tem relação?

“O que abala o futebol e o próprio clube são os atos de gestão temerária e a total omissão do Presidente. O que abala o futebol é atraso de salários, bate cabeça em contratações e administração paralela, exercida por empresários. A partir do momento que isso se encerrar com afastamento do Presidente, você terá uma gestão calcada na legalidade, que dará segurança a todos os seguimentos e departamentos do clube. Até os investidores voltarão a ter interesse na nossa marca”.

Situação do Clube, institucionalmente

“É periclitante. Estamos efetivamente diante de uma situação muito grave com sérios riscos de punições, que trarão prejuízos imensuráveis. Mas de outro lado, como prevê a legislação, tudo isso pode ser evitado ou ao menos amenizado, se o Conselho Deliberativo agir como manda a Lei, ou seja, responsabilizando os dirigentes que causaram danos ao clube. A questão não é política, é legal, regimental, de ordem institucional, pelo bem do clube, de seus sócios e torcedores. Quem falar diferentemente disso, está fazendo proselitismo político ou por interesses pessoais”.

Caso o impeachment seja admitido pelo Conselho e assembléia geral de sócios, o vice-presidente André Luiz Oliveira assume por 30 dias e convoca eleição à Presidência, apenas com votação entre os conselheiros, para definir um novo presidente com mandato-tampão, até fevereiro de 2018.


Red Bull Brasil mira parceiro alemão e espera crescer no Paulistão
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Alexandre Praetzel

O Campeonato Paulista começa no próximo fim de semana e pode apresentar surpresas na competição mais uma vez. O Red Bull Brasil vai para sua terceira disputa consecutiva e espera chegar nas quartas de final novamente. Nos anos anteriores, parou em Corinthians e São Paulo. O blog entrevistou Thiago Scuro, novo CEO(Chief Executive Officer) do clube e responsável pela gestão. O dirigente espera crescimento da equipe e fala sobre o parceiro alemão, grande surpresa do futebol europeu nesta temporada. Acompanhem.

CEO num clube de futebol no Brasil

“Acredito que não. Alguns clubes já adotaram uma função de liderança. No caso do Red Bull Brasil, minha responsabilidade é liderar a operação do futebol, estabelecer planejamento, orçamento, metas e diretrizes para o desenvolvimento do clube em busca de nossas metas. Nosso objetivo é trabalhar de forma muito intensa o crescimento do nível técnico do Red Bull Brasil. Sonhamos alto e precisamos estar preparados em todos os níveis”.

Red Bull Leipzig é referência

“Sem dúvida nenhuma, a história do RB Leipzig é muito inspiradora. Assim como o RB Brasil, nasceu das divisões mais baixas e hoje é um protagonista na Bundesliga. Vamos utilizar esta história como inspiração, mas sabemos que precisamos construir a nossa. Nosso plano é buscar o crescimento em nível nacional nos próximos anos e posicionar o RB Brasil como um dos principais clubes formadores de jovens talentos na América do Sul”.

Projeção para o Paulista

“Sabemos da dificuldade do Paulistão e estamos trabalhando a preparação da equipe de forma muito cuidadosa. Acreditamos na qualidade das pessoas envolvidas no trabalho da equipe profissional e por isso esperamos mais uma campanha de destaque e cada vez mais consolidar o RB Brasil como uma equipe da Série A1, em São Paulo”.

Alberto Valentim como técnico

“O clube viveu um ciclo de três anos com muito sucesso com Maurício Barbieri e isso deixou muitas coisas positivas no trabalho técnico. Para dar sequência ao desenvolvimento, precisávamos de um profissional com conhecimento, experiência e com a ambição de construir uma história vencedora. O Alberto reúne esses atributos de uma forma muito interessante e essa qualidade já sido traduzida em trabalho na preparação da equipe para o Paulistão. Acreditamos que o Alberto é parte importante do início de um novo ciclo na história do clube”.

Como define o time?

“Um equipe equilibrada. Temos jovens atletas com muito potencial e atletas mais experientes que sabem da importância do clube e competições que temos pela frente. Acreditamos que esse equilíbrio gera bons frutos para o trabalho. Além disso, iniciamos o ano já sabendo da vaga na Série D do Brasileiro. Com isso, estamos tendo a oportunidade de fazer contratos mais longos com os atletas e ter a construção da equipe mais sólida para o futuro”.

Saída do Cruzeiro

“Foi uma decisão difícil e uma opção de carreira. Nunca busquei visibilidade, status ou coisas do gênero. O que me encanta e motiva é o trabalho profissional, organizado e com projeção clara de evolução das instituições, através de um projeto técnico. Saí em busca deste espaço. Mas agradeço muito a oportunidade que tive. Foi uma experiência muito positiva em vários sentidos e será eternamente um privilégio ter trabalhado num clube da grandeza do Cruzeiro”.

Modelo de gestão faliu no futebol brasileiro?

“Essa é uma discussão longa e profunda. De qualquer forma, acredito que está evidente que o modelo atual não é saudável, a partir do momento que os clubes estão se endividando sistematicamente e o interesse do público pelo futebol, caindo. São sinais claros de que precisamos buscar um outro modelo. Na minha visão, precisamos de de regulamentações mais duras no controle dos clubes, limites de contratações e atletas inscritos, janelas de transferências mais restritas e mais fiscalização e punição sobre os clubes que não cumprem seus compromissos financeiros com o Estado, atletas, profissionais, clubes e agentes. É uma indústria que, mesmo em tempos de crise, consegue crescer em faturamento e mesmo assim segue endividada. A criação dos regulamentos de licenças da CBF, modernizações das competições da Federação Paulista de Futebol, Profut, APFUT, enfim, já vejo alguns exemplos de movimentos que, se fortalecidos, criarão a obrigação de clubes mais organizados e saudáveis em todos os níveis”.

O Red Bull Brasil está no grupo C do Paulista com São Paulo, Ferroviária e Linense. A estréia será dia 5 de fevereiro contra o Mirassol, fora de casa.

 


Tinga agradece Cruzeiro por chance e relembra racismo sofrido na rua
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Alexandre Praetzel

Paulo César Tinga encerrou a carreira de jogador em 2015 e preparou-se para assumir um cargo executivo em um clube de futebol. O Cruzeiro, seu último time, apostou nos seus estudos e postura, transformando-o em gerente de futebol. No dia em que completa 39 anos, Tinga conversou com o blog com exclusividade sobre o novo desafio na diretoria do Cruzeiro, gestão, relacionamento com jogadores e racismo. Acompanhem este ótimo bate-papo, abaixo.

Desafio como gerente

“Para mim é um desafio que eu projetei para minha carreira. Fiquei dois anos depois de encerrar a carreira, me preparando para isso. Estou feliz no clube que me deu a possibilidade de encerrar como jogador e está dando a oportunidade de iniciar uma nova função. É um fator emotivo, de reconhecimento, de gratidão. Tenho alegria muito grande por estar com o presidente Gilvan. Apostou agora como apostou quando eu estava encerrando a carreira de jogador. Graças a Deus estou iniciando em um clube extremamente vencedor”.

O que espera encontrar

“Eu tive uma oportunidade de poder viver dentro de campo três décadas diferentes. Meados de 90, 2000, 2010 até 2015, quando parei de jogar. Isso me fez ver o futebol de algumas formas. Trabalharei diferente e o que a gente sempre vai encontrar é a parte humana. Todos são seres humanos passíveis de bons e maus momentos. Acreditando em tudo que eu vivi dentro de campo. Hoje trabalho para o protagonismo dos jogadores e comissão técnica. Hoje sou funcionário trabalhando para o clube. Entendo minha função e trabalho para que todos possam ter o melhor desempenho. Futebol precisa de profissionais que viveram o futebol. A maioria dos clubes do mundo tem ex-atletas que se prepararam. Espero muito trabalho como foi minha vida inteira. É o mínimo que eu tenho que fazer por este clube, pelo carinho, idolatria da torcida. Cruzeiro me deu oportunidade para ser campeão e espero ser feliz novamente em termos de conquistas”

Mano Menezes

“Primeiro pelo fato de estar iniciando, é muito importante começar com um treinador experiente, vencedor e que tem princípios de honestidade, coerência, seriedade. Acaba sendo um fator muito importante para quem está iniciando. Isso me dá uma tranquilidade maior. Vou aprender muito com ele. Já conversamos bastante. O fato de ser o Mano me deu mais confiança. Pelo mesmo caráter, mesmos princípios, facilita muito no início”.

Contato com jogadores

“Vejo isso como algo natural. Depende de como você tratou sua carreira. Quando estava parando no Cruzeiro, sempre tive uma condução do grupo natural. Quando tinha que falar sim, falava sim e o contrário a mesma coisa. Quando você tem princípios, você tem que liderar pregando o que você faz. Me traz facilidade para trabalhar porque conheço a maioria dos jogadores. Não foi à toa que fomos bicampeões brasileiros e ganhamos estadual. Sempre falo que fui campeão e não era titular. Sempre me disseram que eu poderia voltar e trabalhar aqui. Entenderam que eu me posicionava em prol do grupo e da instituição no objetivo de sempre ganhar. Quando tem um perfil definido, não tem problema. Se alterar isso, fica difícil. Todo mundo me conhece, a minha maneira de ser. Tenho a plena convicção de o protagonismo é dos atletas e comissão. Sou um membro da diretoria e trabalho em prol do futebol. Para estar bem, o futebol precisa estar bem também. Vou trabalhar para o futebol ser o melhor. Vejo como um plus, sem dificuldades”.

Queda técnica do Cruzeiro

“Não é fácil você ganhar dois brasileiros na mesma gestão. A gente vê clubes com anos sem ganhar o Brasileiro. Gestão teve ainda um estadual e um vice da Copa do Brasil. Natural que haja falta de títulos e cobranças. Acreditamos que voltaremos a brigar pelas posições em cima. Está no DNA do clube. Está sempre cotado para chegar. Este ano manteve o trabalho e a comissão técnica com aproveitamento acima de 60%, em duas oportunidades. Agora, vai conseguir iniciar a temporada e mantivemos o elenco de muita qualidade. Time tem nomes vencedores, maduros e uma juventude com seu valor. Se fosse vice-campeão no terceiro ano, seria considerada uma queda. Estamos prontos para retomar, com o torcedor nos ajudando, sempre lotando o Mineirão. Isso a gente quer resgatar de novo”.

Futebol brasileiro

“Futebol está encontrando um momento para retomar algumas coisas e está melhorando. Vemos ex-jogadores se preparando, estudando. Conversei com Torres do Flu, Elano do Santos. Isso é muito bom. Futebol está se reestruturando para melhor no Brasil”

Gestão

“Não sei se é atrasada ou falta atitude para mudar. A gente sabe o que tem que fazer. Deixar de agir com emoção como o torcedor. A mudança precisa passar por um todo. Todo mundo tem que contribuir um pouco. Nós, gerentes, independentemente da nomenclatura. O trabalho futebol é o que tem a maior dependência da parte humana. Não é uma fábrica que depende de máquinas como uma produção. É parte emocional, física, técnica. Na hora de avaliar, avaliamos como máquinas. Não podemos rotular jogador que não foi bem e não será melhor. Viajando mundo afora, futebol é mais simples do que a gente tem buscado. Quando você vê as pessoas dirigindo futebol com emoção, alguma coisa pode dar errado. Entender de futebol muita gente entende, mas decidir é muito diferente. A gestão precisa fazer o que tem que ser feito. Às vezes a gente vê clubes grandes perdendo na maioria pela política. A pressão externa começa na política. Quando quiser ir bem na instituição, tem que saber que futebol é uma coisa, sem política. Quero deixar meu legado. Decidir o melhor, às vezes é diferente do que pensa o público. A gestão precisa passar por isso. Cada um que entra não tem continuidade, chega com amigos. A imprensa também. Depois de quatro derrotas, querem a troca do treinador. Muitas vezes falamos de Europa e então vamos copiar a Europa em tudo. Muitas vezes contratamos nomes por cinco anos e com seis meses eles já não servem mais. O jogador é um ser humano como todos e não podemos decretar que é má pessoa por uma ou outra situação. Não podemos dizer que é um mau gestor por uma decisão ruim. Tem que ver no geral. Quero chegar no futebol para acrescentar, não para inventar a roda. As raízes das coisas são humanas. Quero respeitar as pessoas, funcionários. Cuidar também na hora de descartar alguém. Não pode misturar como torcedor. Há um erro e não serve mais. Vou cumprimentar o jogador quando ele acertar ou errar. É simples. Vou trabalhar como a minha vida. Cobrando quando tem que ser cobrado. Jogador sabe qual o seu dever”.

Thiago Neves

“A gente sabe que é um jogador com talento incrível. Com certeza, teve vários clubes interessados. O fato dele decidir pelo Cruzeiro foi interessante porque acredito na vontade do jogador. Pela qualidade do Thiago Neves e de vários jogadores do elenco, é um jogador que quis vir para o Cruzeiro. Importante ele ter decidido vir. Cruzeiro sempre foi um clube que atraiu os jogadores. CT, estrutura, organizado, grande estádio como o Mineirão. Como gestor, o clube é superior a qualquer nome. Dá vontade dos jogadores estarem no clube. Mostra uma maturidade do Thiago ter nos escolhido. Jogador quando entra na idade madura de 28 a 32 anos, é a melhor idade. Ele é tudo, novo, experiente, vaiado, já ganhou, perdeu. Ele decide por tudo, não só pelo financeiro. A gente fica muito feliz como gestor e torcedor em ver o Thiago no Cruzeiro com um grupo talentoso e de personalidade”.

Racismo

“Nunca me preocupou. Situações aconteceram comigo e lidei da minha forma. O que mais me machucou foi não ter sido chamado de macaco. O que mais me entristeceu foi a pessoa atravessar a rua quando me via, achando que eu iria roubar esta pessoa. Uma vez, logo quando eu parei de jogar, conversando com um diretor de futebol ele disse que eu entendia do assunto, mas pediu para eu cortar meu cabelo. Pô, isso me marcou. O cara me elogiou, mas queria que eu cortasse meu cabelo. No Cruzeiro, seu Gilvan, seu Beneci, nunca me pediram para cortar o cabelo e outras coisas. Sempre disseram que deveria voltar ao Cruzeiro. As pessoas pré-julgam de algumas formas, mas eu agradeço muito o Cruzeiro por apostar no meu conteúdo e não na minha pele ou visual. Sempre houve um entendimento que eu poderia contribuir do jeito que eu sou”.

Tinga vestiu a camisa do Cruzeiro de 2012 a 2015, conquistando o bicampeonato brasileiro. Ainda foi campeão da Copa do Brasil pelo Grêmio, em 2001, e campeão da Libertadores da América pelo Inter, em 2006 e em 2010. Pelo colorado, também foi Campeão da Recopa em 2011 e campeão Gaúcho em 2011.


Com 8 reforços, presidente do Bahia diz: “Não tenho medo de bater e voltar”
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Alexandre Praetzel

O Bahia estreia na Flórida Cup, nesta quinta-feira, contra o Wolfsburg da Alemanha. O clube foi convidado a participar do torneio, após a desistência do Flamengo. O blog entrevistou o presidente Marcelo Santana com exclusividade. Aos 35 anos, Marcelo falou a respeito da divulgação da marca do Bahia, reforços, gestão e a tentativa de ser um time totalmente afirmado na Série A do Brasileiro. Acompanhe abaixo.

Participação na Flórida Cup

“Uma oportunidade boa para o Bahia e futebol do Nordeste. Um torneio com visibilidade para mais de 70 países, jogos na TV aberta e fechada. Uma pré-temporada com um nível de partidas que a gente não teria no Brasil. Chance para trazer o Bahia para um patamar superior”.

Gestão

“Tem sido dois anos de reconstrução do Bahia. Quando chegamos, tínhamos acabado de cair. Salários vencidos, 13º sem pagar, direitos de imagem atrasados. Nestes 24 para 25 meses, temos conseguido mudar o espírito e a cara do Bahia. Temos 100% dos compromissos em dia. Credibilidade no mercado, sem atraso com jogadores e fornecedores. Reduzimos em cerca de 70 milhões a dívida. Metade pelo Profut e metade com receitas próprias. Temos acordo com a OAS para recuperação do Fazendão (CT do Bahia) e aquisição do terreno para a Cidade tricolor. Frutos estão começando a aparecer externamente e esperamos que aos poucos isso se reproduza dentro de campo”.

Bahia na Série A

“Não tenho medo de bater e voltar. Alguém que se torna presidente aos 33 anos não pode ter medo. Claro que vai ser o primeiro ano da Série A. A gente sabe das dificuldades e expectativas da torcida. Estamos montando um grupo para fazer um Brasileiro que eu chamo de seguro e nunca falar de rebaixamento em nenhuma rodada. No segundo turno, a gente vê se é possível desejar algo mais ou não. Nossa ideia é o Bahia sempre ganhar um título por ano. A gente tem que buscar este título anual porque mexe com a autoestima do torcedor e isso faz com que o torcedor consuma os produtos do clube, as receitas se valorizam e isso se torna um círculo vicioso. Temos que nos manter na Série A porque isso nos fortalece na estrutura, esportivamente e financeiramente. Somos a 14ª receita do Brasileiro. É um ritmo de crescimento anual. Quando chegamos, a receita bruta era de R$ 60 milhões. Em 2016, fechamos em R$ 125 milhões, mesmo com dois anos de Série B. O Bahia tem que ser um clube de referência no Nordeste, como já foi em outros períodos. Num prazo de cinco a oito anos, o Bahia tem totais condições de estar inserido entre os oito maiores clubes do país”.

Reforços

“Acredito que tenhamos optado por jogadores em momentos técnicos bons. Eles têm vindo de boas temporadas recentes. Reforços que chegam com ambição, sem acomodação e fim de carreira. Dentro das nossas possibilidades, temos feito bons encaixes no mercado. Trouxemos o Armero, com mais mídia da Udinese-ITA. Buscamos nomes que fizeram Série B forte recentemente, como Zé Rafael e Gustavo. Tudo para ajudar o Guto Ferreira a ter possibilidades de fazer mudanças táticas durante uma partida. O primeiro passo para a gente é respeitar a Série A, fazendo uma campanha segura. Nosso grupo tem como referências o Atlético-PR e a Chapecoense”.

Grande nome para o elenco

“Acho difícil contratar. Se a gente tiver possibilidade, faremos um investimento. A prioridade tem que ser o desempenho técnico. Se o jogador conseguir isso, aliando empatia e trazer novos patrocinadores, pode ser. Não podemos fazer o contrário. Buscar primeiro a mídia e depois o reforço. Hoje é muito complicado, mas não descarto se for uma grande oportunidade, não prioridade. Estamos num estágio de amadurecimento e crescimento”.

Guto Ferreira

“Excelente pessoa e grande profissional. Tenho gostado demais do trabalho dele. Busca crescimento profissional, sempre atento a novas ideias. Esteve na Alemanha estudando novos métodos. Guto me pergunta detalhes de como são as coisas na Europa. Tem condições de estar entre os principais nomes do país, mesmo sendo emergente no momento. Ele pode crescer no Bahia e as duas partes podem se beneficiar desta relação. Conseguiu o objetivo de subir conosco. Vamos ver até onde vamos em 2017”.

Desafios da gestão

“Acredito que a gente, me incluo nisso, tem que mudar a mentalidade para ser o futebol referência de novo. Temos que nos preocupar mais com infraestrutura, lado comercial e ter uma visão mais de negócio como empresa, com resultados dentro e fora de campo. Sou jornalista formado e a imprensa e torcida precisam entender que só um ganha campeonatos. Os que não ganham podem ter tido grandes trabalhos. Temos que parar com a mania de quem não é campeão tem que ter terra arrasada. Precisamos mudar esta mentalidade para trabalhos de modelos de gestões sustentáveis. Se considerarmos só o resultado de campo, será considerado fracassado se não vencer”.

O Bahia já contratou o volante Edson e o lateral direito Wellington Silva, do Fluminense, o lateral colombiano Armero, da Udinense-ITA, o lateral esquerdo Matheus Reis, do São Paulo, o volante Matheus Sales, do Palmeiras, o meia Zé Rafael, do Londrina, o meia Diego Rosa, do Montedio Yamagata, do Japão  e o centroavante Gustavo, do Corinthians. O próximo a ser anunciado deve ser o meia argentino Allione, do Palmeiras.

O Bahia vai disputar o Estadual, Copa do Nordeste, Copa do Brasil e Série A do Brasileiro, em 2017.