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William: “Santos não perdeu DNA ofensivo. Realidade financeira é difícil”
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Alexandre Praetzel

O Santos enfrenta o Real Garcilaso-PER, nesta quinta-feira, fechando a fase de grupos da Libertadores da América. Uma vitória confirma a primeira colocação da chave. O técnico Jair Ventura, que vem sendo alvo de críticas por parte da torcida, recebeu o apoio do presidente José Carlos Peres em entrevista na última quarta-feira. O blog entrevistou o gerente de futebol do clube, William Machado. No papo exclusivo, William admitiu a situação financeira difícil, valorizou o trabalho de Jair e espera por uma evolução do time para brigar pelos títulos que a equipe ainda disputa nesta temporada (Libertadores, Copa do Brasil e Brasileiro).

Confira a entrevista com William:

Como avalias o trabalho do Jair Ventura?

Eu avalio o trabalho positivamente. Nesta temporada, Santos enfrenta situações que são raras de acontecer, simultaneamente. Uma mudança de gestão, de comando técnico, uma reformulação gigantesca no elenco profissional, e, juntamente com isso, um calendário muito apertado, devido a ser ano de Copa. Pré-temporada com menos tempo para treinar, ou seja, menos tempo para você passar suas ideias de modelo de jogo para seus atletas. Quando começam as competições, você tem menos tempo para fazer as correções, já que você tem muitos jogos em períodos curtos de tempo. Então, tem que se trabalhar, e ao mesmo tempo, prezar pelo descanso para eles estarem aptos para a próxima partida. Então, eu vejo que o trabalho tem sido construído com muita dificuldade, mas ao mesmo tempo, tem muita dedicação de todos os profissionais e isso é muito importante. Se não fosse assim, o Santos não teria feito uma participação razoável para boa no Paulista e não teria conseguido as classificações, tanto na Libertadores, quanto na Copa do Brasil, com relativa folga.

Está difícil tocar sozinho o departamento de futebol?

Não toco o departamento de futebol sozinho. Quando eu cheguei, tinha o Gustavo, Diogo e o presidente, trabalhando conjuntamente conosco. Com a saída do Gustavo, ficamos eu o Diogo e o presidente. Agora, tivemos a chegada do Sérgio Dimas, para nos ajudar e o presidente ainda tem a ideia de trazer um executivo, para nos auxiliar. Só que não é fácil achar um profissional com o perfil que o Santos busca, dentro da condição financeira que o clube pode pagar hoje. Essa procura existe, e enquanto a gente não encontrar esse profissional, a gente vai tocando com muito afinco e seriedade, para fazer o melhor para o Santos.

Santos perdeu o DNA ofensivo?

Santos não perdeu o DNA ofensivo. Implementar um modelo de jogo, uma forma de jogar que o técnico acredita ser o melhor para o elenco, que aqui está, e conseguir os resultados, ao mesmo tempo, não é uma tarefa fácil, da noite para o dia. A busca é sempre por vitórias, com gols, mas a gente sabe que todo o trabalho também é respaldado pelos resultados, e por isso, não dá para abrir mão de fazer muitos gols e ao mesmo tempo ser um time bagunçado, desorganizado, sem padrão tático. Isso o Jair conseguiu dar, até com muita rapidez a essa equipe do Santos.

Reforços chegarão na parada da Copa do Mundo?

Sobre reforços, temos conversado com o presidente, comissão técnica. Óbvio que toda equipe pensa em se reforçar, e a gente também pensa. Estamos correndo atrás disso, dentro da realidade financeira que o clube pode pagar. Uma realidade financeira muito difícil, mas que o presidente tem feito de tudo, juntamente com sua diretoria e comitê de gestão, para honrar os compromissos e tem feito isso. Salários em dia, dívidas de gestões anteriores, assumidas e honradas. Isso faz com que o clube volte a ter credibilidade no mercado e eu acredito que as peças que a gente conseguir trazer, chegarão muito satisfeitas e tranquilas, que tudo for combinado com elas, será cumprido.

Clube vai negociar atletas? Léo Citadini renova?

Janela de Europa, janelas abrindo no mundo todo, então a gente não estará imune a nenhum tipo de negociação. Essa parte fica a cargo do presidente e ele é quem toca, tanto as chegadas de atletas, quanto às possíveis saídas. Citadini tem conversado com a diretoria, com seus representantes e a diretoria. Estão em processo de negociação.

Santos tem time para ganhar Libertadores ou Copa do Brasil?

Pela minha experiência como vice-campeão da Libertadores, campeão da Copa do Brasil, eu aprendi que o time se forma campeão durante a competição, na medida em que ele vai vencendo e transpondo obstáculos. Vai ficando mais forte, vai ficando mais resiliente. Então, eu vejo que a equipe não começa a competição campeã. Ela vai se tornando campeã e eu vejo a gente com uma margem de crescimento ainda muito boa. Uma evolução muito boa. Eu tenho uma expectativa muito grande de que essa evolução acontecendo, a gente estará apto para brigar pelos dois títulos.

Na Copa do Brasil, o Santos está nas quartas-de-final. O sorteio será no dia 30, na sede da CBF. No Brasileiro, o Santos é 15º colocado com seis pontos em 15 disputados.


Alessandro nega divergência com Andrés e admite dificuldades para contratar
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Alexandre Praetzel

Alessandro Nunes foi vencedor como jogador do Corinthians e aumentou suas conquistas, também como executivo do clube. Homem forte do departamento de futebol do ex-presidente Roberto de Andrade, Alessandro seguirá no Corinthians, na gestão de Andrés Sanchez. Alessandro será o gerente de futebol, com Duílio Monteiro como diretor e o ex-vice-presidente Jorge Kalil, como diretor-adjunto. Em entrevista exclusiva ao blog, Alessandro negou qualquer tipo de problema com Andrés, admitiu dificuldades para contratar e que será muito difícil ser bicampeão paulista ou brasileiro. Acompanhem.

Apenas para deixar bem claro. Você fica no Corinthians, com a nova diretoria?

A gestão já está, talvez, completando um mês. Eu acho que as coisas estão bastante claras e se houver alguma mudança, também não compete a mim dizer. Mas está tudo tranquilo, graças a Deus. Está muito bem.

Você tem boa relação com o presidente Andrés? Sempre chegou para a mídia que vocês tiveram um estremecimento na gestão do Roberto de Andrade, quando você comandava o futebol.

Esse negócio de homem forte do futebol é meio estranho. Não existe isso. Existe uma equipe, um departamento, profissionais trabalhando. Eu, graças a Deus, tenho uma boa relação com todos eles, nesses dez anos que já estou aqui no Corinthians. Me sinto muito à vontade para dizer isso. O próprio tempo, por si só, já diz a relação que eu tenho e a identidade que eu tenho com o clube. Então, estou muito feliz, muito tranquilo, bem, acredito que eles também. A gestão está começando, um longo trabalho a ser feito nesses três anos, e que o melhor aconteça sempre para o clube, não tenha dúvida.

Está mais difícil contratar neste momento? A situação financeira do clube é boa, normal?

A situação financeira não pode ser um direcionamento para o lado positivo ou negativo na hora de contratar. As contratações vão sempre acontecer. Muitas delas, a gente vai acertar. Infelizmente, em algumas, erraremos. É normal no futebol. Nem tudo se conquista com bons resultados. A vida financeira do clube ainda não é muito boa, mas com certeza vai melhorar em algum momento. É o que a gente espera, no futuro. E também não vai ser isso o fato positivo nas contratações. Sempre estarão relacionadas com o resultado dentro do campo.

A contratação de um centroavante é prioridade ainda ou vocês estão esperando passar o tempo, um pouco?

Não. A gente não está esperando passar um pouco o tempo, não. Infelizmente, não dá para mais inscrever em algumas competições. A Libertadores já encerrou até a primeira fase. O Paulista, também traz pouquíssimo tempo para realizar alguma coisa nesse sentido, mas a gente estará sempre olhando, se houver alguma boa oportunidade. Infelizmente, não tem sido nada fácil você encontrar bons atacantes no mercado, estão muito valorizados, inclusive. O próprio presidente, recentemente, deu uma entrevista de que não dá para você pagar um salário estilo europeu. Isso aí você quebra os outros 30 jogadores que você tem no elenco. A gente tenta manter um padrão para que o relacionamento seja o mais saudável possível, não só financeiro, mas técnico também.

Vocês apostaram muito no Juninho Capixaba. O início dele não foi dos melhores. Preocupa?

Não, não preocupa. É normal. Só a gente buscar num histórico recente, quantos atletas que, infelizmente, tiveram um pouquinho de dificuldade no início. O sucesso foi um pouco mais tardio. É normal que um jovem como ele, que trocou uma camisa muito importante no cenário brasileiro a uma muito pesada, oscilar um pouquinho, ter suas dificuldades. Olhando para trás, a gente vê que grandes atletas que conquistaram títulos aqui dentro, também passaram por esse processo. Ele é um atleta muito promissor, muito técnico, jovem, ao seu tempo, as coisas se encaixarão para ele, com certeza.

Kazim pode deixar o Corinthians, a qualquer momento?

Ah, é uma pergunta muito vaga, né. Ele pode sair, se chegar uma oferta excepcional para ele, para o clube. Ele pode ficar, se não chegar nenhuma questão interessante. Está participando dos jogos, normalmente. Não participa da Libertadores por um aspecto que todos vocês já sabem(suspensão de cinco jogos). Então, está inserido normalmente dentro do contexto de trabalho do departamento de futebol.

Você foi vencedor como jogador. Como dirigente, é difícil ganhar um bicampeonato, mesmo que a base de trabalho mantida?

É difícil ser campeão. Bicampeão, então, é muito mais difícil ainda. As conquistas são bem difíceis, não tenha dúvida. Ano passado, foi um ano bem importante pelas conquistas que tivemos. Esse ano, é um ano de muito trabalho, mais ainda, do que o ano passado. É a afirmação para muitos profissionais. A gente espera que a gente consiga chegar aos nossos resultados. A gente sabe quais são eles, quais as dificuldades, os nossos desafios, mas chegar ao topo e levantar um caneco, a gente nunca consegue precisar.

No Paulista, o Corinthians é o primeiro do grupo A, com 17 pontos, e o terceiro na classificação geral. Na Libertadores da América, o time estreou com empate diante do Millonarios da Colômbia, em Bogotá.

 

 


Cícero Souza defende Roger. “É um dos melhores trabalhos do Brasil”
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Alexandre Praetzel

O Palmeiras precisa entender por que perdeu mais um clássico para o Corinthians. Essa é a intenção da diretoria, antes da estreia do time na Libertadores da América. Os dirigentes ressaltam o trabalho de Roger Machado no dia a dia e mantêm o planejamento inicial de maneira normal. O blog entrevistou o gerente de futebol, Cícero Souza, a respeito do jogo e situações relacionadas a uma derrota num confronto tão importante. Confira.

Por que o Palmeiras perdeu os últimos quatro clássicos para o Corinthians, na avaliação da diretoria?

Acho que os do ano passado são completamente independentes desse ano. O desse ano a gente fez uma partida equilibrada até um certo momento e depois até com a desvantagem númerica, não conseguiu se recuperar dentro da partida. Os do ano passado eram outros detalhes, isso já foi avaliado, já está no passado.

Falta um pouco de atitude do time em jogos maiores?

Eu acho que a gente teve dois jogos maiores esse ano, né. Houve uma atitude no primeiro. Até houve atitude, não houve o resultado, a gente não pode tomar nenhum tipo de conclusão precipitada.

Tem algo a dizer sobre a arbitragem?

Eu acho assim. Passou muito tempo para ele dar o pênalti. Ele chegou a dar tiro de meta e a gente estranha porque houve algumas situações de vantagem naquele lance e ele voltou. Está na hora dos clubes começarem a levantar uma bandeira por profissionalização, mais respeito entre as partes. Acho que fica um discurso meio incomum, ficar reclamando de arbitragem por si só. Acho que está na hora da gente elevar o nível dessa discussão e caminhar mais rapidamente para a busca da profissionalização da arbitragem brasileira.

Você prega trabalho e sequência. Quando acontece uma derrota assim, muda alguma coisa no planejamento ou é só um resultado?

Da minha parte, absolutamente nada. Curto e grosso. Da minha parte, absolutamente nada. A gente avalia o dia a dia, os conceitos. Existem períodos de assimilação. Os nossos estão sendo bem cumpridos. Perder no estádio do Corinthians, acho que a maioria dos times irá perder. A gente não quer. Mas se alguém consegue ganhar é o Palmeiras, nos últimos anos. Mas a avaliação é do trabalho e eu acho que o trabalho do Roger é um dos melhores que a gente encontra hoje no futebol brasileiro.

Palmeiras está pronto para estrear na Libertadores?

O time, talvez quando perde um clássico antes da estreia, ele precise entender o por quê perdeu. Então, talvez ele tenha que assimilar o que ainda falta. Mas, de uma certa forma a gente já construiu muita coisa e a gente vai com esse estofo, com bastante confiança para Barranquilha.

A estreia do Palmeiras será quinta-feira, às 21h30(horário de Brasília), contra o Junior de Barranquilha. No mesmo horário, haverá o outro jogo do grupo entre Alianza Lima e Boca Juniors.


Raí precisa de autonomia no SP. Risco de ser queimado é grande
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Alexandre Praetzel

A saída de Vinícius Pinotti do departamento de futebol foi absolutamente normal, para o momento do São Paulo. O cargo de diretor era maior que o próprio Pinotti, um cidadão cheio de boas intenções, mas com pouca experiência de gestão e vestiário. Se demitiu, após divergências com o presidente Leco.

Ora, alguém acha que terá super poderes, tendo Leco como mandatário? Claro que não. Não sejam ingênuos. O regime dos grandes clubes brasileiros é PRESIDENCIALISTA, assim mesmo, com letras maiúsculas. Quem manda é o presidente e obedece quem precisa.

Quero ver se Raí vai aceitar essa condição. Os dirigentes amadores não pensam duas vezes em queimar grandes ídolos dos clubes. A ciumeira é geral porque o ex-jogador é muito mais aplaudido e valorizado pelos sócios e torcedores. E os dirigentes não suportam ficar em segundo plano. Eles precisam brilhar.

Raí está entre os maiores nomes da história são-paulina. Só terá serventia, se puder implantar o que ele acha ideal. Se aceitar ser um coadjuvante, acatando todas as determinações do presidente, vai se desgastar e sairá. Já vi ex-atletas serem torrados sem dó, porque ganharam espaço demais e recebiam créditos pelas vitórias. Leco não permitirá isso. Lembrando que Raí já faz parte do Conselho de Administração tricolor.

Figueroa sofreu no Inter, em 1996. Era gerente de futebol, passou a treinador e o Inter reagiu na ocasião, no Campeonato Brasileiro. Caiu logo depois por ciumeira da diretoria.

Em 2010, Zico foi executivo do Flamengo e foi defenestrado do clube por pressão de um ex-líder de organizada e com forte apoio no Conselho Deliberativo. Durou quatro meses no cargo.

Citei dois exemplos de monstros sagrados que foram expurgados. Será que Raí vai correr esse risco, como Rogério Ceni? Afinal, o ex-goleiro serve como grande parâmetro para quem não quer passar pela mesma situação. Vamos ver.


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