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Clubes não deveriam contratar Scarpa e Zeca via liberação judicial
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Alexandre Praetzel

Numa relação profissional, o mínimo que se espera é que as duas partes cumpram exatamente o combinado. Quando isso não acontece, o diálogo me parece ser a melhor opção, antes de medidas mais radicais. Transfiro isso para o futebol brasileiro. O ano começou com os casos de Gustavo Scarpa e Zeca, ambos com contratos em vigor e buscando liberações pela Justiça.

O primeiro tinha salários e direitos de imagem atrasados e entrou na Justiça contra o Flu. O Fluminense correu para acertar os débitos e esperava a reapresentação do jogador, algo que não aconteceu. Óbvio que a diretoria do Flu errou. Não só com Scarpa, mas com todos que não recebem. Agora, Scarpa poderia tentar o diálogo. Paulo Autuori lembrou que o meia foi revelado pelo próprio Flu. Abel Braga aguardava um contato, pelo menos. Bastava uma conversa franca e transparente e Scarpa poderia sair pela porta da frente, com o Flu recebendo um valor justo. Mesmo que Scarpa tenha conseguido uma liminar na Justiça, muitos advogados não aconselham a sua aquisição.

Zeca tomou a mesma atitude, alegando agressões da torcida e falta do depósito do FGTS, em outubro de 2017. O Santos garante que está tudo em dia, desde a gestão passada, comprovado pela nova direção. Passados quase três meses, o lateral segue vinculado ao Santos. O Flamengo queria contratá-lo, mas desistiu por ordem do departamento jurídico. Situações muito parecidas e com os mesmos representantes, curiosamente.

Penso que não deva existir um boicote aos atletas, mas os clubes que investiram muito dinheiro na formação dos dois, merecem um ressarcimento justo. Se eles estão insatisfeitos, busquem uma saída “legal”(no sentido da amizade). Sou da tese de que nenhum clube deveria contratá-los via liberação judicial. Quem fizer isso, pode provar do próprio veneno, em seguida. Os clubes precisam se unir, mantendo suas contas em dia, evidentemente.

No final da década de 90 e início de 2000, a advogada Gislaine Nunes se tornou o terror dos tribunais, conseguindo rescisões via Justiça do Trabalho. Tudo porque os clubes tinham gestões temerárias. O zagueiro Márcio Santos, campeão do Mundo em 1994, processou o Santos e não conseguiu mais atuar em grandes clubes, até o fim da carreira. Foi um exemplo de boicote.

O quadro mudou para melhor. Há gestões responsáveis e mais fiscalizadas hoje. Existem as exceções, mas esses estão ficando para trás. O que não dá é só um lado pensar em lucrar. Isso eu acho errado. O Praetzel FC jamais negociaria, passando por cima das instituições. Afinal, elas que sustentam o futebol brasileiro e precisam ser fortes sempre. Mesmo que errem bastante.


Fluminense pode se reconstruir com o Palmeiras como exemplo
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Alexandre Praetzel

Em 1999, rebaixado para a Série C, o Fluminense ganhou o patrocínio da Unimed, para iniciar um projeto de reconstrução. O presidente da empresa, Celso Barros, foi o mentor da parceria, como tricolor fanático. Até 2014, o Fluminense ganhou três Cariocas, dois Brasileiros, uma Copa do Brasil e foi vice-campeão da Libertadores, em 2008.

Em alguns anos, o Flu teve medalhões pagos pela Unimed e o restante por conta do clube. Nunca me esqueço quando Renato Portaluppi me confirmou que isso era normal no Flu, após uma derrota para o São Paulo, no Morumbi, em 2009. Ou seja, os salários dos mais caros estavam sempre em dia. Os demais, corriam o risco de atrasar.

Isso mudou depois, quando a Unimed passou a bancar todas as despesas do futebol, em 2007. E foi assim até o último ano, com a empresa ficando com percentuais de direitos econômicos de alguns atletas, em 2014. Em campo, o patrocínio foi muito bom, mas os dirigentes não aproveitaram para fortalecer a estrutura tricolor. Apesar do CT de Xerém e do novo CT profissional(com investimento próprio), o Fluminense não se preocupou com um novo estádio. Joga para pouco público e quase sempre tem prejuízo no Maracanã. Os valores de patrocínio também minguaram. Resultado esperado: crise financeira. Claramente, o Flu não se preparou para andar com as próprias pernas.

Agora, dispensou oito jogadores, com Diego Cavalieri e Henrique no bolo. Vai trabalhar com o que tem e pode pagar. Ora, já não deveria ter feito isso, quando a Unimed saiu? O ex-presidente Peter Siemsen contratou Henrique do Napoli, num momento delicado financeiramente, além de outros nomes sem o tamanho do Flu. A conta não fechou.

Em 2017, vimos o Flu com altos e baixos normais de um time com jovens jogadores. Lutou para não cair e fez uma Sul-Americana digna. Em 2018, é uma incógnita. Se Gustavo Scarpa for negociado, o Flu dá uma respirada. O que parece claro, é que o Fluminense começará um processo de reconstrução, já no segundo ano de gestão de Pedro Abad. Se não cair para a Série B, já será um avanço. Pelo menos, manteve o técnico Abel Braga.

Vimos cenários parecidos do Flu, com Palmeiras e Juventude, na época da Parmalat. Os dois tiveram dificuldades, depois da saída da empresa, na co-gestão, em 2000. Tiveram grandes elencos e títulos, quando havia o patrocínio. Depois, passaram por remodelações anuais e problemas financeiros, durante a década. Paulo Nobre salvou o Palmeiras, com dinheiro do bolso, para se manter competitivo em 2013, disputando a Série B.

Em 2015, a Crefisa chegou ao Palmeiras. O casamento com o Verdão é bem diferente. O Palmeiras tem um grande patrocinador e segue sua vida normalmente. Não depende da parceira. E faz isso muito bem. Está superavitário e tem ótimas receitas de todos os lados, com um grande estádio como o Allianz Parque. Também determina suas ações e escolhe seus reforços, sem interferência da Crefisa. Vai quitar a dívida com Nobre, até 2018. O Palmeiras aprendeu e adotou o modelo ideal. Financeiramente, é o clube do momento.

Que o Flu aprenda a lição e se transforme rapidamente. O futebol brasileiro não permite mais aventuras.


Scarpa é ótimo reforço em qualquer time. Será titular no Palmeiras
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Alexandre Praetzel

O interesse de Palmeiras, São Paulo e Corinthians por Gustavo Scarpa é absolutamente normal. O meia é muito bom jogador e será ótimo reforço em qualquer time do Brasil.

Me lembro de Scarpa atuando pelo Red Bull Brasil em 2015, emprestado pelo Fluminense. No Paulista daquele ano, chamou a atenção por boas atuações. Depois, voltou para o Flu na condição de titular. De 2015 a 2017, Scarpa fez 145 jogos e marcou 26 gols.

Não consegui entender a perseguição de parte da torcida ao jogador. Num time com vários garotos, Scarpa é disparado o melhor nome da equipe, aos 23 anos. Se a temporada não foi a ideal, é só ver a dificuldade do Fluminense no geral, com dificuldades financeiras e um elenco mais modesto em relação aos rivais.

O Palmeiras é o favorito para contratar Scarpa. Na negociação, o Flu pode receber o lateral Lucas, o meia Hyoran e o atacante Róger Guedes. Os três palmeirenses são distantes de Scarpa, na minha opinião.

Quando escuto que o Palmeiras não precisa de Scarpa, fico surpreso. Por que não trazer um jogador diferenciado, se há condições para isso? O Palmeiras pode e deve investir em Scarpa. Ele pode atuar ao lado de Lucas Lima, sem problemas.

Imaginem um meio-campo com Felipe Melo(Tchê Tchê), Moisés, Lucas Lima e Scarpa, mais Dudu e Borja(Willian)?

Qualquer torcedor gostaria de contar com uma formação assim. Então, se Scarpa for oficializado pelo Palmeiras, será uma excelente aquisição. Gosto muito deste atleta e o vejo como diferente da maioria.


Abel Braga. Desafio no Palmeiras ou segurança no Inter
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Alexandre Praetzel

Palmeiras e Inter estão atrás de treinadores no mercado. Os interinos Alberto Valentim e Odair Hellmann não serão efetivados. Abel Braga é cobiçado pelos dois clubes. O técnico admitiu um contato do Palmeiras, após a vitória do Fluminense sobre a Ponte Preta e está sempre nos planos do Inter, com o passado vitorioso e identificação com o clube, ainda mais com os atuais dirigentes Marcelo Medeiros e Roberto Mello, chefes do departamento de futebol colorado em 2014, último ano de Abel no Inter.

Claro que Abel ainda vai conversar com o presidente do Flu, Pedro Abad, a respeito da temporada de 2018. Ele tem mais um ano de contrato, mas não pretende ser coadjuvante nos campeonatos que irá disputar. Se o Flu não puder aumentar o investimento no futebol, é bem provável que Abel peça para sair. Com Palmeiras e Inter como opções, vejo a situação da seguinte forma, caso Abel fique livre no mercado.

No Palmeiras, Abel terá o desafio de trabalhar num time grande de São Paulo, pela primeira vez. Aos 65 anos, pode não representar muita coisa, mas muitos profissionais de comissão técnica acreditam que é preciso passar pelo mercado paulista para ser reconhecido definitivamente no futebol brasileiro. O Palmeiras tem uma base montada, estrutura e dinheiro para gastar com reforços. E estará na Libertadores da América, novamente.

No Inter, Abel estará seguro. Reencontrará amigos e poderá comandar a equipe com tranquilidade pela sétima vez, mesmo com a cobrança por resultados. Esteve no Beira-Rio em 1988, 91, 95, 2006, 2007 e 2014. Ganhou Gaúcho, Libertadores e Mundial e foi vice-campeão brasileiro. Em dezembro de 2014, esperava renovar contrato, mas viu o presidente eleito Vitório Píffero desistir de mantê-lo. Não escondeu a frustração com o amigo de longa data. Agora, tem a chance de voltar.

Abel tem lastro e experiência para segurar e conduzir elencos compostos por jogadores mais cascudos. Costuma ser um “paizão” nas dificuldades e tem bom conhecimento tático. Está com tudo para decidir onde trabalhar. Aposto na vinda para o Palmeiras porque será uma novidade na carreira. Vamos aguardar sua decisão.


Henrique valoriza molecada do Flu e acha que Richarlison fica no clube
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Alexandre Praetzel

O Fluminense está em oitavo lugar no Brasileiro com 15 pontos em 30 disputados. O time tem chamado a atenção pela qualidade de alguns jovens, como Wendell, Marquinhos Calazans e Richarlison, além da afirmação do meia Gustavo Scarpa. O blog entrevistou o zagueiro experiente Henrique, com exclusividade, sobre as possibilidades do Fluminense buscar algo maior e a capacidade da garotada, misturada aos nomes mais consolidados do grupo. Confira a seguir.

Até onde vai o Fluminense com essa garotada e o suporte dos experientes?

“Eu acho que tem muita coisa para acontecer ainda no campeonato, mas a molecada está dando conta do recado, diante de um campeonato difícil, complicado. Eu acho que essa base do Fluminense é uma base forte, já vem com um pouco de experiência. Eles estão dando conta do recado. Ainda tem muita coisa para acontecer, melhorar e isso vem acontecendo naturalmente, até mesmo dentro do campeonato”.

Fluminense tem capacidade para ficar entre os quatro primeiros?

“Com certeza. Esse é o nosso objetivo e pensamento. Tem que pensar jogo por jogo. No último contra o São Paulo, dentro do Morumbi, fomos buscar a vitória e quase conseguimos”.

Alguém pode buscar o Corinthians, líder com 26 pontos e 11 à frente do Flu?

“Eles estão numa fase boa também. As vezes, contam com um pouco de sorte, mas tem um elenco de potencial também. Como eu disse, no futebol acontece muita coisa, ainda mais no Brasileiro. Tem muito chão pela frente ainda e muita coisa para acontecer. A gente vai em busca dos objetivos”.

Richarlison fica no Flu ou ainda pode sair?

“A gente não conversa, nem comenta muito. É mais coisa interna do Fluminense. Isso é uma coisa dele, particular, e a gente acompanha, que ele vem se dedicando e nos ajudando. Então, isso aí é um pensamento dele. Acho que ele está pensando no Fluminense”.

A saída de Richarlison ainda não está descartada. Representantes do atleta acreditam que o Ajax da Holanda pode apresentar uma oferta de dez milhões de euros pelo jogador.

O Fluminense volta a campo, nesta segunda-feira, recebendo a Chapecoense, no Maracanã. Na Copa Sul-Americana, o tricolor carioca fez 4 a 0 na Universidad de Quito e encaminhou a classificação para as oitavas-de-final do torneio.


Scarpa elogia crescimento da garotada do Flu e não descarta saída na janela
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Alexandre Praetzel

O Fluminense jogou mais do que o São Paulo e poderia ter saído do Morumbi, com mais uma vitória no Brasileiro. O goleiro Renan Ribeiro evitou a derrota são-paulina com duas grandes defesas, pelo menos. Um dos destaques do tricolor carioca foi Gustavo Scarpa. O meia vem sendo protagonista da equipe e já desponta como um dos bons meias do campeonato. O blog entrevistou Scarpa sobre as chances do Flu e o crescimento da molecada, revelada em Xerém. Acompanhem.

Como vês a garotada tricolor com o suporte dos mais experientes? Fluminense pode pensar em algo maior?

“A gente pensa jogo após jogo. É difícil da gente planejar alguma coisa, até porque nosso time vem sofrendo com várias lesões, com o grupo jovem, mas eu fico feliz, porque independentemente da idade, a gente acaba se impondo contra o São Paulo, no Morumbi, que dificilmente algum time faz isso. Então, é um time novo com bastante personalidade e espero que a gente consiga ganhar mais jogos”.

A maturidade de vocês aumenta a cada partida para vocês ficarem entre os quatro primeiros?

“Sem dúvida, com o passar do tempo, desde que a gente não se acomode, a gente acaba pegando mais experiência, isso é natural, vem com o decorrer das partidas, mas eu já fico feliz com o que a equipe vem apresentando. Com certeza, ainda podemos melhorar”.

Fluminense está 11 pontos atrás do Corinthians. Dá para buscar?

“É difícil falar. A gente sabe da qualidade do Corinthians, as últimas vezes que eles venceram o Brasileiro, perderam pouquíssimas partidas, e quando eles embalam numa sequência de vitórias, é difícil parar. A gente tem que pensar primeiramente em ganhar os nossos jogos e depois torcer contra, algo do tipo”.

Você pode deixar o Fluminense na janela do meio do ano?

“A partir do momento que a gente entra em campo e demonstra um bom futebol, essa possibilidade existe. Mas é algo que a gente não procura se preocupar. É fruto do nosso trabalho, ser reconhecido pelo que a gente vem apresentando. Independentemente de quem saia ou fique, acho que tem que ser bom para o jogador e clube”.

O Fluminense é o oitavo colocado com 15 pontos em dez partidas. Aproveitamento de 50%. O time volta a campo na próxima segunda-feira contra a Chapecoense, no Rio de Janeiro.

 


Abel reclama de falta de ética no interesse do Palmeiras por Richarlison
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Alexandre Praetzel

Abel Braga não está nada satisfeito com a maneira que o Palmeiras abordou o atacante Richarlison do Fluminense. Em rápido contato com o blog, o técnico tricolor definiu a situação assim, com a ausência do atleta do confronto com o próprio Palmeiras, neste sábado, em São Paulo.

“A ética no futebol brasileiro não existe, respeito muito menos. Transparência não existe na conduta de quem comanda”, disparou, bastante irritado com o assunto.

Abel pretende se manifestar a fundo, depois da partida. O Fluminense tem 50% dos direitos econômicos de Richarlison. Pagou R$ 10 milhões ao América-MG, em 2016.


Palmeiras encaminha empréstimo de volante ao Fluminense
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Alexandre Praetzel

O Palmeiras está encaminhando o empréstimo do volante Matheus Sales para o Fluminense. O blog apurou que o contrato deve ser até dezembro de 2017.

Matheus Sales foi promovido aos profissionais do Verdão, em 2015. Teve boas atuações e foi campeão da Copa do Brasil, atuando algumas vezes como titular.

Em 2016, Matheus perdeu espaço com a chegada de Cuca e raramente foi escalado pelo treinador.

Em 2017, terá a forte concorrência de Arouca, Gabriel, Jean e Moisés e dificilmente jogará.

Aos 21 anos, Matheus Sales fez 30 jogos pelo Palmeiras.

O lateral-direito Lucas, retornando do Cruzeiro, também pode ser cedido ao Flu.

A diretoria palmeirense tem recebido várias ofertas por jogadores do elenco. No entanto, a maioria quer garantia de que vai receber o salário em dia em outro clube ou que o Palmeiras banque qualquer eventual atraso ou falta de pagamento.


Abel Braga quer Flu forte e vibrante e aponta o Fla como modelo financeiro
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Alexandre Praetzel

Abel Braga voltou ao Fluminense para um novo compromisso de dois anos, na gestão do presidente eleito, Pedro Abad. O técnico campeão brasileiro pelo Flu, em 2012, quer um grupo comprometido, com vibração e entrega, para brigar por títulos, em 2017. Em rápida conversa com o blog, antes de uma reunião com a diretoria, Abel fez a projeção para o ano que vem e apontou o Flamengo como referência de recuperação financeira. Leia abaixo.

Projeção para 2017

“De otimismo, confiança. Obviamente, se nós todos do clube, atletas, comissão, direção, funcionários, pensarmos em unidade, tudo ficará mais fácil. Não havendo curvas assim no futebol, as coisas tendem a correr dentro de uma forma bem razoável. Existem bons jogadores, não existe grande time. Fluminense sempre esteve brigando por G4 e quando chegou a encostar no G6, ficou nove jogos sem vencer. Isso precisa ser estudado. Ficou claro que é uma equipe sem brilho, vibração, alma. Muito estranho. Liguei para o Levir (Culpi) e conversei muito com ele para me ajudar nesta investigação. Não justifica. Clube centenário, com um CT que parece uma vila maravilhosa, um prédio fantástico. Quem entra aqui tem que saber que estará de corpo e alma”.

Gustavo Scarpa

“Acredito que ficará conosco. Foi feita uma prorrogação de contrato para aumentar o valor da multa. É um jogador importante. Esse aspecto será discutido. Não existe essa possibilidade agora. Mas o mercado é complicado. Abre a janela na Europa e complica”.

Reforços

“Ainda estamos discutindo, mas já estamos pensando em dois ou três nomes”.

Situação financeira

“Está na mesma situação que estava o Flamengo. Peter Siensem tentou fazer o clube andar com as próprias pernas, depois da saída da Unimed. Está se estruturando para bons anos pela frente. Quer caminhar com o que tem, investindo em estrutura e categorias de base. Isso é muito bom. O grande exemplo é o Flamengo, co-irmão. Tudo zerado. Aqui no Fluminense, está tudo em dia. Pelo menos, o Fluminense vai ter uma equipe forte, comprometida, sem dúvida”.

Fluminense X Inter

“Ainda bem que não estarei no Brasil. Claro que é um jogo importante, mas difícil para mim. Por tudo que o Inter representou. É difícil. Não tenho muito o que falar. O Inter ser rebaixado, é duro, mas fazer o quê? Futebol é assim. Difícil”.

Abel voltou ao futebol, após um período de descanso, depois de retornar do Al-Jazhera dos Emirados Árabes. O técnico sempre deixou claro que pretende começar um novo trabalho, ao invés de assumir um time no meio de uma temporada. O Fluminense encerra sua participação no Brasileiro, domingo, contra o Inter. Doze atletas já foram liberados para as férias.

 

 


Eduardo Baptista vê Seleção com modelo de jogo adotado por ele em 2014
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Alexandre Praetzel

Eduardo Baptista é apontado como um dos bons treinadores da nova geração. Aos 46 anos, o filho de Nelsinho Baptista renovou contrato com a Ponte Preta, admitindo a pressão sofrida para conquistar o primeiro título da história do clube. Em entrevista exclusiva ao blog, Eduardo também falou sobre a busca por novas idéias e seu modelo de jogo, parecido com a Seleção Brasileira. Acompanhem.

Pronto para comandar um time grande ou a passagem pelo Flu deixou dúvidas

“Eu aprendi uma coisa com meu pai. Trabalhei dez anos ao lado dele e fui criado por ele. Nessa profissão, você não pode ter dúvidas. Tudo o que eu faço no meu dia-a-dia, as decisões que eu tomo, a decisão de ter ido para o Fluminense, sempre foi com muita certeza, muito medido, ciente do que poderia acontecer. Então, se tiver um convite de um time grande e eu aceitar, é porque eu fiz um planejamento, fiz a minha programação, estudei a equipe que eu vou. Sei onde vou pisar. E no Fluminense eu fiz tudo isso. As coisas não deram certo. O que me acalenta é que está lá um treinador, que é uma das minhas referências, principalmente pelo seu estilo ofensivo e conduta. E as coisas também são difíceis. Eu vejo o Fluminense com os mesmos problemas de quando eu estava lá, em fevereiro. Naquela época, tinha um mês e meio só de trabalho e as coisas não aconteceram. Às vezes, foge um pouco do treinador, mas tudo o que eu queria fazer lá, o que eu acho certo, eu fiz. Coloquei minhas idéias em prática, estávamos conseguindo um trabalho. Por muito pouco, não chegamos a uma final de Copa do Brasil, perdemos para o Palmeiras nos pênaltis. Foi um trabalho que não deu certo, mas eu coloquei meu modelo de jogo, fiz experiências com Fred, Ronaldinho Gaúcho. Foram as melhores possíveis, principalmente com Fred, um cara excepcional, que me ajudou demais e eu respeito. Virou um amigo pessoal meu. Simplesmente as coisas não deram certo porque não eram para dar. A gente ainda vê o Fluminense com dificuldades também, os mesmos problemas que eu tinha, o Levir está encontrando lá”.

Comparações com Nelsinho atrapalham ou não

“É inevitável. Meu pai é um nome muito forte no futebol brasileiro, no Japão. Trabalhei no Sport, onde meu pai é considerado o treinador do século, num clube centenário. Então, é um nome muito forte. Estou na Ponte Preta hoje, onde ele começou aqui, tem uma história maravilhosa aqui como jogador e treinador. As comparações são inevitáveis, mas não me incomodam porque é um cara sensacional, taticamente é um dos três melhores que eu já conheci na atualidade, desta turma da geração dele. Tem uma leitura de jogo, um intervalo de jogo sensacional. Um cara que eu aprendi demais, me inspirei. O Eduardo vai crescendo. Isso não me incomoda. É um prazer porque é um cara sensacional. Ser comparado a ele é algo muito bom. Todos os clubes que eu enfrento, por onde ele passou, todos os funcionários vêm até mim dar um abraço, falar do bom caráter dele e do bom trabalho onde ele passou. Isso tem muito mais o lado positivo porque eu trabalhei dez anos ao lado dele, convivi com vitórias, derrotas, com felicidades e tristezas. Aprendi demais, principalmente, as tomadas de decisão, a parte tática. Até hoje, discutimos muito. Ele é um cara aficcionado por futebol e sempre me puxa. Quando tem jogo da Champions League, ele pede para eu ver e a gente discute depois. Então, ser filho do Nelsinho, é você ter um professor, mestre, dentro de casa. Me ajuda demais e não me atrapalha, em nenhum momento”.

Pressão por um título na Ponte Preta é igual num time grande 

“A Ponte Preta vive uma situação de não ter ganho título. O rival tem título brasileiro e a pressão aqui é grande para disputar uma Libertadores, ganhar um título. Você briga no campeonato paulista com times que têm um aporte financeiro muito maior. Times com R$ 10 milhões de folha salarial, enquanto a Ponte Preta tem um folha de R$ 1,8 milhão. Então as coisas se tornam difíceis. A pressão é grande. Você luta com todas as suas armas, mas é difícil. A gente busca e a pressão aumenta a cada ano. Mesmo você fazendo uma campanha como a Ponte Preta faz e chegar em oitavo lugar, não é bem visto aqui em Campinas porque o título é cobrado. No time grande, você tem a pressão e alto orçamento. Você pode buscar dois jogadores de altíssimo nível para cada posição. Mesmo com a pressão, você tem armas para lutar. A Ponte Preta vive essa pressão. A gente tem que buscar jogadores no mercado. No segundo semestre deste ano, acertamos em 100% as nossas contratações. Deu tudo certo, por isso, uma boa campanha. Nós perdemos bons jogadores por não conseguir cobrir ofertas de times maiores. A pressão é maior ou igual a um time grande, só que às vezes essa luta é desleal”.

Modelo de jogo e trabalho

“Meu modelo de jogo é muito parecido com o que o Tite colocou. Eu já tenho uma filosofia, desde o Sport, em 2014. Nós jogávamos com esse mesmo estilo apoiado, num 4-1-4-1, ora 4-3-3, mas sempre com uma trinca no meio. Jogava com Diego Souza, Rithely como primeiro e Danilo fazendo o terceiro homem, com uma chegada à frente, com um centroavante, ora fixo, ora flutuante e dois atacantes de velocidade pelos lados, também chegando à frente ou fazendo um apoio pelas beiradas, fazendo uma triangulação. Meu modelo é muito parecido com o que o Tite está tendo sucesso na Seleção Brasileira. Você pode ter uma chegada com mais gente à frente, uma formação de triângulo pelos lados, uma chegada na área com três jogadores, no mínimo. É um sistema bem parecido. Eu fico contente que é um modelo que eu já venho trabalhando, desde 2014, e a gente tem conseguido bons resultados. Conseguimos no Sport, estamos conseguindo na Ponte Preta e a gente tenta melhorar a cada dia, inovar, trazer coisas diferentes na maneira de marcar, jogar, mas sempre com a filosofia na hora de jogar, você ter um apoio pelas beiradas porque hoje os times jogam muito fechados por dentro e quando você defende, uma compactação no meio porque é onde o jogador brasileiro tem a criatividade. Você trava esse meio e joga o adversário para o lado, onde a gente procura roubar essa bola e jogar e sair pelo mesmo local. O modelo de jogo é esse. De trabalho, a gente procura sempre jogar, colocar a bola no chão, passe para frente, agressividade, explorando o talento do jogador brasileiro. Defensivamente, tentar diminuir os espaços, principalmente, na região central do campo. Tem que dar liberdade também. Se compara muito o futebol brasileiro ao europeu. Para o brasileiro, você tem que dar um pouco de liberdade a mais do que você dá ao europeu. O europeu não tem o talento, não tem o drible, a ginga, aquela saída inesperada que o brasileiro tem. Eu procuro não podar. Tem uma disciplina, mas na hora de jogar, tem uma liberdade criativa para um espaço para o jogador criativo pensar e tomar as decisões. O jogador brasileiro tem isso que ninguém tem. Por isso, os times das ligas européias estão lotados de jogadores brasileiros”.

Não ter sido jogador atrapalha no vestiário 

“É importante ter sido jogador, que viveu experiências e sentiu o calor do jogo. É um peso grande. Eu estive 20 anos dentro do vestiário, vendo o lado da comissão técnica, onde eu participei de decisões das mais variadas possíveis, momentos de vitórias, derrotas e você acaba aprendendo, tomando suas lições, criando a sua metodologia. Trabalhei com grandes treinadores. Nelsinho por quase dez anos, Geninho, Vágner Mancini, treinadores da nova geração também, onde tentei tirar o melhor deles. Ver o quê eles faziam de melhor, onde era o forte deles e tentei trazer para o meu dia-a-dia. Não joguei, mas tive essa vivência. Eu acho que isso é importante. Hoje, nós temos dois grandes treinadores mundiais: Guardiola, que foi um grande jogador e é um grande treinador e Mourinho, um cara ganhador e que era preparador físico, assim como eu. A grande diferença de você ter sido jogador ou ter vivido como eu vivi, independe. Eu acho que vale, se qualquer um desses lados estudar, procurar aprender, se especializar, coisas novas, se atualizar. Sou um cara que leio demais, faço meus cursos. Estou terminando meu nível A dentro da CBF. Sou instrutor da CBF para cursos de formações de treinadores para o nível B. Sempre procuro aprender e ajudar outros profissionais que também estão surgindo. Esse estudo qualifica o treinador. Lógico que se ele foi atleta, dá uma qualidade melhor. Se ele tiver a vivência que eu tive, dá um suporte muito bom. O importante é que ele estude, se atualize, se prepare, esteja aberto a coisas novas, estar pesquisando a Europa, Ásia, interior do futebol paulista, nordestino, antenado com tudo o que está acontecendo. Simplesmente, ter sido jogador ou ter uma vivência de 20 anos de vestiário, não te credencia a ser um grande treinador. O que vai te credenciar é tudo isso mencionado, mais uma especialização, estudo. Tem que buscar a preparação diária porque as coisas são novas, os jogadores são mais inteligentes, intelectualmente falando, do que eram há dez anos atrás. A evolução psicológica é uma realidade de uma nova geração e você tem que estar antenado a isso. Isso faz um grande treinador”.

Eduardo Baptista teve destaque no Sport, em 2014, começando sua carreira de treinador. Depois, passou pelo Fluminense, antes de chegar à Ponte Preta. O time é décimo lugar na Série A do Brasileiro com 45 pontos. Enfrenta o Sport, quinta-feira, em Recife.


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